O dia 23 de agosto vai ficar na história de 2022 pelos piores motivos. Nove ignições em simultâneo causaram um dos piores incêndios que o concelho de Vila Verde já viu. Cerca de 210 hectares de área ardida em várias freguesias e um combate que durou cerca de 24 horas. No combate estiveram 186 operacionais, entre sapadores, bombeiros, serviços de proteção civil municipal, GNR e autoridade nacional ajudados por meios aéreos.
Uma semana depois, dia 31, oito ignições em simultâneo provocam mais 100 hectares de área ardida. Neste, estiveram no terreno 132 operacionais.
O vereador do Ambiente e Proteção Civil da câmara de Vila Verde, Patrício Araújo, confirma que ao ‘Terras do Homem’ que “estes dois incêndios em termos de área ardida foram os piores, mas em termos de ignições já tivemos um dia com 26”. Segundo as contas municipais, em 2022 já arderem 600 hectares de terrenos.

Os dois incêndios estão a ser investigados pela Polícia Judiciária, mas Patrício Araújo, pelos sinais no terreno, está convencido que “foram uma ação deliberada. Estou convicto que não tenham sido provocados por causas naturais”.
E deixa um lamento: “não consigo entender o alcance, o intuito de alguém que está apostado ou tentado a fazer uma ação deste tipo. É para assustar as populações? É para destruir património natural? Não consigo entender…”
Segundo informações recolhidas pelo ‘Terras do Homem’, junto de populares, dão indícios de mão criminosa: “o fogo espoletou junto à estrada, sempre contínuo, como seguindo um rasto pré-definido, durante quilómetros e ia sendo ‘renovado’ numa cadência. Ora, se fosse de causa natural, o fogo seria mais ‘rebelde’”.
97% dos incêndios consumiram menos de 10 hectares
Ainda segundo, Patrício Araújo, até aos dois incêndios de agosto, 97% dos incêndios tinham consumido no máximo 10 hectares, “o valor considerado pelas autoridades como de sucesso”. Por isso, deixa rasgados elogios aos agentes de proteção civil: “combateram, com eficácia, a primeira intervenção e prova que quer os bombeiros quer os sapadores estão muito bem preparados e treinados para o combate aos incêndios”.
Patrício Araújo diz que “os vilaverdenses podem ficar descansados porque, se não houver mão criminosa consciente, os nossos bombeiros e as nossas equipas de sapadores fazem um trabalho excelente e merecem o elogio de todos”.
