Júlia Fernandes pode tornar-se na primeira mulher presidente de câmara do Distrito de Braga após o 25 de abril. Um marco que poderá colocar o concelho na história da política distrital e abrir portas para outras candidaturas noutros locais. “É um bom sinal sobre a evolução social, designadamente ao nível da igualdade e da luta contra a discriminação de género”, refere a propósito de metade dos candidatos às eleições do dia 26 serem mulheres.
Sobre ser uma candidatura de continuidade, Júlia Fernandes, não esconde “orgulho do passado”, mas “focada no que podemos fazer para construir um futuro sempre melhor”. E deixa um apelo para os vilaverdenses votarem: “só os votos contam. Só se ganha com votos na urna. Essa é que é a verdade”.
Que motivações a levaram a assumir esta candidatura?
Antes de mais, saber que posso ajudar as pessoas, ajudar o meu concelho. Confesso satisfação especial por poder ajudar a resolver problemas e ajudar as pessoas. Ninguém duvidará do meu amor e dedicação a Vila Verde.
É minha vontade e determinação, mas entendo que é também meu dever, colocar-me ao serviço do concelho e de todos os vilaverdenses, disponibilizando toda a experiência, os conhecimentos e as competências enriquecidas no meu trajeto profissional e político, como professora, dirigente escolar e autarca.
Faço-o consciente, e também motivada, pela responsabilidade e pela exigência que representam a missão de liderar o Município de Vila Verde.
Este é também um tempo que exige ainda mais de todos nós. Todos sabemos que vivemos hoje tempos de dificuldades e profunda crise, provocadas pela pandemia Covid-19. São tempos novos. Devemos estar disponíveis e prontos para dar o máximo e o melhor de cada um de nós, para recuperarmos os níveis de qualidade de vida em comunidade e, sobretudo, apoiar os que estiverem em maior dificuldade. Não podemos deixar ninguém para trás, e devemos ajudar a que todos possam beneficiar de oportunidades para vencerem e concretizarem as suas expectativas de vida.
Aproveito para agradecer as manifestações de apoio e carinho de todos os vilaverdenses, sabendo das responsabilidades e da confiança que depositam em mim. Sei que contam comigo e eu também conto com todos eles.
Quais são, em traços gerais, as prioridades caso seja eleita?
Os investimentos em infraestruturas de necessidade urgente – como a melhoria de acessos, o saneamento, a melhoria da recolha de lixo e o abastecimento de água – são uma prioridade, até porque são inquestionáveis e imprescindíveis para um futuro de qualidade no concelho.
Simultaneamente, há investimentos estratégicos que estão plasmados no programa eleitoral que proponho para o próximo mandato e que são fundamentais para o desenvolvimento sustentado do concelho. Vamos colocar o concelho de Vila Verde na linha da frente ao nível da qualidade de vida.
A coesão social e o crescimento económico, inovação e emprego são os dois pilares em que está estruturado o programa. Colocamos sempre a tónica nas pessoas. São elas o centro da nossa ação. Para que as pessoas vivam nas suas terras de origem, junto das suas famílias e das suas comunidades, é preciso terem emprego e condições para que ali vivam com qualidade.
Isso exige aposta forte na atratividade do território para criar cada vez mais e melhor emprego, assim como garantir infraestruturas de qualidade, incluindo as comunicações, a fibra ótica e a valorização ambiental.
Sabemos da urgência em resolver estrangulamentos rodoviários. E vamos avançar com investimentos fortes, porque me recuso a ficar de braços parados perante a injustiça – ou até ofensa – do Poder Central e deste Governo socialista, que teimam em não levar avante os compromissos assumidos ao nível das acessibilidades no concelho de Vila Verde.
Vamos reforçar a luta pela Variante à EN 101 e Vila Verde. Temos de avançar com a variante de acesso ao Parque Industrial de Oleiros. Temos de resolver o congestionamento no final da Variante do Cávado e vamos investir no Eixo Periférico Norte-Sul para descongestionar o tráfego desde o Parque de Industrial de Gême até Soutelo.
