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13 anos de gnration com Aunty Rayzor, Bonga, Femme Falafel, James Blackshaw e muito mais

O gnration celebra 13 anos com o habitual open day. Sábado, 2 de maio, o espaço bracarense abre as portas com um programa repleto de concertos, instalações e um workshop com entrada gratuita. Bonga, Aunty Rayzor, Femme Falafel, James Blackshaw, Uncle Gueispar and the Oompa Loompas, Saya e Rádio Cacheu fazem o programa de música. Já o programa expositivo compreende Becoming a Simulated Book de Mariana Gomes e Interferência Humana, de Fernando Kopp. Para os mais novos há uma estação de experimentação.

O programa de música começa à tarde com James Blackshaw. Virtuoso guitarrista, o britânico é reconhecido pelo trabalho com a guitarra de 12 cordas. Estreou-se com Apologia (2003) e, numa dúzia de anos, editou treze discos, destacando-se The Glass Bead Game (2009), Love is the Plan, the Plan is Death (2012) e Summoning Suns (2015). Após uma década afastado dos discos e dos palcos, regressou com Unravelling In Your Hands (2024), seguindo-se Fractures On The Horizon (2026), trabalhos que apresenta neste concerto. 

A noite de aniversário arranca com uma lenda viva da música, Bonga. Aos 83 anos, o músico angolano conta com mais de 400 canções editadas e uma reputação de eterno respeito. Veio para Portugal aos 22 anos como atleta recordista e usou a rara liberdade de movimento concedida pelo regime fascista do Estado Novo a atletas- estrela para apoiar a independência de Angola. Em 1972, é obrigado a exilar-se nos Países Baixos, onde grava o primeiro disco Angola 72. 

Rapidamente, o seu semba tornou-se num grito contra o colonialismo português e contra a discriminação e a marginalização da cultura angolana. Mais de cinquenta anos depois, Bonga continua a levar a música e cultura do seu país aos palcos de todo o mundo.

Femme Falafel continua a festa na blackbox com a apresentação de Dói-Dói Proibido (2025). Alter-ego de Raquel Pimpão, Femme Falafel lançou-se ao mundo com a orelhuda Depressão (2022), uma caricata canção sobre o falhanço feita sob uma base eletrizante. Após uma longa espera, o álbum de estreia chegou finalmente no final do ano passado. Dói-Dói Proibido navega entre o jazz, o disco, o pop, a R’B e o hip hop, encontrando no absurdo e na ironia o antídoto para os males de espírito. A receita perfeita para continuar a boa disposição.

Já na sala multiusos, o gnration apresenta o EP de estreia da jovem banda math rock Uncle Gueispar and the Oompa Loompas. Formada entre Guimarães e Braga, a banda narra as desaventuras de uma figura reprimida e angustiada após o fim de uma relação aos 16 anos. Agora adulto, Uncle Gueispar descarrega as frustrações nos trabalhadores da fábrica, os Oompa Loompas. Formada por Gaspar Lopes (saxofone), Alexandre Ferreira (bateria), Afonso Monteiro (guitarra) e Eduardo Ribeiro (baixo) a banda vem apresentar pela primeira vez, Oompa Loomping All Around or The Quest of Overcoming, EP gravado com o apoio do Trabalho da Casa do gnration e em coprodução com o Centro Cultural Vila Flor (Guimarães). 

Uma das artistas mais implacáveis e eletrizantes da Nigéria, Aunty Rayzor chega à praça do gnration para contagiar a noite de aniversário. Nome artístico de Bisola Olugbenga, a rapper salta livremente entre o inglês e o yoruba numa mistura intoxicante de hip hop, R&B, trap e afrobeat.

Educada entre o canto de igreja e as batalhas de rap underground, ganhou reconhecimento com Kuku Corona, música que se tornou um hino viral da pandemia de Covid-19 na Nigéria. Alimentada por este sucesso, editou o disco de estreia Viral Wreckage (2023) pela Hakuna Kulala, ganhando destaque e grandes elogios em revistas como The Quietus, Resident Advisor e Loud and Quiet.  

A festa continua depois com dois DJ sets. De um lado Rádio Cacheu comanda a pista de dança numa jornada que vai do soul ao funk, do samba ao semba, da coladeira ao funaná e do gumbé ao hip hop. Já a blackbox fica a cargo da DJ galega, com ascendência palestiniana, Saya. Tem-se destacado como um dos nomes mais interessantes nas noites entre o Porto e a Galiza, com sets marcados pelo Arab club, gqom, bass, deconstructed club e hard drums.

Durante o dia poderão também ser visitadas as instalações Becoming a Simulated Book de Mariana Gomes e Interferência Humana, de Fernando Kopp, ambas expostas na sala de formações. No pátio exterior, os mais novos podem experimentar e fazer bombas de sementes com argila na estação de experimentação A Arte é um fenómeno: Semear cores.

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