Estrelas do mar comem os irmãos para sobreviver

Parecem inocentes e adoráveis, mas as estrelas do mar são pequenos canibais que comem os seus próprios irmãos para conseguirem sobreviver, revela um novo estudo.

De acordo com o estudo, dois investigadores descobriram acidentalmente este comportamento entre estrelas do mar bebés – Asterias forbesi.

Inicialmente, a equipa estava a tentar entender de que forma as estrelas do mar bebés reagiam quando se deparavam com ferozes caranguejos no laboratório.

“Contudo, estas começaram a comer-se umas às outras antes mesmo de lhes mostramos os caranguejos”, revelou Jon Allen, professor do Departamento de Biologia da William & Mary, em comunicado.

Perante a descoberta, Allen e sua equipa mudaram o sentido da pesquisa com o objetivo de observar esse fenómeno até então desconhecido entre as estrelas do mar bebés.

Estas estrelas do mar são geralmente encontradas na costa leste dos EUA e podem atingir entre 1,9 e 24 centímetros de comprimento quando estão na fase adulta, escreve o National Geographic.

Passam por um processo chamado metamorfose, no qual se transformam de uma forma imatura para uma forma adulta muito rapidamente, da mesma forma que as lagartas se transformam em borboletas.

Na sua forma larval imatura, as estrelas do mar parecem “pequenas naves espaciais esquisitas” que voam pela água, explicou Karina Brocco French, da Universidade da Califórnia, em Irvine.

A espécie permanece neste estágio de “nave espacial” durante cerca de um mês antes de se metamorfosear em estrela do mar jovem e se estabelecer no fundo do mar, refere o comunicado.

Os cientistas já sabiam que as estrelas jovens comeriam as formas larvais menores, mas não sabiam que se comiam umas às outras.

Ainda assim, embora as estrelas jovens tenham aproximadamente o mesmo tamanho umas das outras, as que são um pouco maiores acabam por comer as menores.

Allen e French descobriram que as estrelas do mar bebés têm este comportamento canibal quatro dias após a metamorfose.

O canibalismo entre irmãos pode dar às estrelas individuais uma vantagem adaptativa, especialmente porque as estrelas do mar fêmeas adultas produzem entre 5 e 10 milhões de ovos por ano, frisa Allen.

Como escreve o Live Science, embora o comportamento fosse desconhecido nesta espécie, o canibalismo não é incomum no reino animal, pois existem mais de 1.300 espécies que o praticam.

As descobertas foram publicadas a 26 de março na revista Ecology.

Ana Isabel Moura, ZAP //

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