Vila Verde

GNR comandada por capitã vilaverdense enviou ao MP o caso do jantar de André Ventura

O Destacamento Territorial da GNR de Braga, comandado pela capitã vilaverdense Maria Luísa Peixoto, enviou ao Ministério Público uma participação, acerca do jantar de André Ventura, em Braga realizado, alegadamente, à margem das mais elementares regras de contenção da pandemia mundial Covid-19.

Um caso cujas responsabilidades estão longe de apurar, podendo virar-se contra a própria GNR de Braga.

Segundo apurou o ‘Terras do Homem’ junto de diversas fontes judiciais, o facto de ter sido tolerado durante horas consecutivas que mais de 170 apoiantes de André Ventura, estivessem juntos num jantar poderá fazer incorrer num crime de denegação de justiça a quem não permitiu que o Destacamento da GNR de Braga acabasse com o caso.

Isto porque a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil tinha dado um parecer negativo ao jantar, que foi depois confirmado pelo delegado da Administração Regional de Saúde do Norte, documentos que terão chegado ao conhecimento da GNR de Braga, ainda antes do jantar.

No final do comício, a GNR diz ter contado 170 pessoas a quem foram servidas refeições, razão pela qual foi identificado o proprietário do estabelecimento comercial, sabendo-se pelas imagens recolhidas durante o jantar que não foram respeitadas as distâncias de segurança no interior do restaurante.

A GNR informou ter enviado para o Ministério Publico do Tribunal Judicial de Braga, as informações que foram recolhidas durante o jantar de comício de apoio a André Ventura. No entanto, as filmagens feitas pelos jornalistas dentro da sala, com a comprovada violação das regras sanitárias, serão o principal elemento de prova.

Fica por apurar que força tinha no terreno ou nas imediações, o Destacamento Territorial de Braga da GNR já que outras fotografias, captadas também pelos jornalistas, mas no exterior, comprovam a aparente ausência de elementos da GNR.

Em face das notícias de que o evento decorreu em violação de várias regras sanitárias em vigor, a GNR confirmou, em comunicado, ter acompanhado a realização do jantar que “decorreu sem alterações à ordem publica”. Recorde-se que foi vandalizado o carro da RTP, sem que, aparentemente, esse crime de dano tenha sido presenciado pela GNR de Braga.

Logo no dia seguinte, em comunicado, o Gabinete de Imprensa e Relações Públicas do Comando-Geral da Guarda Nacional Republicana confirma que acompanhou a realização do jantar, “enquadrado no artigo do decreto lei sobre o novo confinamento que excetua da proibição de celebrações e eventos os atos que se realizem no âmbito da campanha para as eleições presidenciais”, acrescentado que “a Guarda Nacional Republicana acompanhou a realização do evento, procurando, nomeadamente, acautelar a manutenção da ordem pública, o que veio a ocorrer”.

Chega descarta responsabilidades
Os responsáveis pela campanha de André Ventura garantem que todas as regras foram respeitadas para o jantar, que recebeu “luz verde” da DGS e apesar do “dever geral de recolhimento domiciliário”, o diretor de campanha, mandatário nacional de André Ventura e membro da direção nacional do Chega, Rui Paulo Sousa, considerou que o evento “cumpriu a lei”.

“Todos os eventos realizados decorreram através das distritais do nosso partido, o Chega, que contactaram a Direção-Geral de Saúde, com os dados e o cumprimento de todas as regras de distanciamento das mesas e também dos lugares nessas mesas”, acrescentou Rui Paulo Sousa.

No entanto, o jantar tinha sido proibido pelas autoridades de saúde e proteção civil, proibição que seria do conhecimento do Destacamento Territorial da GNR de Braga, que terá agora de justificar ao Ministério Público porque não impediu esse mesmo jantar.

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