Vila Verde

CATL da Casa do Povo de Vila Verde parceiro “fundamental” na educação do concelho

Pouco passa das 07h30 quando Simão irrompe pelo portão do Centro Escolar de Vila Verde. Pouco depois entram o Duarte e o Pedro. À medida que vão chegando, em média, os 120 alunos que frequentam o Centro de Atividades de Tempos Livres da Casa do Povo de Vila Verde são acolhidos pela Carla, pela Vera, pela Maria João, pelo Sérgio, pela Kika e pela Luzia. O grande boom de chegada é às 8h15 e até às 9h10 fazem brincadeiras e jogos, “nada de muito profundo porque a seguir vão para as aulas”, reconhece a coordenadora da Casa do Povo, Luzia Pinheiro.

Por grupos, são depois encaminhados para as respetivas salas de aula acompanhados pelos diferentes monitores. O primeiro turno diário de receção aos alunos fica concluído. É altura de higienizar o espaço e preparar as muitas atividades do turno da tarde: “há sempre materiais a fazer e sala para preparar”, assume Luzia Pinheiro, no dia da vista do ‘Terras do Homem’ ao CATL. Irão regressar às 17h10.

Já sem o barulho dos mais pequenos, Luzia Pinheiro explica que o CATL assume os serviços da Componente de Apoio à Família (CAF) que deveriam ser prestados pela escola em horários incompatíveis com os horários letivos. “No fundo, o nosso papel é ficar com os filhos para que os pais possam ir trabalhar e possam cumprir o seu horário de trabalho”.

Nesta altura, cerca de 40% dos quase 400 alunos do Centro Escolar de Vila Verde usufruem dos serviços prestados pela Casa do Povo. “Nós não invadimos a componente letiva, onde está inserida a hora de almoço, trabalhamos naquilo que se convencionar horários de pontas”.

Tarde
17h10. Começa-se a sentir um burburinho que começa a crescer até acabar em algazarra mal chegam ao recreio. Energia reequilibrada, cerca de 140 crianças (são mais à tarde do que de manhã) vão entrando no espaço do CATL: “até às 19h30 temos uma variedade de atividades”. Uma vez por semana, há ginástica acrobática, teatro infantil, dança ou percussão. Todos os dias para além do apoio ao estudo e às tarefas escolas, os mais pequenos têm acesso a ateliers de artes plásticas, pintura, reciclagem.

“Da parte da tarde, tivemos que contratar mais funcionários para o desenvolvimento das atividades: são mais oito contando com a funcionária de limpeza, o porteiro e as auxiliares”. A coordenadora desfaz-se em elogios aos seus colegas de trabalho: “são inexcedíveis. Sem eles, o trabalho que desenvolvemos não seria possível, são de uma dedicação extrema, disponíveis para ajudar, para ter ideias e para as concretizar”.

Os pais vão chegando. Mochilas às costas, Simão, Duarte e Pedro não perdem tempo para contar como foram as atividades. No dia seguinte estarão de regresso para outras atividades e para aprenderam coisas novas.
O CATL está também disponível durante as pausas letivas. Em parceria com o Agrupamento de Escolas de Vila Verde e com a Junta de Freguesia de Vila Verde e Barbudo que, por norma comparticipam nas atividades desenvolvidas na escola, há sessões de cinema, visitas de estudo, idas à praia, desportos radicais.

“Temos várias parcerias informais que nos permitem, nas pausas letivas, proporcionar outro tipo de atividades”. Nas férias de Verão, o CATL assume as despesas de almoços e de um lanche diários.

Mais de mil crianças já usufruíram das atividades do CATL
A Casa do Povo de Vila Verde é uma IPSS com acordo de cooperação com a Segurança Social para Centro de Atividades de Tempos Livres (CATL) de ponta com capacidade para 142 clientes. A frequência no CATL obriga a uma inscrição e ao pagamento de uma mensalidade que respeita os rendimentos familiares, calculada através de uma fórmula da própria Segurança Social e que é disponibilizada pela Casa do Povo seja através do regulamento interno seja na afixação no local.

“Não excluímos ninguém, nem casos de baixos rendimentos, sejam de forma mais permanente seja de forma mais temporária. Nestes casos, a Casa do Povo isenta os encarregados de educação do pagamento da mensalidade, assumindo ela esse valor, até a família ter condições para começar a fazer esse pagamento”, revela Luzia Pinheiro.

O CATL está no Centro Escolar de Vila Verde desde a sua abertura, em 2008, e já usufruíram das suas atividades mais de mil crianças. “Todos os trabalhos e atividades são realizadas e elaboradas com o contributo do coordenador do Centro Escolar, o professor Joaquim Cerqueira, que faz a gesto entre o CATL e o corpo docente e não docente”.

