Conquistadores espanhóis mataram mulheres e crianças num ato de vingança

Os resultados de três décadas de escavações arqueológicas na cidade de Zultépec-Tecoaque, no México, sugerem que os conquistadores espanhóis assassinaram pelo menos uma dúzia de mulheres e crianças numa cidade aliada dos astecas em 1521.

Os investigadores acreditam que tenha sido um ato de vingança, já que foram os habitantes desta cidade que, um ano antes, sacrificaram e comeram 450 membros de um destacamento espanhol que capturaram meses antes, escreve a National Geographic.

Ao saber do sucedido, Hernán Cortés, conhecido por ter destruído o Império Asteca, ordenou que o seu chefe da polícia, Gonzalo de Sandoval, destruísse a cidade como medida de retaliação. Os acontecimentos são relatados pelo Instituto Nacional de Antropologia e História do México e corroborados por vários textos históricos.

Os arqueólogos localizaram os restos mortais dos membros do destacamento espanhol, que foram oferecidos às divindades locais durante oito meses. De acordo com a agência Sputnik, muitos deles tiveram mortes agonizantes, havendo evidências de canibalismo. Aliás, é daí que vem o nome Tecoaque que, em Nahuatl, significa “onde eles foram comidos”.

Os prisioneiros foram trancados em celas sem portas e alimentados durante seis meses até serem sacrificados. Os esqueletos dos espanhóis apresentavam marcas de mutilação e cortes que indicavam que a carne tinha sido removida dos ossos, muito provavelmente para consumo.

Os investigadores acreditam que os habitantes de Zultépec-Tecoaque esperavam a retaliação de Cortés, como indicam as estruturas defensivas primitivas no local. Numa tentativa de esconder os ossos, colocaram os restos mortais em cisternas, também conhecidas por aljibes.

As estruturas defensivas não se mostraram, no entanto, eficazes contra o ataque dos conquistadores espanhóis, que entraram com facilidade em Zultépec-Tecoaque. Alguns guerreiros conseguiram escapar, fazendo com que as principais vítimas fossem mulheres e crianças.

“As mulheres e crianças que permaneceram abrigadas nos seus aposentos foram, por sua vez, mutiladas, como evidenciado pela recuperação dos ossos cortados no chão dos quartos. Os templos também foram queimados, e as esculturas de deuses, decapitadas, destruindo, assim, este local que representava uma resistência a Cortés”, explica o arqueólogo Enrique Martínez Vargas.

Daniel Costa, ZAP //

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