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Arrendar já custa €1.335 e comprar €435.000 — mas o mercado apresenta dinâmicas distintas no país

rrendar casa em Portugal já custa, em média, €1.335 por mês, enquanto o preço médio de compra se fixa nos €435.000. Dados do Imovirtual mostram um mercado com dinâmicas distintas entre regiões: enquanto as Ilhas registam subidas muito expressivas, o Norte apresenta sinais de estabilização, refletindo comportamentos diferentes na evolução dos preços.

No arrendamento, o mercado evidencia diferenças claras entre regiões, com sinais de crescimento, estabilização e correção.

As Ilhas destacam-se como a região mais cara, com rendas médias de €1.200, após uma subida mensal de +41,2% e um crescimento anual de +33,3%. Dentro desta região, a Ilha Terceira regista uma das maiores valorizações, passando de €400 para €1.100 (+175,0% anual), enquanto a Ilha de São Miguel atinge os €1.200 (+9,1% mensal e +33,3% anual). Já a Madeira apresenta maior estabilidade, com rendas nos €1.550 e uma variação anual de +3,3%.

No Sul, o arrendamento fixa-se nos €1.000, mantendo-se estável face ao mês anterior (0,0%) e com uma subida anual de +17,6%. O distrito de Faro destaca-se com valores de €1.450 (+8,4% mensal e +16,0% anual), enquanto Setúbal atinge os €1.290 (+3,2% mensal e +7,5% anual). Em sentido contrário, Beja apresenta uma descida mensal de -6,7% e uma variação anual também negativa (-6,7%).

No Norte, os preços situam-se nos €900, com uma ligeira correção mensal de -2,2% e crescimento anual de +1,1%, sinalizando uma fase de estabilização. Ainda assim, alguns distritos apresentam dinâmicas positivas, como Braga (€990, +7,0% mensal e +11,2% anual) e Vila Real (€900, +5,9% mensal e +12,5% anual). Já Viana do Castelo evidencia maior volatilidade, com uma subida mensal de +19,2%, mas uma descida anual de -4,3%, enquanto Viseu regista uma queda mensal de -11,1%.

O Centro mantém-se como a região mais acessível, com uma média de €786, após uma variação mensal de -1,7% e crescimento anual de +1,4%. Dentro da região, Lisboa destaca-se claramente com rendas de €1.800, após uma subida mensal de +5,9% e um crescimento anual de +9,1%, posicionando-se como o mercado mais caro do continente. Também Leiria atinge os €900 (+5,0% mensal e +12,5% anual), enquanto Castelo Branco sobe para €625 (+4,2% anual). Em contraciclo, a Guarda apresenta uma descida anual de -18,2%, refletindo dinâmicas distintas dentro da mesma região.

No mercado de compra, o comportamento é igualmente distinto entre regiões. Apesar do valor médio nacional se fixar nos €435.000, o Norte surge como a região com preços mais elevados entre as principais regiões analisadas, com um valor médio de €350.000, após uma ligeira descida mensal de -2,8% e um crescimento anual de +1,4%. Ainda assim, alguns distritos mantêm dinâmicas positivas, como Aveiro (€380.000, +7,0% anual) e Braga (€375.000, +7,6%), enquanto o Porto se fixa nos €409.000, com uma evolução mais contida (+3,5% anual).

O Centro apresenta um dos crescimentos mais expressivos, com preços médios de €287.500 e uma subida anual de +18,6%, apesar de uma variação mensal ligeira de +0,9%. Dentro da região, destacam-se Leiria (€349.450, +20,5% anual) e Santarém (€280.000, +19,1%), refletindo uma valorização consistente. Em sentido contrário, Lisboa evidencia uma ligeira correção anual de -4,5%, passando de €650.000 para €621.000, sinalizando um possível ajustamento após ciclos de maior valorização.

No Sul, os preços mantêm-se mais acessíveis, com uma média de €260.000 e um crescimento anual de +4,0%. O distrito de Faro destaca-se com valores de €575.000 (+10,6% anual), enquanto Setúbal atinge os €465.000 (+3,3%). Já Portalegre apresenta uma das maiores subidas da região (+20,8%), atingindo os €145.000, embora partindo de uma base mais baixa.

As Ilhas registam a maior valorização do país, com os preços médios a subirem de €170.000 para €290.000 (+70,6% anual). Dentro desta região, a Ilha Terceira acompanha esta tendência, com preços de €290.000, enquanto a Ilha de São Miguel atinge os €390.000 (+5,4% anual). Já a Madeira apresenta maior estabilidade, com valores de €590.000 e uma variação anual de +0,8%.

“O que estes dados mostram é um mercado cada vez menos homogéneo, onde já não existe uma única tendência nacional. Há regiões a crescer de forma muito acelerada, enquanto outras entram numa fase de estabilização ou ajustamento. Esta divergência reflete uma maior dependência de fatores locais — como a oferta disponível, a pressão da procura e a natureza de cada mercado — e explica porque é que hoje falamos de um imobiliário com comportamentos distintos em Portugal”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.

Este comportamento confirma uma mudança estrutural no mercado imobiliário: a evolução dos preços deixou de ser uniforme e passou a refletir realidades regionais muito distintas, num contexto em que são cada vez mais as dinâmicas locais a definir o ritmo do mercado em Portugal.

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