A Câmara de Vila Verde apresentou, hoje, um projeto pioneiro na área dos bioresíduos. O vereador do ambiente do Município, Patrício Araújo explicou que o projeto irá abranger cerca de 800 habitações na freguesia de Vila Verde e Barbudo e grandes produtores de resíduos, como restaurantes, escolas e IPSS. A câmara oferece os sacos de cor verde aos aderentes. Pelas casas das pessoas vai passar uma equipa a explicar o projeto, mas haverá também a oportunidade de aderir à recolha de bioresíduos através de uma plataforma on line no site do Município.
Os bioresíduos são resíduos alimentares resultado da preparação das refeições assim como os restos de comida fora de prazo, bem como legumes, frutas, guardanapos de papel, sacos de chá, borras de café, tudo o que seja possível ser transformado. As pessoas em casa e também grandes produtores como restaurantes, IPSS, cantinas das escolas, quintas de evento e própria Misericórdia através do fornecimento gratuito por parte do Municipio de uns sacos de cor verde irão depositar estes resíduos nesse saco.
“As vantagens passam pela redução da deposição de resíduos em aterro, a produção de um fertilizante 100% natural e a terceira vantagem é a produção energética a partir do biogás que resulta dessa decomposição e finalmente a potenciação da economia circular. Ora se houver menos deposição em aterro de resíduos, as pessoas também pagarão menos taxas”, alerta o Vereador.
O fertilizante irá ser produzido na Braval que fará o tratamento dos bioresíduos recolhidos pelo Município, que não pagarão a taxa correspondente, “estão isentos do seu pagamento”. O fertilizante natural será usado pelos aderentes e pelo próprio Município seja para jardins ou produção agrícola.
Este projeto resulta de uma candidatura ao Fundo Ambiental, “a ideia é começar com 800 residências e grandes produtores e ir disseminando o projeto pelo resto do concelho, a começar pelas áreas urbanas e numa fase posterior para as áreas rurais”. Esta disseminação faz-se com o dinheiro que seria arrecado com o pagamento das taxas que, agora, ficam isentas e que o Município irá assumir.

Os sacos têm uma cor verde própria, serão fornecidos pelo Município, ou seja, as pessoas põem no mesmo contentor onde põem o resto do lixo que não é passível de ser reciclado, e depois a Braval, através de um sistema ótico, faz a separação. A câmara entrega diretamente ou as pessoas irão à junta de freguesia buscar os sacos, em quantidade suficiente para dois meses. Estima-se que cada saco dure dois dias, isto é, dia sim dia não depositam o saco com os restos no contentor, “para dois meses forneceremos 30 sacos”.
“Temos um apoio do Fundo Ambiental para iniciar o projeto, e se conseguiremos os objetivos e acho que iremos conseguir por são fáceis de atingir, eles irão continuar a financiar a aquisição de sacos e contentores”, finaliza Patrício Araújo.
Júlia Fernandes
A presidente da câmara de Vila Verde apelidou este projeto como “uma nova visão e uma nova ambição para o ambiente” do concelho que junta os Municípios de Amares, Vila Verde, Terras de Bouro e a Agere no combate ao desperdício. A autarca sublinhou “a necessidade urgente de reduzir o consumo: aquilo que estávamos a pensar gastar num ano, em agosto já está gasto”.

Por isso, “é preciso trazer uma nova consciência ambiental em que todos digamos basta, mas para isso é preciso que cada um possa dar o seu contributo”. A autarca aproveitou para revelar que está a ser pensada a instalação de pequenos espaços para a colocação dos chamados sobrantes e o aproveitamento das antigas ETAR’s de Vila Verde, da Vila de Prado e de Pico de Regalados para fazer a compostagem comunitária
