Vila Verde

“O meu próximo sonho é ter um espaço físico próprio”

No coração de Vila Verde surge uma deliciosa e mágica experiência gastronómica: Bolos e Brigadeiros Brasil | Brigaderia Gourmet. Fundada no final de 2022 pela confeiteira Jaimar Carvalho de Oliveira, descendente de portugueses, a brigaderia é um verdadeiro refúgio onde os sabores genuinamente brasileiros se encontram com a sofisticação e a riqueza da culinária portuguesa.

Apaixonada pela arte da confeitaria desde jovem, Jaimar Carvalho de Oliveira sempre nutriu um carinho especial por Portugal, o país dos seus antepassados. Em 2019, ela decidiu estabelecer-se em Vila Verde, onde rapidamente foi abraçada pela comunidade local.

Com mais de duas décadas de experiência na criação de doces irresistíveis, Jaimar trilhou um caminho notável na gastronomia, destacando-se por despertar emoções através dos sabores que preparava.

Em menos de seis meses, a brigaderia já é uma referência, encantando portugueses e brasileiros com as suas criações, e alcançado uma faturação de perto de 50 mil euros em seis meses de funcionamento.

Com uma equipe talentosa de portugueses trabalhando lado a lado com ela, os bolos e brigadeiros ganham uma fusão única, capaz de transportar os clientes para uma jornada de prazer e nostalgia.

Jaimar é uma prova viva de como Portugal, especialmente Vila Verde, oferece uma oportunidade para o crescimento do empreendedorismo na área gastronômica.

Porque veio para Portugal?
Eu vim para Portugal por diversas questões, uma delas a segurança porque, infelizmente, em São Paulo, sofri um assalto muito ruim, de madrugada, com reféns e tudo. No final resultou só no roubo de coisas materiais, mas foi muito traumatizante. Por outro lado, em tenho raízes em Portugal e cresci sempre com a vontade de conhecer a minha história lá atrás. Vim com a minha família à procura dessa segurança e dessas raízes e no começo, foi difícil.
Eu acho Vila Verde um paraíso, um sítio muito acolhedor. No início, os vizinhos ficam muito curiosos para saber quem somos, de onde vimos e de repente toda a gente de acolhe e te abraça. Eu comecei a trabalhar no ‘Chafariz’, no centro de Vila Verde, durante três anos, na cozinha. Eu vinha do Brasil com uma história de trabalhar em restaurantes, mas o meu sonho em trabalhar na confeitaria estava ali guardado numa caixinha, para um momento próprio.
Queria conhecer a vossa cultura, a vossa culinária. Estar num sítio como São Paulo que tem a culinária do mundo inteiro, não é a mesma coisa. Você chega aqui no Norte e fica maravilhado. O brasileiro conhece mais Lisboa e um pouco do Porto, mas eu digo que as pessoas têm que vir aqui para cima, porque é especial, como vocês dizem é qualquer coisa.

Vila Verde surgiu como?
Teve uma propaganda muito grande no Brasil sobre Braga, há cinco anos trás. Eu tenho um filho, que na época queria fazer faculdade, e vi que a UMinho era muito famosa, pesquisei e fui juntando as coisas para vir para Braga. Quando aluguei a casa aqui na Lage, ainda foi no Brasil e as coisas não estavam tão difíceis. Conhecemos o dono da casa, o sr. João, e eu perguntei se era perto de Braga e ele disse que sim. Então na minha cabeça a casa estava bem no centro de Braga. Quando cheguei, inicialmente foi estranho, mas agora digo que foi uma bênção. Apaixonei-me por Vila Verde e pelo que está ao redor, como o Gerês ou Terras de Bouro.
Aqui é um pedacinho do paraíso. Tenho, ainda, os meus pais no Brasil e estou a tentar que eles venham para cá, mas mudança para quem tem mais idade é mais complicada.

Mas os seus familiares são desta região?
Tenho uns que são da zona de Leiria e tenho outros, que eu vou acabar por encontrar, que são do Alto Minho. Quanto mais eu pesquiso, mas eu chego a essa conclusão.

Houve um choque quando chegou a Vila Verde?
Nós lá tínhamos uma quinta e convivíamos com esse lado da natureza. Quando pesquisamos Braga vimos que tinha esse lado muito forte e Lisboa estava fora de hipótese porque queria fugir da loucura de São Paulo. Quando cheguei tive que perceber onde estava Lage com Vila Verde e com Braga porque para nós são outros nomes, é estado, cidade e bairro, para vocês, é distrito, concelho e freguesia.
Fomos conhecendo as pessoas e a interagir com a freguesia. Fazemos pilates e conhecemos todo o mundo e você acaba por se integrar na comunidade. Eu não vou sair da Lage porque adoro estar aqui nem de Vila Verde que amo de paixão.

Quatro anos depois não há arrependimento por ter saído de São Paulo?
Não, não. Só tem a agradecer.

