No primeiro dia oficial de campanha para as Eleições Autárquicas, vários candidatos autárquicos do Bloco de Esquerda deslocaram-se em transportes coletivos até à sede do Bloco de Esquerda em Braga, para realizarem uma Conferência de Imprensa sobre mobilidade municipal e intermunicipal.
Com problemas diferentes, tendo em conta o percurso que cada candidato realizou – oriundos de Barcelos, Braga, Esposende, Guimarães, Vila Verde ou Vizela –, salientam-se as semelhantes dificuldades, que acompanham também o quotidiano dos munícipes do Distrito: a frequência deficitária dos transportes coletivos; os percursos que não correspondem às necessidades de todas as populações; a incapacidade de os operadores cumprirem os horários estabelecidos – sobretudo, mas não só, nas crescentes horas de ponta –; e o afastamento de um grande número de potenciais utilizadores pela inexistência de oferta em períodos “pós-laborais”, que na realidade não o são para muitos trabalhadores e estudantes.
O Programa de Apoio à Redução do Tarifário dos Transportes Públicos (PART) permitiu aos munícipes usufruírem de uma redução nas tarifas das deslocações efetuadas dentro do seu Concelho ou da respetiva Comunidade Intermunicipal, através da compra de passes mensais; mas há uma desproteção para quem realiza deslocações pendulares que atravessam municípios de diferentes CIM. Também os utilizadores ocasionais, obrigados a deslocarem-se a serviços apenas existentes nos Concelhos mais populosos ou na capital do Distrito, são confrontados com preços e tempos de viagem que não incentivam o uso de transportes coletivos.
O Bloco de Esquerda tem defendido a expansão da ferrovia no Distrito de Braga e está a propor nos programas das suas candidaturas autárquicas o alargamento da oferta pública de transportes coletivos, tendencialmente gratuitos. Este desígnio tem de ser articulado compreendendo os territórios de forma alargada – regional. Sendo muito importante encontrar os adequados instrumentos para garantir a mobilidade – ferrovia, metro de superfície, BRT, autocarros, etc. – nas heterogéneas localidades, os municípios têm a obrigação de investir na sustentabilidade dos seus territórios, cuidando do ambiente e da qualidade de vida dos cidadãos, que não podem ficar reféns dos transportes individuais no seu dia-a-dia.
