Vila Verde

Vila Verde tem no terreno três projetos inovadores e autossustentáveis na área social

Três projetos inovadores, autossustentáveis e com responsabilidade social dos parceiros aderentes. Ligados aos medicamentos, visão e dentária, os projetos germinaram no Núcleo Local de Inserção e estão a ser coordenados por Isabel Lopes, da equipa da ação social da câmara de Vila Verde.

“O município de Vila Verde deve ser o único do país, com três projetos na área da saúde, totalmente inovadores e totalmente comparticipados pelos parceiros, isto é, sem custos para a Segurança Social e para a câmara de Vila Verde que é quem estabelece o protocolo com os parceiros”, refere a técnica de ação social, Isabel Lopes.
Nos outros similares, “há sempre uma despesa inerente e os nossos são pro-bono, são os parceiros que comparticipam na totalidade e isto é único. Não beneficia toda a gente que pede, beneficia, realmente, aquele que necessita e está disponível para melhorar a sua vida”.

A Vereadora da Ação Social, Júlia Fernandes, diz que “o Município de Vila Verde está sempre na linha da frente ao nível da intervenção social. Ao longo destes anos temos implementado projetos inovadores e eficazes que respondem a problemas específicos para resolver situações identificadas no terreno”.

Por isso, “estes projetos resultam de um trabalho em rede com as entidades parceiras e com as instituições, envolvendo dezenas de parceiros e são verdadeiros exemplos de um trabalho articulado onde todos são fundamentais na resolução dos problemas reais das pessoas. Nestes tempos difíceis, onde se detetou perdas de rendimentos das famílias, o Município esteve sempre no terreno, contando com o apoio inexcedível das juntas de freguesia e de todas as instituições para que nada faltasse e os vilaverdenses se sentissem acompanhados, sobretudo aqueles que mais precisam”.

Medivida
O ‘Medivida’ é o que está há mais tempo no terreno, foi assinado no dia 18 de dezembro de 2014, pelo município de Vila Verde e os parceiros aderentes, neste caso farmácias. “Nasce no seio do trabalho desenvolvido pelo Núcleo Local de Inserção, é pensado, elaborado e proposto ao Município por este NLI”, explica Isabel Lopes ao ‘Terras do Homem’.

O Núcleo Local de Inserção é uma estrutura operativa local que tem vários parceiros e onde são apresentadas toadas as situações de pobreza e exclusão social do concelho. É neste Núcleo que se conhecem todas as situações de pobreza: “nós identificamos as necessidades e as problemáticas sociais”.

Uma das necessidades identificadas foi ao nível da medicação e foi assim que nasceu o projeto. “Muitas famílias carenciadas com problemas de saúde que precisam de medicação e não têm recursos económicos, com este projeto conseguimos dar resposta de forma mais imediata”. O ‘Medivida’ tem na sua base a responsabilidade social, ou seja, “os parceiros que são 90% das farmácias do concelho comparticipam na totalidade da medicação famílias sinalizadas pelas equipas de atendimento e acompanhamento social que operam no concelho”.

Os parceiros são seis farmácias espalhadas pelo território que “disseram logo que sim quando apresentamos o projeto”. Isabel Lopes explica como funciona o projeto na prática: “as farmácias fazem um donativo a uma IPSS do concelho, neste caso a Casa do Povo da Ribeira do Neiva, que é também a IPSS que tem as equipas protocoladas com a Segurança Social e que acompanham estas famílias, e depois as famílias são encaminhadas para as farmácias e levantam a medicação que precisam. A farmácia fatura à IPSS e esta paga-lhe passando uma declaração ao abrigo da lei do mecenato e isto é transversal aos outros dois projetos”.

400 encaminhamentos
Desde 2015 até à presente data foram efetuados 400 encaminhamentos, o valor global com o apoio à medicação foi de 12 453,63 euros, totalmente pago pelas farmácias. “A base de todos os projetos é a segurança, a confiança e o rigor da transparência do trabalho que é feito com as famílias, que é de proximidade entre a equipa e a família, comprovadamente carenciadas”.

Segundo a técnica da ação social do Município, são as equipas da Segurança Social que determinam as carências das famílias, que as acompanham, e estas equipas são as que estão afetas à Casa do Povo da Ribeira do Neiva que tem protocolo com a Segurança Social.

Outro dado importante: “a família tem que estar disponível para a melhoria da sua qualidade de vida, se está desempregada tem que se inscrever no centro de emprego e aceitar uma proposta de trabalho, se tem baixa escolaridade tem que estar disponível para integrar formação profissional, há um contrato de inserção com a família para melhorar a sua condição e não ficar dependente deste serviço, no fundo é coresponsabilizar as famílias no seu processo de mudança”.

2020 o pior ano
Como se está a falar, muitas vezes, de doenças crónicas, é possível apoiar famílias por períodos mais longos. “O ano de 2020 foi claramente o ano em que mais famílias recorreram aos serviços da ação social a pedir medicação, o ano da pandemia evidenciou o maior número de problemas ao nível da saúde. São duas situações que nos apareceram: é o agudizar do problema de saúde, que não tinham e ficam com ele e também a perda de rendimentos causada pela pandemia”.

