Um em cada três jovens ficou mais feliz durante o confinamento

Os potenciais fatores que podem contribuir para a felicidade destes jovens incluem sentirem-se menos sozinhos, evitar o bullying, e conseguir um maior descanso e a prática de exercício físico.

Como é de conhecimento geral, após o surgimento da Covid-19 foi necessário fazer vários confinamentos e surgiram bastantes restrições a nível mundial. A quarentena teve um impacto significativo na vida de algumas crianças e jovens.

De acordo com o TechExplorist, vários estudos ofereceram uma visão do impacto que o confinamento teve na saúde mental e bem-estar das crianças e dos jovens. A maioria deles relatou consequências negativas para a saúde mental.

Um novo estudo da Universidade de Cambridge e Oxford, publicado na Springer, em fevereiro deste ano, relatou que estes efeitos adversos não tinham sido comunicados de forma idêntica.

O estudo sugere que um em cada três jovens diz que a sua saúde mental e bem-estar melhoraram durante as medidas de encerramento devido à COVID-19. Os potenciais fatores que contribuíram para essas melhoras foram: menos solidão, evitar a humilhação, e conseguir descansar mais e praticar mais exercício.

Segundo Emma Soneson, estudante de doutoramento na Universidade de Cambrigde, “a narrativa comum de que a pandemia teve efeitos extremamente negativos na vida das crianças e dos jovens pode não contar a história completa.

“Parece que um número considerável de crianças e jovens pode na realidade ter sentido melhoras no seu bem-estar durante o primeiro confinamento em 2020″, diz Soneson.

“Depois de ouvir doentes na nossa prática clínica e informalmente de vários pais e jovens que achavam que o encerramento era benéfico para sua saúde mental ou para a dos seus filhos, decidimos olhar para esta tendência“.

Os autores do estudo analisaram dados do OxWell Students Survey 2020 de um total de 16,940 crianças e jovens com idades compreendidas entre os 8-18 anos relatou a mudança no bem-estar mental durante o confinamento.

Todos os estudantes foram caracterizados em termos de fatores e sentimentos relacionados com a escola, o lar, a relação, o estilo de vida e o regresso à escola.

De acordo com os resultados do estudo. um em cada três estudantes (33%) pensava que o seu bem-estar mental tinha melhorado durante o primeiro confinamento.

Um número quase idêntico de estudantes caiu em cada uma das três categorias: o seu bem-estar mental tinha melhorado; não tinha havido qualquer mudança, ou tinham experimentado uma deterioração do seu bem-estar.

Segundo os autores do estudo, as proporções mais elevadas de estudantes que relataram uma melhoria do bem-estar mental encontravam-se entre os que estavam na escola todos os dias (39%) e a maioria dos dias (35%), enquanto a proporção mais elevada de estudantes que relataram pior bem-estar foram os que frequentaram apenas uma ou duas vezes (39%).

Os estudantes que sentiram que tinham tido melhor bem-estar durante o confinamento, foram mais propensos a relatar experiências positivas ao confinamento da escola, casa, relações e estilo de vida.

Em comparação com os seus pares, uma maior percentagem de estudantes que relataram melhor bem-estar também relataram diminuição de bullying, melhores relações com amigos e familiares, menos solidão, melhor gestão do trabalho escolar, mais descanso, e mais exercício durante o confinamento.

Segundo Peter Jones, professor do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Cambridge, “o que vivemos é uma mistura complexa de elementos que condicionam a saúde mental antes da pandemia até às suas relações com as famílias e pares, e as suas atitudes em relação à escola”.

Muitos jovens vítimas de bullying relataram que a intimidação tinha sido reduzida, 53% dos estudantes afirmaram ter melhorado o bem-estar mental na amostra usada no estudo, relataram sentir-se menos abandonados e solitários e ter melhores relações com amigos e familiares.

Os autores observaram que este estudo “adiciona a uma crescente base de evidência que sugere que o impacto do bloqueio depende de vários fatores, como género, saúde mental pré pandemia, relações sociais, ligação escolar, e experiência de aprendizagem online.

“Embora a pandemia tenha sem dúvida consequências negativas para muitos, é importante ter em mente que este não é o caso para todas as crianças e jovens”, explica Mina Fazel, também professora do Departamento de Psiquiatria da Universidade de Oxford.

Inês Costa Macedo, ZAP //

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