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Amares avança com concessão do lixo com fortes críticas do PS

O executivo municipal de Amares aprovou, hoje, com os votos contra do PS, o concurso internacional para a concessão do lixo. “O grande objetivo desta prestação de serviços é dar uma melhor resposta ao cancro que temos no concelho que é o lixo”, justificou o presidente da Câmara. O PS votou contra e chegou a pedir ao autarca “para não avançar com o concurso”. A autarquia espera ter o processo finalizado até ao final do ano.

O vereador Emanuel Magalhães concorda que “se o concurso garantir um melhor serviço, não sou contra”. Mas quis saber quais as rotas e se as juntas tinham sido ouvidas neste processo. Manuel Moreira explicou que “o concurso tem por base a atuais rotas e está previsto no concurso que as mesmas sejam reforçadas, melhoradas e otimizadas”.

Para Emanuel Magalhães, “se for para melhorar, acabando com o que se vê a céu aberto, fico confortável que se caminhe para aí, o que eu desejo é que haja melhoria do serviço”, pedindo aos serviços “uma simples folha com quanto custa? quanto vai custar? e os encargos futuros para a câmara”.

PS
Os dois vereadores do PS foram muito críticos sobre esta proposta. Pedro Costa garantiu que “as juntas de freguesia não foram ouvidas” e começou por pedir ao presidente da autarquia que não avançasse com o concurso. “Não somos nós que definimos o que queremos” justificou o vereador apontando que “em oito anos a concessão, em média, vai custar 7,4 milhões de euros, o que dá cerca de 925 mil euros por ano, muito mais do que é pago atualmente”.

Manuel Moreira respondeu dizendo que “foram auscultadas previamente três empresas, tal como obriga a lei, e os 7,5 milhões é a média do valor apresentado, nunca podendo ser concessionado acima desse valor”. Pedro Costa rebateu com mais números: “teremos um défice de 700 mil euros e a única forma de o combater é subir no valor das taxas. É um concurso que a câmara vai ter dificuldades em cumprir”.

Para o socialista, “houve um desinvestimento claro em todos estes anos e chegamos ao ponto em que estamos. Já dou de barato que se faça a concessão, não pode ser a qualquer preço” considerado que “estes valores são impraticáveis”. Ainda para mais, “os camiões a adquirir pela empresa, podem não ser novos”, isto é, podem ter menos de um ano.

Valéria Silva também apresentou números. Comprar três camiões ficaria aos cofres municipais por cerca de 1,5 milhões de euros, “o que nos permitiria ter melhores condições para assegurar o serviço. Assim, vamos triplicar o valor”.

Manuel Moreira, no final, aos jornalistas lembrou que “para além de camiões novos, precisaríamos de cerca de 10 pessoas e não temos porque ninguém quer trabalhar no lixo. Corríamos o risco de ter camiões novos sem ter pessoas para os manobrar até porque em termos salariais não é uma profissão muito bem paga, mas legalmente não podemos pagar mais”. Com a concessão quem define os salários é a empresa, “o que permitirá ter pessoas a ganhar melhor”.

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