Terras do Homem

Cientistas criaram o maior mapa 3D do Universo

Na segunda-feira, dia 20 de julho, o Sloan Digital Sky Survey (SDSS) divulgou o maior mapa 3D do Universo, um trabalho que preenche lacunas significativas na exploração da história do Cosmos.

A história antiga do Universo, assim como a sua história recente de expansão, é conhecida, “mas há uma lacuna problemática de cerca de 11 mil milhões de anos”, explicou o cientista Kyle Dawson, da Universidade de Utah, nos Estados Unidos. Tomando esta constatação como ponto de partida, a sua equipa trabalhou arduamente durante cinco anos para preencher este vazio.

Os novos resultados são provenientes do Estudo Espectroscópico de Oscilação Bariátrica Estendida (eBOSS), uma colaboração internacional de mais de 100 astrofísicos. No centro dos novos resultados estão medidas detalhadas de mais de dois milhões de galáxias e quasares que cobrem 11 mil milhões de anos de tempo cósmico.

“Juntas, análises detalhadas do mapa do eBOSS e experiências anteriores do SDSS forneceram medições mais precisas do histórico de expansão na mais ampla faixa de tempo cósmico”, explicou Will Percival, da Universidade de Waterloo, em comunicado. “Os estudos permitem-nos interligar medidas na história completa da expansão do Universo.”

Este mapa 3D é o esforço de mais de 20 anos de mapeamento do Universo. A história cósmica, agora contada por este mapa, revela que a expansão do Universo começou a acelerar há cerca de seis mil milhões de anos e, desde então, o processo é cada vez mais rápido.

A expansão acelerada parece dever-se a um misterioso componente invisível do Universo, conhecido como “matéria escura“, consistente com a Teoria Geral da Relatividade de Einstein, mas extremamente difícil de conciliar com o entendimento atual da física de partículas.

O valor da taxa de expansão atual do Universo (a Constante de Hubble) da equipa do eBOSS é, aproximadamente, 10% mais pequeno do que o valor calculado através das distâncias das galáxias próximas. A alta precisão dos dados do eBOSS significa que é improvável que esta incompatibilidade ocorra por acaso.

“Só com mapas como o nosso se pode afirmar, com certeza, que há uma incompatibilidade na Constante de Hubble”, declarou Eva-Maria Mueller, da Universidade de Oxford, citada pelo EurekAlert.

Ainda não existe uma explicação para esta discrepância das taxas de expansão, mas há uma possibilidade que os cientistas consideram interessante: uma forma de matéria ou energia do Universo primitivo pode ter deixado um rasto na nossa história.

ZAP //

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