Amares

Amares é dos concelhos com menos área ardida no país

A área ardida no concelho de Amares, nos últimos três anos, é das mais baixas do país. Segundo dados da Pordata, arderam 21 hectares no concelho em 2021, dos quais 18 em mato e 3 hectares em povoamentos florestais. Em comparação, no mesmo período, Vila Verde teve 140 hectares e Terras de Bouro 117.

A verdade é que todos os cuidados são poucos, não vá o cenário mudar. Os responsáveis municipais pela Proteção Civil apontam uma série de fatores para as ignições e o combate estejam mais eficazes. A começar pela equipa de sapadores florestais.

São cinco elementos que desde a entrada do alerta de risco de incêndio decretado pelo Governo, se instalaram no Monte de S. Pedro Fins, em Caires, para ações de deteção de incêndio, de apoio ao combate e de rescaldo.

Entre as 13h00 e as 20h00, estão em estado permanente de atenção e são os primeiros a sinalizar um possível qualquer foco incêndio. Dado o alerta são os primeiros a deslocarem-se para o local, sempre dentro do seu raio de atuação, munidos com uma viatura com capacidade para 500 litros de água e ferramentas e material sapador.

O responsável da proteção civil municipal, Jorge Silva, destaca a importância desta primeira intervenção: “é fundamental para que um incêndio seja rapidamente extinto”. Destaca, também, o papel no rescaldo dos incêndios: “muitos fogos voltam a reacender e o trabalho que eles fazem é decisivo para que não haja esse reacendimento”.

Aliás, os reacendimentos costumam ser mais violentos do que o fogo inicial e daí haver uma particular atenção com este fator. A pedido do Estado, através do ICNF, a equipa de sapadores de Amares pode ser requisitada para ajudar noutros locais, sobretudo, na chamada fase de ataque ampliado (quando já estão vários meios no local).

Mudança de mentalidade
Para além de um trabalho mais articulado, resultado da má experiência que foram os incêndios de Pedrógão Grande em 2017, Jorge Silva vê algumas mudanças no comportamento das pessoas: “com a comunicação obrigatória da queima de sobrantes, por exemplo, com o risco se não o fizerem de serem multados, os proprietários cumprem mais e estão mais conscientes”.

No caso de Amares, a não existência de incêndios relevantes originou outro fator importante: “as pessoas começam a ter rendimento com as florestas porque não tem havido grandes incêndios”. E esta é uma área que segundo Jorge Silva poderia ter um incremento maior. “Se as pessoas conseguirem retirar mais rendimento das florestas, vão, com certeza, estar mais envolvidas, mais atentas e mais responsáveis”.

Fora da época alta
Sob a alçada da Associação Florestal do Cávado, liderada pelo vilaverdense Carlos Cação, os sapadores, fora da época alta, fazem vários serviços desde silvicultura preventiva e limpeza de terrenos passando pela criação de faixa de gestão de combustível e apoio ao fogo controlado ou criação e manutenção de pontos de água.

Têm como ‘clientes’ as câmaras, o ICNF e os sócios (normalmente privados) a quem prestam serviços. “O acordo que temos é gerir 40/50 hectares por ano e vamos fazendo esta gestão de acordo com as necessidades desses nossos parceiros”, refere o técnico da AFC, André Araújo.

A participação em ações de sensibilização tem sido uma das apostas da AFC que “vem dando os seus frutos porque percebe-se que as pessoas estão mais informadas e interessadas em cuidar do que é seu”, acrescenta, ainda o técnico.

No plano anual da Associação ficam definidas as áreas a limpar (propostas pelos parceiros) e os dias reservados para o ICNF e para as câmaras municipais. O restante é para responder aos associados.

Mais uma equipa
O Vereador da Proteção Civil, Delfim Rodrigues, tem acompanhado no terreno o trabalho dos sapadores e elogia “a dedicação, o interesse e o conhecimento que têm do território”. A equipa de Sapadores Florestais presta “um papel fundamental na vigilância e prevenção de incêndios na mancha florestal do Concelho de Amares”.

Reconhecendo que este “é um trabalho que não tem fim, onde há sempre coisas para fazer”, o responsável camarário “não descarta a hipótese de Amares ter uma segunda equipa de sapadores”.

“Temos condições geográficas para mais uma equipa, o concelho tem 60% de floresta, mas há outros fatores como os financeiros que deverão ser tidos em conta. Felizmente, até ao momento, não há registos de qualquer ignição no nosso concelho. Espero que assim continue”.

O vereador elogia, também, o comportamento da população: “os amarenses estão bem informados e têm vindo a respeitar as orientações proclamadas na Situação de Contingência e de Alerta”, refere Delfim Rodrigues.

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