Mas vê-se a voltar para o Brasil, a São Paulo?
Volto para ver os meus pais, em turismo, e tentando puxar para eles virem para cá. Eles ainda, não vieram cá, por causa da idade, a minha mãe teve um problema de saúde e ficou mais complicado. Ainda não consegui, mas tenho essa esperança.

Nunca sentiram problemas xenófobos?
Há sempre pessoas boas e más em todas as culturas, e já aconteceu uma coisa ou outra, nada de ficar maçada. Eu trabalhei num restaurante e há clientes que te abraçam e outros, no começo, põe o rótulo de ‘brasileira’, mas quanto te conhecem acostumam-se. Vocês portugueses têm um encanto especial contrário ao nosso. O brasileiro quando conhece faz logo amizade, mas o português não faz amizade quando te encontra, sobretudo se não for muito com a sua cara. Mas depois quando te conhece, ele torna-se amigo leal e isso é muito interessante. Eu vejo aqui pela vizinhança. Quando é época de colheita trazem maçãs, laranjas, vinho, alface com tupperwares cheios, a relação não fica superficial e eu admiro isso.

Os três anos que esteve a trabalhar em Vila Verde serviram para quê, no sentido, de transpor isso para o que faz agora?
Eu queria conhecer a gastronomia de vocês que é muito diferente da de Lisboa. A minha intenção era abrir esta questão da confeitaria, mas não queria que fosse só brasileira, queira fazer uma fusão, para isso, eu tinha que entender a vossa essência, é preciso conviver em vários aspetos. Foi isso que aconteceu no Chafariz que também tem a parte da confeitaria e desafiada pela dona Isabel foi fazendo alguns doces.
Eu pensei que no começo ia ter só clientes brasileiros, mas não, o meu primeiro pedido foi de uma portuguesa. Eu sei o que os portugueses buscam e o que os brasileiros buscam e tem os seus ‘quês’ diferentes. Eu não conseguiria fazer isso sem ter mergulhado na pastelaria portuguesa.

Então que projeto é este?
O sonho de fazer bolos e brigadeiros estava fechado na gavetinha. Como estava cá em Portugal, criei o nome ‘Bolos e Brigadeiros Brasil’, mas deixando claro que queria essa fusão. Comecei com bolos caseiros de cenoura, laranja, que saem muito, e o brigadeiro também. Fui introduzindo novas experiências, como por exemplo a ‘surpresa de uva’, fruto como o qual vocês têm uma relação muito forte.

O cardápio que apresenta consta de quê?
Tem uma coisa da cultura brasileira que os portugueses gostam bastante que é o bolo vulcão, por exemplo, bolo de cenoura e o ‘vulcão’ é de brigadeiro , mas tem mais possibilidades. Tem bolos tradicionais, aquele para tomar café ou com chá, que tanto portugueses como brasileiros adoram, como por exemplo o de fubá cremoso.
Uma das minhas maiores alegrias é as pessoas comentarem que os meus doces remetem para a infância, para aquilo que as avós e as mães faziam.

Como se podem adquirir os bolos e doces da Jaimar?
Através das redes sociais, do telefone, funciona muito pelo passa a palavra. Ainda não tenho um espaço físico, esse é o próximo sonho e será em Vila Verde. E morar numa freguesia como a Lage, quando as pessoas te abraçam, abraçam mesmo, e pedem-te para fazer bolos. Eu não vou, como se diz, meter o meu pé na pastelaria mais tradicional porque já existe uma tradição e um processo. Eu pretendo fazer uma fusão, uma inovação entre Portugal e o Brasil. Os portugueses, cada vez mais, estão a abrir-se a novos sabores, não é por eu ter crescido com o brigadeiro que não vou amar uma nata. Eu tenho que permitir e o meu objetivo é as pessoas se permitirem experimentar novos sabores.

Então experimenta muito até chegar ao pedido do cliente?
Dependendo do bolo, não posso dizer que vou entregar amanhã. Se quero uma coisa especifica, personalizado, isso requer dias. Eu apresento uma variedade de recheios e se as pessoas gostarem desses sabores, aí sim, posso apresentar o bolo amanhã. Mas se quiserem algo diferente, eu peço uma semana e até hoje deu tudo certo.
As pessoas vêm buscar ou podemos fazer entregas, para Braga temos determinados dias, para Vila Verde é mais fácil. Fazemos festas de aniversário, batizados, o chá de revelação.

E o preço?
Os bolos mais baratos são 12 euros, um bolo de aniversário para 50 pessoas ronda os 150 euros, mas há bolos de aniversário a rondar os 40 euros, o bolo vulcão ronda os 25 euros. Temos brigadeiros gourmet, isto é, para além de terem um tamanho maior é confecionado com produtos nobres, só trabalhamos com chocolate, creme de leite, leite condensado de marcas boas porque o sabor é diferente. Por isso, um brigadeiro de festa eu cobro 55 cêntimos, já os gourmet podem ir aos 2 euros.

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