Ao CO(u)VIDizer, (a)normalidade voltou

Se este fosse um ano normal, nesta altura já teriam terminado campeonatos de futebol e das restantes modalidades, e estaríamos todos entusiasmados a acompanhar a preparação de nossa seleção na defesa do título no Euro 2020, cuja competição se iniciaria no próximo dia 11 e assistir também aos últimos retoques dos nossos atletas olímpicos, rumo a Tóquio. As discussões andariam por esta altura, em torno dos jogadores convocados, com as habituais “bocas” sobre a influência de Jorge Mendes na dita convocatória e quem deveria acompanhar CR7 e Bernardo Silva no ataque da seleção. Já quase ninguém se lembrará que estávamos num “apelidado” grupo da morte, por termos como companhia a França e a Alemanha, e tudo o que não fosse apuramento, seria considerado fracasso. Quanto aos nossos representantes olímpicos e paralímpicos, sonharíamos com a possibilidade de arrecadar medalhas, sem querermos saber se tiveram as condições ideais de preparação, nem nos preocuparmos com a qualidade dos oponentes serem, apenas e só, os melhores do mundo nas respetivas áreas. Obviamente, quem não trouxesse medalhas seria visto como um fracassado que foi aos JO, unicamente, desbaratar o dinheiro dos nossos impostos. Mesmo aqueles que trouxessem diploma olímpico, seriam apenas…tolerados.

Muitos acreditavam que depois desta provação a que todos fomos (e alguns ainda estão) submetidos, o mundo iria melhorar porque as pessoas finalmente perceberiam o valor da vida e não iriam desperdiçar tempo, nem energia, com futilidades. Pensava-se também, que este COVID 19 teria o condão de unir a população mundial, inclusive na perceção dos cuidados a ter para a sua não propagação. Depressa percebemos que continua tudo na mesma, bastando para tal ouvir as intervenções de determinados líderes políticos, assistir a confrontos originados por motivos raciais ou, de volta ao nosso país, acompanhar os típicos ajuntamentos em praias fluviais e/ou debandada aos fins de semana para praias e zonas protegidas, como o PNPG onde, sem um mínimo de respeito por Natureza e/ou populações locais, é deixado todo o lixo possível e imaginário.

No que ao futebol respeita, houve conversas de circunstância, apaziguadoras, enquanto as competições e decisões estavam em suspenso. Com o aproximar das competições, penso não ser necessário acrescentar nada, pois os jornais (ditos) desportivos, dizem tudo. Deixo-vos com algumas “pérolas” de primeiras páginas do dia 2 de junho.

A Bola – “A importância do coice é conforme o burro que o dá” – Manuel José, referindo-se a Pinto da Costa. Record – “Polícia chama Madureira” – a propósito da ida de superdragões para Famalicão apoiar o FC Porto no exterior do estádio; “Benfica tinha dois jogadores vendidos por 200 milhões”. O Jogo – “Polícia admite presença de superdragões em Famalicão desde que se comportem”; “António Salvador quer os três grandes fora da direção da Liga e poderes executivos ao presidente”.

Digam lá se não voltou, mesmo, tudo à (a)normalidade no futebol português?

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