Para terem acesso a este apoio, os interessados podem marcar um atendimento na junta de freguesia de Vila Verde ou na Casa do Povo da Ribeira do Neiva, e a equipa multidisciplinar, com psicólogo, educador e assistente social faz uma avaliação, pedem os documentos de validação, fazem o acompanhamento e se estiverem enquadradas, porque só podem beneficiar deste apoio quem tiver um rendimento per capita (por pessoa) inferior a 50% do Indexante de Apoios Sociais (que está nos 438 euros), a família é enviada para a farmácia.

“É enviado um mail para a farmácia a dar conta de que aquela família vai passar a ser apoiada, a família leva uma ficha de sinalização devidamente carimbada e assinada, chega à farmácia e não paga nada”, acrescenta, ainda, Isabel Lopes.

Um dos documentos obrigatórios é a lista de medicação prolongada, tem que fazer prova do seu estado de saúde, portanto, não é uma situação pontual.

“É um processo relativamente rápido porque depende da disponibilização dos documentos por parte da família. Estamos a falar de um apoio mensal, por exemplo, e se a família está a precisar de ajuda temos duas formas: se pedir urgência é muito rápido, mas tem que ter o processo devidamente instruído na segurança social, a equipa não pode sinalizar sem ter a garantia de que a família precisa deste apoio, porque é esta base de confiança que faz deste projeto inovador e sustentável”.

Isabel Lopes deixa “um agradecimento profundo a todos os parceiros que colaboram connosco todos os anos. Sinto muito orgulho no concelho onde vivo, e fui eu que apresentei estes projetos, pela forma como foram acolhidos”.
“Tentamos que todos os parceiros contribuam de forma equitativa, isto é, se um oferece um cheque de mil euros, iremos fazer com que só gaste esse valor ou se uma ótica contribuiu desta vez, da próxima será outra. Mas enviamos sempre um mail primeiro para perceber se estão disponíveis e têm estado”.

Dentivida
Dois anos surge o ‘Dentivida’ sobre tratamento oral. É na mesma lógica, mas aqui com algumas diferenças. “Apresentei o projeto a todos os médicos dentistas do concelho, com uma adesão de 70%, mas as condições são diferentes. Enquanto as farmácias fazem um donativo em dinheiro, os médicos dentistas fazem diretamente o donativo com o seu trabalho de forma gratuita. Passam uma declaração à IPSS com o custo e a IPSS passa a declaração da lei do mecenato, não há trocas de dinheiro”.

No ‘Dentivida’ estão a participar 17 clínicas e foram também convidados laboratórios protésicos que trabalham com estes médicos. “Nós valorizamos muito a questão dos jovens porque tínhamos pessoas jovens adultas que, pelo facto, de não terem dentes as impedia de ter acesso ao mercado de trabalho”.

Exemplo disso são Júlia Fontes e Maria das Dores Marques. A primeira reconhece ao ‘Terras do Homem’ que “agora já consigo sorrir. Estou muito feliz porque já me sinto melhor a falar com as pessoas”.

Mais eloquente, Dores Marques, começa por revelar que “antes não conseguia trabalho e sentia-me em baixo. Mas nunca desisti de procurar, mas as pessoas por causa da minha boca, não me davam trabalho”. Com um pequeno sorriso, recorda que “há 10 anos que estava desempregada e depois de arranjar os dentes arranjei trabalho em 15 dias. Depois de ter participado no ‘Dentivida’ foi a felicidade total”.

Por isso, não tem problemas em dizer que “se toda a gente procurar ajuda e queira mesmo trabalhar isto é maravilhoso. A minha uto-estima está uma maravilha, a gente ri sem por a mão na boca, sem vergonha de não ter dentes”.

Ao contrário do ‘Medivida’, no último ano não houve muitos atendimentos porque as pessoas têm medo com a questão da pandemia. O projeto somou o donativo total em trabalho de 7236, 50 euros.

Irisvida
Em 2018, foi desenvolvido um projeto ligado às óticas com uma adesão de 90% e a lógica é a mesma do ‘Dentivida’. “Eles não fazem donativo em dinheiro à IPSS fazem diretamente com a consulta e a doação da armação e lente, em material”.

Isabel Lopes revela, ainda, que “há famílias a beneficiar dos três porque isso também é possível. Pessoas que tenham uma doença crónica também podem precisar de óculos ou ir ao dentista. A mesma equipa é que faz a avaliação de cada caso.

Até março de 2021 beneficiaram do ‘Irisvida’ 23 pessoas num valor global de 5501,36 euros. Estes são projetos que não tem uma data para acabar.

“É um protocolo assinado entre o Município e os parceiros e é renovado anualmente, uma altura em que fazemos um balanço do projeto e oferecemos uma lembrança, como o certificado solidário porque é importante que eles sintam o trabalho reconhecido e que têm impacto para as famílias e para a melhoria da sua qualidade de vida”, finaliza a técnica municipal.

Já Júlia Fernandes deixa “o profundo agradecimento à generosidade das farmácias aderentes, aos dentistas, clínicas dentárias e às óticas, que através dos seus donativos nos permitem ajudar aqueles que mais precisam. Agradecemos também à Casa do Povo da Ribeira do Neiva e ao NLI por todo o trabalho de sinalização e encaminhamento das famílias. As pessoas têm de estar sempre primeiro e todos estes projetos vão ao encontro das suas necessidades, resolvem os seus problemas e contribuem para a sua felicidade e melhor condição de vida”.

Deixe um comentário