11% dos infetados com covid-19 dão negativo nos testes de diagnóstico

A Associação de Escolas Públicas do Espaço Europeu (ASPHER) concluiu que os testes de diagnóstico da covid-19 têm, em média, 89% de sensibilidade.

De acordo com uma meta-análise da Associação de Escolas Públicas do Espaço Europeu (ASPHER), que reuniu informação científica publicada até agora por universidades e laboratórios, onze em cada 100 infetados com o novo coronavírus testam negativo nos testes de diagnóstico.

Segundo a mesma análise, os testes PCR, que atestam a presença do vírus na nasofaringe e na orofaringe, têm uma sensibilidade que poderá ir dos 81% aos 94%, de acordo com as várias marcas, com uma média de 89%, assinala o Expresso.

A publicação nota que a interpretação dos resultados dos testes “deve ser cuidada e cautelosa”. Henrique Barros, diretor do Conselho Nacional de Saúde e da Escola de Saúde Pública da Universidade do Porto, sublinha que, “embora não haja testes perfeitos, idealmente esta percentagem deve ser mais próxima de 100% para poder ser aplicada e qualquer população”, como acontece “para a maioria das doenças infecciosas que temos”.

Em relação aos testes serológicos, que procuram anticorpos para o novo coronavírus, Henrique Barros garante que, por serem mais recentes, a prestação é ainda inferior.

O especialista explicou ainda que os dois tipos de testes não podem ser vistos como complementares para um melhor apuramento dos resultados. “Se eu fizer um PCR e ele for negativo, isso não me diz nada sobre a qualidade do teste serológico, porque o primeiro está a procurar o vírus, enquanto que o segundo procura um marcador de contacto com esse vírus”.

“Não podemos confiar só nos testes para tomar decisões. É por isso que um médico trata como doente alguém que lhe chega com sintomas”, adiantou Henrique Barros, defendendo o uso regrado dos exames existentes.

Usar os testes serológicos para, por exemplo, voltar a trabalhar no local de trabalho “não tem pés nem cabeça”: usar este tipo de testes como uma espécie de carimbo é “completamente irracional”.

ZAP //

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