Engenheiro reconstrói máquina que decifrou os códigos alemães Enigma na II Guerra Mundial

Hal Evans construiu a primeira réplica funcional de um ciclómetro: uma máquina construída no início da década de 1930 (e usada na II Guerra Mundial) por matemáticos polacos para ajudar a decifrar as mensagens secretas enviadas pelos alemães através de códigos nas máquinas Enigma.

Hal Evans, um antigo aluno de engenharia da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, construiu a versão do século XXI do dispositivo criptográfico eletromecânico de Marian Rejewski, que tem o mesmo tamanho de um grande computador, mas muito mais pesado.

Segundo o Interesting Engineering, o ciclómetro de Evans é capaz de determinar todas as formas possíveis de tradução de um determinado texto simples para um texto cifrado Enigma. A máquina semi-automatiza o processo de identificação e catalogação dos resultados de cada parte possível do código Enigma, produzido nos primeiros dias do protocolo alemão.

“Devido ao custo e à complexidade mecânica de reproduzir a máquina original, foram feitos outros esforços para criar uma réplica”, explicou Evans, em comunicado.

Tim Flack, professor de Evans, explicou que este instrumento foi um exemplo criptográfico precoce que desempenhou um papel muito importante no desenvolvimento da Bombe de Alan Turing, usada para decifrar o código alemão Enigma durante a II Guerra Mundial.

O protocolo Enigma baseou-se num mecanismo que baralhava as 26 letras do alfabeto, que transformava o texto simples num texto cifrado, definido por um sistema complexo.

Uma máquina Enigma era equipada com um conjunto de três rotores, sendo que cada um podia ser configurado para uma das 26 letras do alfabeto. A posição e a ordem dos rotores definia como criar o texto cifrado.

No fundo, havia centenas de milhares de formas diferentes de configurar a máquina antes de enviar uma mensagem. A configuração constituiu a chave da mensagem e foi compartilhada pelo remetente e pelo destinatário para descriptografar as comunicações.

Para dificultar o processo, os alemães mudavam regularmente a chave, tornando as comunicações da Enigma quase indecifráveis.

Os refletores e rotores da máquina de Evans, compostos por milhares de peças, foram criados por um mecânico alemão, mas o antigo estudante de mestrado da universidade britânica fabricou o resto dos componentes a partir do zero. A réplica do ciclómetro polaco vive, atualmente, no King’s College, em Cambridge.

A réplica foi construída, em pouco mais de um ano, para ser o mais autêntica possível, mas a verdade é que o ex-aluno da Universidade de Cambridge teve que confiar em informações históricas muito limitadas. Apesar de não servir para o mesmo objetivo final da máquina original, a réplica de Evans pode ajudar a decifrar a história do ciclómetro.

ZAP //

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