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Autarcas de Amares e Terras de Bouro criticam gestão dos transportes escolares

Os presidentes das câmaras de Amares e Terras de Bouro manifestaram, ao ‘Terras do Homem’, o seu desagrado pelo atual serviço de transportes escolares dos respetivos concelhos, concessionados, através da CIM-Cávado e por imperativo legal, a uma empresa da região, desde 1 de janeiro.

A falta de horários, transportes com menos capacidade do que necessária, a ausência de vigilantes nos autocarros, um sistema de bilhética que não funciona em pleno e muitas outras críticas.

Os vereadores do PS, na câmara de Amares, também se juntaram ao coro de protestos “pela falta de planeamento, sobretudo, no primeiro ciclo” dando o exemplo de crianças de Goães que vão até Seramil apanhando depois o transporte para o centro Escolar de Bouro. No entanto, a capacidade do transporte é insuficiente e as crianças ficam à espera de novo transporte.

O presidente da câmara de Amares lembra que “a CIM Cávado passou a ser a gestora dos transportes por imposição do Governo” e reconhece que “há situações que não estão a correr bem e as quais já denunciamos”. O autarca lembra que “por muito que queiramos ajudar no problema, não podemos duplicar despesa nesta matéria nem nos sobreponho-nos nos locais onde há transporte sob o risco de pagarmos multas”.

Para o vereador do PS, Pedro Costa, “a centralização dos transportes, que sempre critiquei, é um passo onde as pessoas ficam mal servidas porque a CIM-Cávado não tem conhecimento no terreno, em detalhe, das situações como têm as autarquias”.

Terras de Bouro
Também em Terras de Bouro, o presidente da câmara manifestou o seu desagrado pela gestão que está a ser feita, nomeadamente pela ausência de horários, situação que se estende a Amares.

Como os transportes passam a ser regulares, isto é, não são exclusivamente para alunos, podendo qualquer outra pessoa usufruir deles, a autarquia pediu que, sobretudo, no transporte dos mais pequenos, houvesse uma vigilante. “Inicialmente os responsáveis da empresa disseram que sim, depois e porque não está previsto no caderno de encargos, disseram que só iriam ter num deles”.

A situação está a preocupar a autarquia que tenta arranjar uma solução para o problema. “Não estão a cumprir a palavra que deram à câmara e aos pais”, denuncia a vereadora da Educação, Ana Genoveva acrescentando: “para cúmulo, estão a dizer às pessoas que os contactam para resolverem com a câmara. Mas nós não temos nada a ver com os transportes desde o dia 1 de janeiro”, esclarece.

Em Terras de Bouro, houve passagens de autocarro que foram suprimidas sem nenhuma explicação: “passaram uma semana e na seguinte deixaram de passar, sem justificação, e causando transtornos aos pais. Mais uma vez, chutam um problema que é deles para a câmara”.

Vila Verde
Contactada pelo ‘Terras do Homem’, sobre a existência ou não com os transportes escolares em Vila Verde, a presidente da autarquia disse “estar tudo a correr com normalidade. Para já, não temos a apontar, em Vila Verde está tudo a correr bem”.

CIM-Cávado pressiona a empresa
Num documento enviado a 4 de janeiro para a empresa de transportes, Tiago Ferreira, da Autoridade Intermunicipal de Transportes do Cávado que gere na CIM-Cávado esta matéria, apontava “diversas comunicações/reclamações sobre o cumprimento defeituoso das obrigações contratuais” e destacava: “falta de cumprimento das funções gerais de bilhética; cumprimento defeituoso da emissão, venda e validação dos títulos de transporte; início da circulação com atraso de 10 a 40 minutos em face da correspondente hora de partida planeada no Plano de Operação e falta de disponibilização dos ficheiros de horários e percursos elaborados”.

Tiago Ferreira apontava ainda que estes efeitos sentiam-se “com mais acuidade nas linhas Braga-Barcelos, em particular com destino ao IPCA, na operação de Terras de Bouro e na emissão de passes na Central de Camionagem em Braga.

Em resposta dois dias depois, a empresa disse que os horários estariam estabilizados esta semana, reconheceu que “o sistema de bilhética não está totalmente operacional ficando o problema resolvido até final do mês de janeiro.

Foram reportados atrasos, pontuais, no início de alguns trajetos e “de acordo com as informações dos operadores, são relativos à entrada em vigor deste novo serviço ou à necessidade de informar os passageiros sobre as novas exigências.

A empresa operador diz que “o transporte escolar está a ser cumprido na sua globalidad, mas foram registados problemas pontuais com a articulação com as novas vigilâncias para os alunos do pré-escolar e primeiro ciclo.

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