Opinião

Ensino a sério? Só e sempre… presencial!

Já faltou mais, mas não vejo chegar o momento do regresso ao ensino presencial. Os mais novos já lá andam, para o 2º e 3º ciclo falta pouco mais de uma semana, mas para nós, docentes e alunos do ensino secundário, ainda faltam três longas semanas e… meia. Sinto necessidade da presença real e do contacto com colegas, alunos e até, quem diria, do pequeno almoço no bar da ESVV. Sinto falta, também, dos almoços com colegas em dias que, havendo aulas de manhã e da tarde, compensa almoçar num qualquer, dos muitos restaurantes de excelência que Vila Verde possui. E preciso de me voltar a sentir professor, ao vivo e a cores, coisa que o computador não permite. Alunos escondidos atrás de uma foto de perfil, ou de duas iniciais de um nome, começam a entrar naquela zona cinzenta de eu quase não perceber, quem é quem. Alguns vídeos de trabalhos de condição física enviados/recebidos sempre vão dando para reconhecer e relembrar algumas “peças” e seu jeito (ou falta dele) caraterístico. Por incrível que possa parecer até do toque da campainha (que a maioria das vezes não ouço) parece que tenho saudades. Mas, nem tudo é mau, e há algo gostaria que se mantivesse como atualmente, on-line. Aquelas (às vezes) intermináveis reuniões que existem em todas as escolas, em que muitas vezes nem nos apercebemos que já estamos a discutir o “sexo dos anjos”, perdendo tempo precioso que bem poderia ser utilizado em atividades mais rentáveis, fundamentalmente para a escola e alunos.

Agora, finalmente, com os testes a serem uma realidade próxima e a vacina, ao que parece, também, começam a ser criadas as condições para um regresso a uma (comumente designada) nova normalidade.

Na disciplina que leciono – eminentemente prática – acredito que os alunos sintam a falta daquela pressão da aula prática, que não têm em casa, em que uma proposta para fazer algo no momento assíncrono, normalmente fica para… depois. Há um ditado que diz “se vires um homem com fome, não lhe dês de comer, ensina-o a pescar”. O problema com alguns dos nossos alunos, canso-me de os (tentar) ensinar a “pescar” desde casa, mas temo que continuem esfomeados e a “morrer” – para o exercício – sem sequer terem experienciado “lançar a cana…” por falta de vontade.

Acreditem – inúmeros estudos o provam – a realização de atividade física (diária, sempre que possível) para além de melhorar a circulação sanguínea, fortalecer o sistema imunológico, ajudar a emagrecer, diminuir o risco de doenças cardíacas e fortalecer os ossos, ajuda também à melhoria da concentração, da memória, do raciocínio, etc. Cada vez é mais válido aquele slogan do “mexa-se pela sua saúde”, principalmente neste confinamento que nos remete para um sedentarismo quase forçado, mas que… forçosamente temos de combater.

Cá por casa, continuo com os meus treinos diários entre caminhadas, corridas e passeios de bicicleta. Ou seja, estou apto para o XXVI cicloturismo quando o pudermos realizar ou para caminhar um dia destes até (ou para além de) Santiago, assim o “bicho” o permita.

 

Carlos Mangas [Professor de Educação Física]

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