Bombeiros estagiários no combate a incêndios mas sem seguro

Este ano, os bombeiros estagiários vão poder integrar o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) sem terem acabado o curso.

De acordo com o Jornal de Notícias, cerca de dois mil bombeiros de 3.ª (a categoria mais baixa) vão poder, este ano, integrar o Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) sem terminar a formação, que dura 12 meses, e sem o exame final.

O diário adianta que o despacho da Proteção Civil surge depois de uma proposta da Liga dos Bombeiros (LBP), que Jaime Marta Soares considera “consciente e segura”. O objetivo é reforçar o dispositivo contra fogos que aumenta de nível a 15 de maio.

Segundo o presidente da LBP, o facto de não haver uma previsão de data para a conclusão do curso poderia levar a “desistências”. “Se a questão é terem o canudo, asseguro que não teriam melhores. É uma questão de emergência. Eles irão acabar a formação.”

No entanto, o setor alerta para a falta de preparação dos cerca de dois mil bombeiros estagiários no terreno e para o facto de não estarem abrangidos por seguros obrigatórios, mas apenas por apólices para formandos.

“Os seguros dos bombeiros são feitos pelas câmaras [municipais]. A ANEPC vai dar seguro a estas centenas de jovens já ou só depois de um perder a vida?”, questionou o líder da Associação Portuguesa de Bombeiros Voluntários (APBV), João Marques.

O mesmo responsável disse ainda que, no despacho da Proteção Civil, não há especificações sobre quantos estagiários integrarão cada equipa, se haverá um reforço na formação sobre fogos e como serão atribuídos os tutores a cada um deles.

Normalmente, além dos 12 meses de formação, cada bombeiro estagiário tem ainda de estar mais 6 meses em ambiente de trabalho acompanhado.

Otávio Machado, dos Bombeiros Voluntários de Palmela, teme que os estagiários sejam “carne para canhão” e lembra que a ANEPC criou um problema, porque sem seguro não é claro quem assume a responsabilidade, caso aconteça algum problema.

ZAP //

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