ActiveAlgae quer revolucionar a indústria cosmética com microalgas inexploradas

ActiveAlgae irá transformar o mercado dos cosméticos com a utilização de ingredientes ou extratos raros de biomassa de microalgas, tirando partido da sua grande diversidade biológica e propriedades ativas, que são muito superiores às plantas marinhas atualmente utilizadas no sector.

Esta iniciativa, que está atualmente a ser acelerada no programa de apoio ao empreendedorismo Sherpa Journeys, de Sherpa do Mar, baseia-se na criação de bibliotecas destes microrganismos únicos para os cultivar no laboratório de forma controlada e sustentável.

“Analisamos as algas eucarióticas que descobrimos para determinar que propriedades podem ter para a indústria cosmética”, diz Pedro Leão, investigador e cofundador da Fykia Biotech, uma spin-off do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) que está a desenvolver o projeto.

As suas qualidades são muito variadas e benéficas para a saúde: são anti-inflamatórias, antioxidantes, previnem os efeitos do envelhecimento, protegem contra os raios UVA e são anti-obesogénicas, ou seja, ajudam a aliviar o desenvolvimento da obesidade.

Fitoplâncton a ser descoberto
Estima-se que existam entre 30.000 e 100.000 espécies de microalgas no mundo, das quais apenas uma pequena percentagem foram descobertas, estudadas em pormenor ou exploradas para fins comerciais. Estes micro-organismos, mais conhecidos como fitoplâncton, encontram-se nos oceanos, rios, lagos, fundos marinhos e rochas, e vivem ou ligados a um substrato ou flutuando livremente na água.

A equipa de Pedro Leão, composta por quatro investigadores estabelecidos, Vitor Vasconcelos, Ralph Urbatzka, João Morais e o próprio Leão, bem como dois investigadores residentes, Ana Silva e Rita Vieira, trabalha na ActiveAlgae há uma década. “Ainda nos restam dois a três anos de investigação e desenvolvimento tecnológico, e depois temos de aumentar a produção”, diz Leão.

A Fykia Biotech fixou-se um total de cinco anos para lançar o produto, dadas as dificuldades técnicas envolvidas no cultivo de microalgas num laboratório. O seu objetivo é desenvolver ingredientes ou extratos de biomassa para empresas já estabelecidas no mercado europeu.

Sobre Sherpa do Mar
Sherpa do Mar é um projeto integrado no Programa INTERREG V-A Espanha-Portugal de Cooperação Transfronteiriça (POCTEP) 2014-2020, 75% cofinanciado pelo fundo FEDER, cujo objetivo é a criação de uma rede transfronteiriça de empreendedorismo no domínio marinho-marítimo e da economia azul, através do programa Sherpa Journeys, que favorece a criação de emprego e o aumento da competitividade das empresas através da promoção de empresas de base tecnológica.

O projeto é conduzido pela Universidade de Vigo, através do grupo de investigação REDE, Campus do Mar e o Gabinete de I&D, com a participação do Consórcio da Zona Franca de Vigo, da Agência Galega de Inovação (GAIN) e das universidades de Santiago e A Coruña. Do lado português, participam a Associação de Transferência de Tecnologia Asprela (UPTEC), a Universidade do Porto-Innovação da Universidade do Porto (UPIN), o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) e o Fórum Oceano-Associação da Economia do Mar.

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