Estamos determinados e prontos para dar tudo na luta pela defesa do nosso concelho e das nossas populações.

Esta é uma candidatura de continuidade, como muitos criticam, ou haverá diferenças com o ‘passado’?
É um candidatura com orgulho do passado e focada no que podemos fazer para construir um futuro sempre melhor. Nós somos um concelho com uma identidade e uma história muito fortes. As nossas tradições ajudaram Vila Verde a afirmar-se pela positiva, a modernizar-se e a ser mais competitivo neste mundo global.
Temos um programa ambicioso para o futuro e que vamos cumprir. É um plano com visão estratégica para futuro, com medidas inovadoras. Vila Verde será mesmo o primeiro concelho do país a ter um plano diretor agrícola e florestal. Vamos também criar o gabinete para a infância e família, para acompanhamento e apoio a crianças e jovens, a par das famílias.
Vamos lançar o “Brinde Bebé”, que será um contributo simbólico para promover a natalidade, com apoio aos recém-nascidos e oferta de produtos desde vacinas, medicamentos e produtos que precisem nos primeiros meses de vida.
Vamos continuar a valorizar o concelho de Vila Verde e todas as nossas freguesias. Afirmar Vila Verde pela positiva. Vamos aproveitar as nossas potencialidades e mais valias.
Quero um concelho mais desenvolvido, moderno, justo, inclusivo e solidário. Vila Verde é uma terra de valores. A nossa identidade e a nossa história são uma mais valia. Juntos, com a força dos vilaverdenses, vamos conseguir mais oportunidades, gerar mais e melhor investimento, criar riqueza e melhor emprego. Vamos corresponder às expectativas de vida dos nossos jovens e das famílias que aqui vivem. Somos um concelho solidário. Na caminhada da vida, nunca deixaremos ninguém para trás.
Isto é possível porque temos uma estratégia mobilizadora, que conta com o envolvimento de todos e de todas. Conheço bem as vantagens de trabalhar em rede. Dos presidentes de junta às nossas associações, escolas, IPSS e demais instituições. A proximidade e o trabalho em rede são palavras-chave.
É a melhor estratégia para o sucesso das políticas sociais e de promoção da qualidade de vida. Só envolvendo todos, podemos ser mais eficientes e gerir melhor todos estes 228 km2 de território do nosso concelho.
Como vê os seus adversários?
A minha esperança é que a população de todo o concelho de Vila Verde os consiga ver, conhecer e avaliar pelo que se disponibilizam fazer em prol das nossas terras e das nossas populações. Para bem de Vila Verde, faço votos para que haja uma oposição séria, focada nos interesses da população e do concelho. É aos vilaverdenses que cabe avaliar.
Como está a ser a receção da sua candidatura nas freguesias? Foi fácil encontrar pessoas para encabeçar listas?
A adesão tem sido fantástica. Tanto em termos de candidatos nas freguesias, como ao nível do apoio da população em geral, como tem ficado claro nas sessões públicas e ações de campanha que temos feito.
Temos candidaturas próprias em 30 das 33 freguesias. Nas restantes, temos a manifestação expressa de apoio de candidatos independentes, incluindo da parte dos independentes cuja lista não foi formalizada na UF Esqueiros, Nevogilde e Travassós.
Isso mostra bem a força do PSD no concelho. E comprova também a responsabilidade que o PSD assume e que a população reconhece no PSD, no que toca a defender e lutar pelos interesses do nosso concelho e de todas as nossas freguesias, sem exceção.
Das seis candidaturas à Câmara Municipal, metade são encabeçadas por mulheres. Sente que se pode estar perante uma mudança de paradigma na política autárquica? Tem alguma explicação para isso?
É um bom sinal sobre a evolução social, designadamente ao nível da igualdade e da luta contra a discriminação de género. O tempo dirá se se trata apenas de uma feliz coincidência ou uma consequência séria dos novos tempos que vivemos.
