Sozinhos na escola…em casa

O início do título desta crónica “roubei-o” a um livro de José Pacheco composto por histórias de reflexão pedagógica. O nome, que não as histórias, está adequado ao que as nossas crianças e jovens passam hoje em dia, pelo que acrescentei o…em casa.

A interrupção letiva pascal é só daqui a 15 dias pelo que ninguém está de férias, como o nosso ministro da educação fez questão de reforçar e os nossos alunos (da ESVV) já perceberam atendendo aos documentos/fichas/vídeos que lhes são enviados pelos professores das diferentes disciplinas. Esta foi a forma encontrada para colmatar estes próximos e conturbados tempos em que serão obrigados a saber viver 24 por dia com horários próprios, elaborados por eles ou pelos pais.

Sendo Diretor de Turma de um 10º ano, entendi, logo na sexta feira, quando do último dia de aulas presenciais, enviar-lhes um pequeno texto que transcrevo de seguida:

Os próximos 15 dias podem e devem ser vistos como os mais importantes das vossas vidas. A maioria de vocês ficará entregue a si próprio porque os pais trabalham. Ou seja, ides ter uma responsabilidade individual que, habitualmente, SÓ surgiria daqui a 3 anos, quando da entrada na universidade. Aguardo de todos uma atitude responsável. O estudo pode e deve continuar diariamente. As redes sociais podem e devem ser utilizadas para trabalho conjunto. Aquilo que vos é pedido é que CRESÇAM um pouco mais cedo. Caso algum familiar (ou o próprio) tenha algum problema relacionado com o COVID19 devem, o mais rápido possível, dar conhecimento à escola (ou ao DT).

Depois de mais algumas indicações referentes ao vírus e aos comportamentos a ter, no sentido de os ajudar a tomar algumas decisões e a melhor perceber o que REALMENTE enfrentamos, alertei-os também para a importância da manutenção do exercício físico: no que respeita à Educação Física, espero que não acampem diariamente, na cama ou no sofá e cumpram com o programa que vos irei enviar. Sugiro também que não passem as noites agarrados à NETFLIX…mantenham os hábitos de adormecer e acordar a horas decentes para que quando do regresso às aulas tudo seja NORMAL. Bom retiro, e vemo-nos em abril. (estou a ser otimista, como é meu hábito).

Também eu tenho de adquirir novos hábitos para ocupar as 24 horas e um deles é a viciante leitura. Uma das que escolhi para estes tempos, atendendo ao clima de guerra e à proveniência do vírus, tem sido “A Arte da Guerra” de Sun Tzu, obra escrita há mais de 2500 anos sobre teoria militar e estratégia da humanidade. Nesta obra são-nos apresentados princípios de entre os quais sobressaem a contenção do uso da força e recurso a estratégia progressiva e indireta na abordagem dos conflitos. Uma delas “a melhor maneira de atingir o objetivo é permanecer na defensiva, evitando o combate” parece dirigida a todos os que somos aconselhados a ficar em casa. Segundo Sun Tzu, o objetivo final é sempre a vitória, mas o auge da excelência é vencer sem combater. Entendo que é a estratégia adequada ao momento vivido, pelo que também eu proponho, cuidem-se e resguardem-se.

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