O contrato de cedência do direito de superfície de todas as instalações por parte da câmara de Vila Verde ao clube gerou uma enorme confusão na Assembleia Municipal e fez com que o presidente da câmara optasse por retirar o ponto da ordem de trabalhos.
O deputado municipal, Samuel Estrada, contestou o acordo de cedência, “gratuitamente”, por 65 anos das instalações desportivas depois “de investimentos camarários, nos últimos anos, que rondaram os cinco milhões de euros”. Para o socialista “é mais um elefante branco”, cuja troca são investimentos de 3,5 milhões de euros por parte do clube: “quais são as obras? Onde estão os cadernos de encargos?”.
O contrato “não coloca nenhum mecanismo de controle e a câmara não participa ativamente na gestão do clube”. Para Samuel Estrada “é um mero exercício de crendice, mas a política é escrutínio e não cheques em branco”.
O presidente da câmara rebateu todos os argumentos socialistas: “o documento foi elaborado por colegas seus em quem eu confio e bastante maturado a nível jurídico colhendo, até, exemplos de outros concelhos”.
António Vilela lembrou que “o património não pode ser hipotecado nem vendido” e mandou uma ‘farpa’ a Samuel Estrada: “não deve ter lido todo o documento porque há uma alínea que explica que o dinheiro vai ser gasto na criação de dois campos de relva natural, dois campos sintéticos, um edifício de apoio e bancadas, entre outras obras”.
O não cumprimento “de qualquer uma das cláusulas” anula o contrato “e os edifícios voltam todos para o Município”, acrescentou Vilela. “Deixamos de ter custos com o parque desportivo”.
No entanto, seria uma intervenção do presidente da Assembleia Municipal, Carlos Arantes e advogado de profissão, que criaria uma ‘confusão jurídica’. Em causa está a possível alienação a uma Sociedade Anónima Desportiva de complexo desportivo, “não estando claros os seus termos”.
Questão que levou a mais intervenções, nomeadamente, de Pedro Feio Gonçalves e à decisão de Vilela retirar o ponto sem deixar ficar antes um repto: “espero que os dois (Samuel Estrada e Pedro Gonçalves) estejam disponíveis a ajudar o melhor o documento”.