Luzia Pinheiro diz “termos uma excelente relação profissional com o professor Cerqueira e com a direção do Agrupamento de Escolas, estamos em sintonia, trabalhamos em conjunto com o mesmo objetivo e julgo que esta parceria tem frutos muito visíveis”. E dá alguns exemplos: as marchas, o desfile de guarda chuvas no ‘Namorar Portugal’, o Carnaval e decorações do espaço exterior do Centro Escolar.

“Na Primavera vamos decorar os jardins da escola com trabalhos feitos pelos alunos nos diferentes ateliers de arte e de reciclagem”, acrescenta ainda.

Marchas
Um dos trabalhos mais reconhecidos e emblemáticos desenvolvidos pelo CATL da Casa do Povo de Vila Verde são as marchas de Santo António, que a Casa do Povo organiza em conjunto com a Junta de Freguesia e que ocupam o 3º período todo. “Já em março, começamos por organizar e preparar a logística, contatamos os pais e dirigimos os convites a outras instituições e escolas do concelho para participarem no desfile”.

Luzia Pinheiro reconhece que “muito deste trabalho não seria possível sem o apoio da Câmara Municipal, com quem articulamos as atividades, e nomeadamente da sua Presidente, já desde a altura, em que tinha o pelouro da Educação. Tem sido de uma proximidade e de reconhecimento do trabalho que desenvolvemos”.

Segundo a coordenadora, “ uma das nossas melhores medalhas é o reconhecimento de toda a comunidade educativa, sobretudo dos pais, que não deixam de elogiar o trabalho que fazemos”. Para o final, Luzia Pinheiro deixa uma palavra de louvor para “o mais importante de tudo isto: a direção da Casa do Povo porque sem a dedicação e o trabalho de todos eles não conseguíamos realizar muitas destas atividades. Estão para agregar e não para separar”.

“Escola seria infinitamente mais pobre” sem o trabalho do CATL de Vila Verde

O diretor do Agrupamento de Escolas de Vila Verde, Alberto Rodrigues, em entrevista ao ‘Terras do Homem’, não poupa elogios ao trabalho desenvolvido pelo CATL da Casa do Povo de Vila Verde. “A escola seria infinitamente mais pobre” sem este trabalho, “garante de estabilidade dos meninos e das famílias”.

“É uma ligação com muitos anos que traz mais qualidade ao agrupamento”, acrescenta, ainda, o diretor que reconhece que o Agrupamento não teria capacidade de o realizar: “é um serviço protocolado e terá que ser sempre e a Casa do Povo com a sua experiência presta o melhor serviço, sobretudo, ao nível do apoio ao estudo, na preparação das aulas e na componente lúdica e didática, nomeadamente, nas artes, na música ou no inglês”.

Estas atividades pré e pós letivas, no resto das escolas do Agrupamento são prestadas por IPSS ou Juntas de Freguesias, como Turiz, Lanhas, Sande, Vila Verde ou Esqueiros ou a ACRM de Aboim da Nóbrega ou o Centro Social de Covas. “Este apoio é fundamental para dar apoio às famílias do nosso Agrupamento”.

Alberto Rodrigues lembra que as atividades concelhias, como as marchas ou a feira quinhentista são preparadas por estas IPSS, que têm técnicos com formação: “têm que ser desenvolvidas em horárias pós-letivo, por quem perceba e com dinâmicas próprias que a escola não tem capacidade para responder”.

E dá um exemplo: as machas antoninas tiveram, pela primeira vez, uma canção própria e mesmo “a conceção dos fatos de cada criança envolve uma logística muito grande, muito difícil de organizar em contexto escolar”.

O trabalho da CATL da Casa do Povo tem, para Alberto Rodrigues, outra vantagem: “é óbvio que se o bem-estar emocional e psíquico da criança estiver bem, isso reflete-se no contexto de aprendizagem, torna-se mais fácil porque há uma linha direta entre o sucesso académico e o bem-estar do aluno”.

Estas atividades podem, ainda, ”atuar na prevenção de comportamentos negativos, dão um contributo educativo já que trabalham diferentes aspetos, nomeadamente, na relação uns com os outros, saber ouvir, muitas das vezes percebendo algumas das suas dificuldades”.

O próprio Agrupamento vai tendo projetos dirigidos para esta componente como a mediação, uma técnica de teatro ou psicólogos, mas “esse é um contributo muito importante porque seria difícil para nós fazer o trabalho que estão a fazer”.

Alberto Rodrigues termina dizendo que “a Casa do Povo de Vila Verde é uma instituição respeitável e séria, merecedora dos vilaverdenses e dos líderes políticos todo o apoio para o trabalho que estão e continuarão a realizar”.

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