Alio Baio, músico e cego, nasceu na Guiné-Bissau em 1994. João Silva, fotógrafo bracarense, num projeto desenvolvido entre finais de 2019 e setembro de 2020, fotografou o quotidiano do músico e, da junção com fotografias realizadas pelo próprio Alio, resultou a exposição “Do teu ombro vejo o mundo” primeiramente apresentada nos Encontros da Imagem, em Braga, em 2023, tendo uma das fotografias sido selecionada e publicada pelo prestigiado Washington Post.
Não é, pois, a primeira vez que a exposição “Do teu ombro vejo o mundo” se oferece ao olhar do público.
No âmbito do Projeto AQUI HÁ CULTURA!, promovido pelo Município de Vila Verde e pela Escola Profissional Amar Terra Verde, a mostra estará, agora, patente ao público na Biblioteca Municipal Professor Machado Vilela entre os dias 3 de dezembro (dia em que será inaugurada, às 09h30) e 9 de janeiro de 2026.
E se há motivos de interesse e de grande originalidade que se mantêm – a forma sensível e subtil como João Silva aflora a intimidade de Aliu Baio, a maneira como o quotidiano de um cego nos é transmitido através do que (a representação através de imagens) à partida lhe estaria vedado, um percurso estético único que irmana dois olhares em torno de um desiderato comum – , acrescentam-se agora novos elementos a partir dos quais a mostra se torna mais inclusiva e por isso, mantendo a elevada qualidade artística, ainda mais humana.
À colaboração entre o fotógrafo João Silva e o músico cego Aliu Baiu junta-se a designer de produto Maria João Ramos e a exposição alcança uma dimensão nova no que respeita à acessibilidade e à inclusão quando as imagens ganham forma física através de impressão 3D numa experiência que se complementa com roteiros em áudio, permitindo que aqueles que não veem acedam ao mundo da fotografia através do contacto tátil e do registo sonoro.
Projeto singular, original e único, a mostra constitui mais um dos momentos altos a que a programação do AQUI HÁ CULTURA! já nos habituou.
A conferência subordinada ao tema Tolerância e democracia: a (re)construção de um chão comum, proferida por Henrique Monteiro e que estava prevista para o dia 5 de dezembro, às 21h00, foi adiada para o dia 12 do mesmo mês, à mesma hora.