Acima de tudo, o concelho de Vila Verde só tem a ganhar quando a escolha se centra nas melhores pessoas para liderar o concelho, independentemente de se tratar de uma mulher ou um homem.
O facto de as pessoas acharem que o PSD já ganhou pode desmobilizar no dia da votação. Que estratégias está a candidatura a desenvolver para ultrapassar esta ideia?
Só os votos contam. Só se ganha com votos na urna. Essa é que é a verdade.
A nossa estratégia é fazer uma campanha séria. Para nós, todas as freguesias contam igual. Todas as pessoas são importantes. Procuramos falar e esclarecer com todas as pessoas. Estamos a ir a todas as freguesias e locais do concelho.
Como em tudo o que fazemos, estamos a dar o máximo.
O PSD assume a responsabilidade de garantir a governabilidade e defesa de todo o concelho, sem discriminações, de forma inclusiva e com a preocupação de nunca deixar ninguém para trás.
É unânime o reconhecimento de que apresentamos as pessoas e os candidatos mais competentes e preparados para melhor defenderem e promoverem as nossas freguesias e o concelho. Mas é preciso ter consciência que é a força dos votos que dá legitimidade para que os melhores possam ajudar ao desenvolvimento das nossas terras e qualidade de vida para todos.
Quais são as expetativas em termos de resultado final?
A minha expectativa é ganhar. Não tenho dúvidas que o PSD apresenta os melhores candidatos e as melhores equipas para trabalhar, tanto nas freguesias, como na Câmara e na Assembleia Municipal.
Temos um programa ambicioso, com olhos no futuro e assente numa estratégia sólida para um desenvolvimento sustentado. Fizemos questão de apresentar o programa numa publicação que disponibilizamos e enviamos para todas as casas e famílias do nosso concelho.
Estamos cá para dar tudo pelo nosso concelho. Confio no voto de todos os vilaverdenses.
Como vê atualmente Vila Verde? Onde pode melhorar?
Vila Verde é um concelho de referência na região e no país. Distingue-se pela qualidade de vida e desenvolvimento. Ainda recentemente, o Município foi distinguido com um prémio internacional pelo trabalho desenvolvido ao nível da ação social.
Mas não podemos, nunca, ficar acomodados ao desenvolvimento que alcançamos. Bem pelo contrário. O desenvolvimento desafia-nos a novas vitórias, amplia as nossas responsabilidades para atingir patamares ainda mais elevados de desenvolvimento e progresso, também ao nível económico, social e humanista.
O nosso foco são as pessoas. Temos de responder às necessidades concretas das pessoas que vivem, não apenas em zonas mais urbanas, mas também em territórios de menor densidade.
Cativar novos investidores, seja para os setores da indústria, comércio e serviços, seja para a agricultura e área florestal, é fundamental para o equilíbrio entre as áreas urbanas e rurais, fixando os nossos jovens e atraindo também novos residentes.
A dinamização económica do concelho passa ainda pela aposta estratégica no turismo rural e de natureza, capitalizando ecovias em construção, dos trilhos, zonas de lazer, miradouros e áreas ribeirinhas do concelho. A par da política de valorização ambiental do concelho, destaco ainda a estação náutica no Faial, na Vila de Prado, que vai integrar a rede nacional de estações náuticas.
Num concelho que tem a maior média de idade ao nível da esperança de vida, o objetivo é criar condições para que as pessoas vivam mais e melhor em Vila Verde.
Ao nível da educação, tendo em conta que o parque escolar afeto ao Município se encontra plenamente requalificado, as atenções vão centrar-se na requalificação de dois edifícios: EB Monsenhor Elísio Araújo e EB 2,3 da Ribeira do Neiva (que deverão passar para a alçada do Município, através da prevista delegação de competências).
Na área da saúde, além das medidas de apoio a pessoas idosas e mais vulneráveis no acesso a medicamentos e assistência, vamos requalificar a extensão de saúde de Cervães – completando assim o plano de intervenções em todas as extensões de saúde do concelho.
