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Congresso Nacional do Azeite destaca fileira de €700 milhões, reforço da inovação e da ambição exportadora de Portugal a 8 de maio

Num setor crescentemente exposto à concorrência global e orientado para os mercados externos, o 9.º Congresso Nacional do Azeite afirma-se como uma plataforma estratégica para alinhar conhecimento, investimento e visão de futuro.

Organizado em Moura pelo CEPAAL, com o apoio da Câmara Municipal de Moura, no âmbito da Feira Nacional de Olivicultura – OlivoMoura, o Congresso, que terá lugar dia 8 de maio no Cine-Teatro Caridade em Moura, decorre no coração da olivicultura nacional e reforça o papel central do Alentejo numa fileira que continua a ganhar escala, sofisticação e relevância económica a nível nacional e internacional.

A fileira do azeite em Portugal consolida a sua importância estrutural na economia agrícola, representando cerca de 700 milhões de euros. Trata-se de um dos setores mais dinâmicos do agroalimentar português, sustentado por investimento, inovação e uma forte vocação exportadora que beneficia da grande qualidade do azeite português (mais de 90% de azeite extra virgem – a melhor taxa do mundo). Apesar de um contexto internacional exigente, o setor mantém um excedente comercial positivo no arranque de 2026, evidenciando competitividade e capacidade de adaptação.

“O setor do azeite em Portugal entrou numa nova escala, estamos mais competitivos, mais tecnológicos e claramente mais internacionais. Este Congresso é o espaço onde se discutem as decisões que vão moldar essa trajetória nos próximos anos, um contributo decisivo para a consolidação da posição de Portugal como 6.º maior produtor mundial, 3.º maior exportador europeu e o país que mais produz azeite de maior qualidade a nível mundial (+ de 90% é azeite extra virgem), num momento particular de muitos desafios, mas também de grandes oportunidades, com a abertura de mercados como a India e a emergência das transformadoras tecnologias de IA, que precisam de ser rapidamente trazidas para o coração do setor”, afirma Manuel Norte Santo, Presidente do CEPAAL.

Alentejo no centro da transformação
O Alentejo mantém-se como o principal polo produtivo nacional, concentrando a maior parte da produção e liderando uma profunda transformação estrutural da fileira. A modernização dos sistemas de produção, a incorporação de tecnologia e o recurso crescente à inteligência artificial têm permitido ganhos consistentes de produtividade, maior eficiência no uso de recursos e melhor gestão do risco climático.

Para a campanha 2025/2026, a produção deverá situar-se em torno das 160 mil toneladas, refletindo um ajustamento face ao ciclo anterior, mas mantendo níveis historicamente elevados. Este desempenho confirma a robustez de um setor que, nos últimos anos, registou um crescimento expressivo das exportações (que superaram os mil milhões de euros nas campanhas de 2023 e 2024) e que continua a gerar valor mesmo em cenários de menor volume.

A valorização do produto, através da diferenciação, da construção de marca e do posicionamento em segmentos premium, tem sido determinante para sustentar margens e reforçar a presença internacional. Em paralelo, a descida recente dos preços ao consumidor, com o azeite virgem a situar-se nos 5,07€/litro no final de 2025 (dados GPP), sinaliza um ajustamento do mercado após um período de forte pressão inflacionista, com o setor a registar um excedente comercial de 92 milhões de euros nos primeiros dois meses de 2026, apesar de uma redução nas quantidades transacionadas (dados da Direção-Geral da Agricultura e Desenvolvimento Rural (GPP).

Novos mercados e oportunidade estratégica na Índia
No plano externo, o setor posiciona-se para tirar partido de novas dinâmicas de abertura comercial. O potencial do acordo entre a União Europeia e a Índia configura uma oportunidade estratégica de elevado relevo, sobretudo para Portugal, ao possibilitar a redução de barreiras tarifárias e facilitar o acesso a um mercado de grande escala, com mais de 1,47 mil milhões de consumidores, marcado por um crescimento rápido e sustentado. Este contexto poderá reforçar a diversificação de destinos e ampliar a projeção internacional do azeite português.

Um setor a pensar o futuro
É neste contexto que o 9.º Congresso Nacional do Azeite reúne, em Moura, produtores, especialistas, investigadores e decisores para debater os principais desafios e oportunidades da fileira, da eficiência produtiva à digitalização, passando pela valorização e posicionamento global.

Um dos momentos centrais será a keynote de Álvaro Beleza, subordinada ao tema “Portugal: Porto de abrigo da Europa”, que trará uma leitura económica e geopolítica sobre o posicionamento do país no contexto europeu e global e os seus impactos nas cadeias agroalimentares.

O programa, que contará com mais de 30 oradores nacionais e internacionais, contará com 3 painéis em torno do debate sobre: Eficiência e diversidade no olival nacional, com análise de diferentes modelos produtivos e foco na sustentabilidade; Inteligência artificial no processo de decisão, explorando o papel dos dados na gestão agrícola; e Valorização através da diferenciação, com exemplos concretos de criação de valor e posicionamento em segmentos premium.

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