Nos próximos anos, Israel deverá ser atingido por um terramoto que “irá causar centenas de vítimas”

Um estudo realizado no Mar Morto revelou que um terremoto de magnitude 6,5 poderá atingir a região nos próximos anos. A pesquisa mostrou que um terremoto desta magnitude ocorre em Israel num ciclo médio entre 130 e 150 anos, mas houve casos em que o período de suspensão durou apenas algumas décadas.

O último terremoto de magnitude 6,5 foi sentido no vale do Mar Morto em 1927, altura em que centenas de pessoas ficaram feridas nas cidades de Amã, Jerusalém, Belém e Jaffa. Agora, de acordo com as descobertas do novo estudo, os investigadores alertam que é muito provável que outro terremoto ocorra nos próximos anos ou décadas.

A pesquisa foi realizada sob a conduta do Programa Internacional de Perfuração Científica Continental (ICDP, em inglês), que realiza perfurações profundas em leitos de todo o mundo, com o objetivo de estudar o clima antigo da Terra e outras mudanças ambientais.

Neste sentido, em 2010, uma plataforma foi colocada no centro do Mar Morto e começou a perfurar a uma profundidade de centenas de metros, permitindo uma análise de cerca de 220 mil anos de geologia.

No seguimento dos trabalhos, a equipa descobriu que devido ao facto do Mar Morto ser o lugar mais baixo da terra, a cada inverno, as águas das enchentes que lá desaguam, carregam consigo sedimentos que se acumulam em diferentes camadas.

Uma camada escura de cerca de um milímetro representa o sedimento da enchente de inverno e uma camada mais clara, também com um milímetro de espessura, representa o aumento da evaporação da água durante os meses de verão. Assim que ocorre um terremoto os sedimentos giram juntos com as camadas que anteriormente se haviam acomodado numa sequência perfeita.

Através do uso de equações e modelos computacionais, os investigadores foram capazes de compreender a física do processo e reconstruir a partir do registo geológico a história dos terremotos ao longo do tempo.

Uma análise do registo mostra que a frequência dos terremotos no vale do Mar Morto não é fixa ao longo do tempo. Houve períodos de milhares de anos com mais atividade sísmica e outros com menos. Além disso, os especialistas descobriram que houve uma subestimação significativa da frequência de terremotos em Israel.

Até agora, os investigadores acreditavam que a fenda do Mar Morto tremia a uma magnitude de 7,5, ou mais, a cada 10 mil anos em média, mas agora sugerem que esses terremotos destrutivos são muito mais frequentes, e invadem o local com um intervalo médio que varia entre 1.300 e 1.400 anos.

Os geólogos estimam que o último terremoto com essa magnitude que atingiu a região foi em 1.033, ou seja, há quase mil anos. Segundo os cálculos dos geólogos, isso significa que nos próximos séculos, o local pode esperar outro terremoto de magnitude 7,5 ou superior.

Por outro lado, a equipa de investigação descobriu que terremotos com magnitude de 6,5 ocorrem na região a cada 130 a 150 anos, mas que a frequência entre estes varia.

Segundo o Phys, embora tenha havido casos em que o período entre um terremoto e outro tenha durado centenas de anos, também houve situações em que os poderosos fenómenos ocorreram com apenas algumas décadas de espaçamento.

“Não quero causar alarme, mas vivemos num período tectonicamente ativo. O registo geológico não mente e em breve virá um grande terremoto em Israel. Claro, não temos como prever exatamente quando a terra vai tremer sob os nossos pés, mas, infelizmente, posso dizer que o terremoto irá causar centenas de vítimas e que deverá acontecer nos próximos anos”, refere Shmuel Marco, autor do estudo.

O professor alerta ainda que “pode ser em dez anos ou em várias décadas, mas também pode ser na próxima semana, e precisamos de estar preparados para isso”.

A pesquisa foi realizada por uma equipa internacional de investigadores e os resultados do estudo foram publicados na revista Science Advances em novembro.

Ana Moura, ZAP //

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