Partes da Birmânia têm a Internet bloqueada há um ano e a população nem sabe o que é a covid-19

A Internet no noroeste da Birmânia, no Myanmar, está bloqueada há um ano, numa interrupção que é, segundo os grupos de defesa dos direitos humanos, a mais longa do mundo. A falta de informação faz com que parte do país nem saiba o que é a covid-19.

De acordo com a NPR, as restrições à Internet foram implementadas em oito município do estado de Rakhine e um em Chin em junho do ano passado devido a conflitos entre os militares do país e uma minoria étnica, os Rakhine e o seu exército Arakan.

A proibição no município de Maungdaw foi levantada em maio. Ainda assim, cerca de um milhão de pessoas estão a ser afetadas na área devastada pela guerra, de acordo com a Human Rights Watch, que está a pedir o levantamento imediato da paralisação nos oito municípios restantes.

Em comunicado divulgado esta quarta-feira, o grupo disse que o bloqueio impediu os esforços para coordenar a distribuição de ajuda e disseminar informações atualizadas sobre os combates na região.

“Com o conflito armado entre as forças armadas de Myanmar e o Exército Arakan no estado de Rakhine, no meio de uma pandemia, é fundamental que os civis obtenham as informações necessárias para se manterem seguros“, disse Linda Lakhdhir, consultora jurídica da Human Rights Watch na Ásia.

A Human Rights Watch acrescenta que o Governo também bloqueou sites de notícias independentes e étnicos, alegando que estavam a fornecer “notícias falsas”.

Além disso, o órgão independente de defesa dos direitos observa o papel que o acesso à Internet desempenha na retransmissão de informações sobre a covid-19, protocolos sobre autoquarentena e outras práticas para restringir a propagação da doença.

Segundo a Universidade Johns Hopkins, pelo menos 293 casos foram relatados em Myanmar com seis mortes relacionadas com a covid-19. De acordo com a CNN, vários casos foram encontrados em Maungdaw e Buthidaung, no norte de Rakhine, onde mais de 100 mil muçulmanos rohingya estão em campos lotados como resultado de uma campanha sangrenta para expulsar a minoria do estado budista maioritário.

Teme-se que os números possam ser mais elevados por causa da falta de testes.

Os principais combates entre Rhakine e a etnia militar começaram no ano passado, depois de uma série de ataques do exército de Arakan contra postos policiais que mataram 13 policias. Os combates entre o grupo insurgente e as forças armadas do país feriram e mataram centenas e deslocaram dezenas de milhares.

Organizações internacionais acusaram Myanmar de violações dos direitos humanos. Entre as acusações estão ataques das forças armadas contra civis, assassinatos extrajudiciais e tortura de prisioneiros.

Em 21 de junho do ano passado, o Governo desligou a Internet na região, dizendo que manteria a ordem, embora os defensores dos direitos humanos afirmem que as medidas foram para suprimir as notícias de violações de direitos humanos por Myanmar.

Em setembro do ano passado, Mianmar suspendeu brevemente as restrições em cinco municípios antes de restabelecê-las em fevereiro.

Partes do Bangladesh, onde cerca de 700 mil Rohingya fugiram em 2017, também bloquearam a Internet.

ZAP//

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