“Cimentar o FC Amares na Pró Nacional passa por jogar para os quatro primeiros lugares”

Hugo Ramos viu o trabalho que estava a desenvolver à frente do destino técnico da equipa sénior do FC Amares ser interrompido quando a pandemia rebentou. Apesar de ter perdido o primeiro lugar, as aspirações de subida estavam intactas e a possibilidade de um brilharete na taça era uma realidade. O coronavírus veio pôr tudo de pernas para o ar.

Campeonatos anulados, protestos dos clubes e decisões adiadas. Até que, como que por magia, é criada a terceira liga, em vigor na próxima época, que trouxe novas esperanças a muitos clubes. E o FC Amares cumpriu o objetivo: subiu de divisão. Na próxima época estará na Pró-Nacional, mas as ambições não se ficam por aí.

Hugo Ramos ao ‘Terras do Homem’ começa por lembrar que “o nosso objetivo era subir de divisão” numa época onde em 22 jornadas estiveram 20 em primeiro lugar. “Não subir era uma catástrofe”.

Para além de todas as questões financeiras inerentes à anulação do campeonato, o técnico sempre considerou que “o importante era haver subidas e descidas. Foi um bocadinho exagerado subiram quatro equipas e fazerem uma Pró-Nacional com 24 clubes. Para mim, 20 seriam suficientes”.

Hugo Ramos não têm dúvidas que acabar o campeonato “foi a melhor decisão” porque com a época a ter que terminar a 03 de agosto, com as jornadas que faltavam e ainda mais os jogos da taça, “seria impossível acabar naquela data”.

Objetivos

“Cimentar o FC Amares na Pró-Nacional passa por jogar para os quatro primeiros lugares”. É este o objetivo que o técnico traça para a época que se avizinha. “Mesmo que lutemos para não descer de divisão, porque este é um campeonato muito competitivo e a diferença do quarto para o 12º são poucos pontos, não pode haver dúvidas que o lugar do FC Amares é na Pró-Nacional.

Esta é uma ideia muito vincada por Hugo Ramos: “jogando o play-off de descida ou de subida não podemos deixar dúvidas onde é o nosso lugar”. Para isso, irá ser construído um plantel “bastante competitivo para lutar pelos quatro primeiros lugares. O FC Amares vai demonstrar competências em todas as áreas mesmo que tenhamos um caminho a percorrer”.

“Vamo-nos preparar com frieza, com racionalidade, mas nunca deixando de ter ambição de quer sempre mais e melhor”.

Nova época

Arrumado o passado, o treinador já olha para a próxima época que “será extremamente competitiva, onde irá ter um play-off de subida e um de descida”. Por isso o plantel, onde 50% dos jogadores já renovaram, está a ser construído com um objetivo em mente: subir, em dois anos, o FC Amares ao Campeonato de Portugal.

Ora, para que isto seja possível é necessário um crescimento ao nível da equipa e do próprio clube.

“O nosso objetivo é fazer uma preparação para atingir outro patamar”. Uma vez que o campeonato só deverá começar em finais de setembro, o arranque dos trabalhos ainda não está definido, mas Hugo Ramos tem uma certeza: “quando começar o campeonato estaremos extremamente bem preparados”.

“É um campeonato mais exigente do que a Divisão de Honra, mas para atingirmos o nosso objetivo a nossa exigência terá que ser muito maior”, acrescenta o treinador que não vai mudar a forma de jogar: “não será muito diferente. Eu tenho uma ideia de jogo que me trouxe nos últimos sete anos até aqui. Há nuances que têm a ver com a divisão onde jogamos, mas a ideia de jogo, no geral, está lá. Podemos ter um plantel diferente, mas nunca mudamos os princípios de jogo”.

O treinador resume, assim, a sua forma de jogar: “a minha ideia de jogo é extremamente coletiva com uma exigência ao nível da qualidade do jogador”, que faz questão de trabalhar em todos os treinos.

Plantel

“50% do plantel vai renovar porque é importante haver continuidade, mas precisamos de mais soluções e mais qualidade para o nível da Pró-Nacional”, daí que perfil dos reforços esteja definido: “jogadores que conheçam o clube, com experiência nesta divisão e haverá uma percentagem para projetar”.

Concretizando: “temos no plantel jogadores que podem jogar na Pró-Nacional, que já conhecem a nossa filosofia do jogo; depois teremos jogadores com 22/23 anos para projetar para o futuro e precisamos de jogadores experientes. Uma coisa é certa: para ser jogador do Amares é fundamental ter um conhecimento grande do clube”.

O técnico explica que se pode montar uma equipa para jogar na Pró-Nacional de duas formas: “50% da equipa com grande capacidade e os outros 50% sem grande capacidade, esperando que não haja lesões e que tudo corra bem” ou então “ter um plantel mais homogéneo que foi aquilo que nós definimos”.

Hugo Ramos revela que a equipa se irá reforçar em todos os setores com jogadores fortes individual e coletivamente “misturando juventude com alguma veterania para que uns possam crescer com os outros”.

Sem estrutura para Pró-Nacional

Para Hugo Ramos, apesar “de hoje existirem mais condições”, o FC Amares “ainda não está preparado para o Campeonato de Portugal (CP)”. A parte financeira “é importante”, o Município “também é uma parte importante” e a parte logística tem que evoluir: “no CP temos que treinar quatro vezes por semana”.

O próprio relvado precisa de uma manutenção constante e “esta época foi feito um trabalho extraordinário”. O sintético é usado por todos os escalões e uma das ‘novidades’ foi cada um deles ter um treino por semana no campo inteiro.

O protocolo já estabelecido com o Rendufe tem que ser alargado “criando uma outra logística que permita treinar lá uma vez por semana”. O próprio horário de treino “terá que ser alargado de forma a que as componentes de vídeo, de observação de jogos, estejam incluídas no treino”.

Equipa técnica

Com a saída do treinador adjunto, a equipa técnica ainda não está 100% definida, mas “eu defendo a continuidade. Todos têm que ter conhecimento da minha filosofia de jogo e ao sair o meu número dois se houver alguém na equipa técnica que tenha essas condições é ele que assume o cargo”.

Por isso, o atual observador vai subir para número dois e vai entrar um novo observador, um negócio que está praticamente fechado.

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