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Dose dupla de Tiago Cadete e a orquestra de vozes migrantes esta sexta-feira à noite em Braga

No dia 5 de abril, com sessão dupla, uma às 19h30 e outra às 21h30, o investigador e artista transdisciplinar Tiago Cadete, apresenta Concerto, espetáculo que coloca o público no palco para escutar um “concerto fantasmagórico de vozes” com a particularidade que todos os envolvidos nesta criação artística terem sido migrantes.

Uma plateia vazia serve de palco para 20 caixas de som, que difundem um concerto de múltiplas vozes de migrantes latino-americanos que vivem em Portugal e Espanha. A partir de questões como “Quem são os novos migrantes? ”e “Que desejos têm quando migram para o país que os colonizou?” Concerto prossegue a linha de investigação teatral, visual e sonora de Tiago Cadete, que desafia um olhar crítico sobre a relação histórica entre Portugal e a América Latina. Este novo projeto assume o formato de uma instalação de grande escala. Esta “sinfonia migrante”, como é apelidada pela crítica, começou por tomar forma ao abrigo do programa Stronger Peripheries: A Southern Coalition sob o lema “having a voice” [ter voz].

Concerto insere-se nas temáticas que Tiago Cadete tem vindo a desenvolver nos últimos anos: História; Memória; Identidade; Migração. A sua experiência de trabalho com grupos migratórios, nasce inicialmente pelo próprio ter migrado para o Brasil. Neste espetáculo, o investigador foi incitado a trabalhar sobre este lugar geográfico e o poder e/ou ausência dele nas vozes destas pessoas. Concerto parte da recolha de migrantes latino-americanos que vivem no país que outrora os seus espaços antepassados colonizaram. Para Concerto, esta criação nasceu a partir de escutas de testemunhos tanto em Portugal como em Espanha. Para o espetáculo em Braga, foi aberta uma open call para testemunhos locais com as mesmas características históricas e sociais.

Tiago Cadete espera uma “experiência acústica dentro de um teatro, portanto, não há atores, não há participantes, não há performers fisicamente, ou seja, com o seu corpo.”. O criador pretende criar um espaço no qual existe espaço para a empatia entre as vozes e o público que se sentar no palco, propondo “uma inversão tanto do ponto de vista ou ponto de escuta de pessoas que normalmente estão no lugar de ver algo, vão estar no lugar de serem vistas. Portanto, há aqui uma espécie de reflexo/contra reflexo que aumenta este impacto”.

Doutor e mestre em Artes PPGAV-UFRJ. É licenciado em Teatro pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Foi bolseiro da GDA- Gestão dos Direitos dos Artistas na Pós-Graduação em Sistema Laban/Bartenieff- Faculdade de dança Angel Vianna/ Laban. Tem o curso Aprofundamento_Criação Artística Escola de Artes Visuais Parque Lage; tendo realizado ainda workshops e masterclass com Romeo Castellucci; João Fiadeiro; João Mota; Alfredo Martins; Gustavo Ciríaco, Fernanda Eugénio, entre outros. Artista associado à EIRA entre 2010-2017. Diretor artístico da estrutura Co-pacabana 2018-2024.

Este espetáculo conta com o apoio da Antena 2.

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