CURIOSIDADES

Facebook acusado de promover conteúdo que nega o Holocausto

De acordo com uma nova análise, o Facebook está repleto de conteúdo que nega a existência do Holocausto, e o seu algoritmo “promove ativamente” este tipo de material.

A organização anti-extremista Institute for Strategic Dialogue, sediada no Reino Unido, analisou a rede social e concluiu que pelo menos 36 grupos com cerca de 366 mil seguidores, hospedavam conteúdo que nega o genocídio nazista, diz o The Guardian na sua edição deste domingo.

Quando um utilizador segue um grupo com esse tipo de conteúdo, o Facebook recomenda outros do mesmo género, concluiu o estudo. A pesquisa da palavra “Holocausto” no Facebook levou a sugestões para grupos que negavam a atrocidade, por sua vez ligada a editores que vendiam literatura de história revisionista.

“A decisão do Facebook de permitir que o conteúdo de negação do Holocausto permaneça na sua plataforma é enquadrada sob o pretexto de proteger o debate histórico legítimo, mas isso ignora o motivo pelo qual as pessoas se envolvem na negação do Holocausto em primeiro lugar”, disse Jacob Davey, gerente sénior de pesquisa do ISD.

Davey acredita que “a negação do Holocausto é uma ferramenta deliberada usada para deslegitimar o sofrimento do povo judeu e perpetuar grupos anti-semitas de longa data, e quando as pessoas fazem isso explicitamente, deve ser visto como um ato de ódio”. O Facebook e outras redes sociais têm sido cada vez mais analisadas quanto às suas políticas de disseminação de desinformação nas suas plataformas.

O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, foi muito frontal em relação ao seu ponto de vista sobre as políticas de segurança do conteúdo partilhado, explicando que as redes sociais no geral não devem “ser árbitros da verdade”.

No início deste mês, o Facebook excluiu pela primeira vez um post de Donald Trump sobre desinformação, eliminando um vídeo em que o presidente dos EUA dizia que as crianças são “quase imunes à Covid-19”.

O Facebook esclareceu, numa declaração ao The Guardian, que leva a sério o conteúdo que desvaloriza o Holocausto – mas que o conteúdo partilhado a negar a sua ocorrência, não garante necessariamente a remoção.

“É retirado qualquer post que celebre, defenda ou tente justificar o Holocausto. O mesmo é válido para qualquer conteúdo que possa ferir a suscetibilidade da família das vítimas do Holocausto, acuse as vítimas de mentir, espalhe ódio ou defenda a violência contra o povo judeu”, refere ainda a declaração.

A rede social mostra-se imparcial nos mais variados assuntos mas garante que “encontrar o equilíbrio certo entre manter as pessoas seguras e permitir a liberdade de expressão é difícil, e sabemos que muitas pessoas discordam muito da nossa posição”, continuou.

Segundo o New York Post, o ISD também encontrou conteúdo carregado de ideias de negação do Holocausto no Twitter, YouTube e Reddit.

A pesquisa por “holohoax” – frequentemente usado por negacionistas do Holocausto – teve 19 mil resultados no Twitter, 9500 no YouTube e 2300 no Reddit, todos criados nos últimos dois anos, concluiu o estudo. Entre as 20 mensagens mais partilhadas no Twitter, que usavam a frase “holohoax”, 14 continham negação explícita do Holocausto.

ZAP //

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