Num artigo publicado na revista Journal of Experimental Biology é revelado de que as cobras, ao contrário do que se pensava, não aperfeiçoaram o veneno para se defenderem dos animais que as atacam.
A descoberta foi feita por uma equipa internacional liderado por investigadores do CIBIO-InBIO (Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos, InBIO Laboratório Associado da Universidade do Porto).
Muitas cobras injetam um veneno letal dentro das suas presas através de dentes especializados. No entanto, algumas podem usar o veneno como forma de defesa ao cuspi-lo para os olhos dos seus atacantes, atingindo, por vezes, distâncias superiores a 3 metros. Acreditava-se que este comportamento único tenha levado estas espécies a desenvolver um veneno que seria mais adequado para ser cuspido.
Para compreender o fluxo de veneno através dos dentes, os investigadores compararam as propriedades de fluxo (viscosidade) do veneno de 13 espécies de cobras cuspidoras e não cuspidoras de todo o mundo.
Para sua surpresa, descobriram que embora alguns dentes tenham evoluído para permitir que o veneno os percorra mais rapidamente, o veneno em si não era especializado para o ato de cuspir.
O estudo permitiu ainda descobrir que o veneno se comporta como um fluido normal, ou newtoniano, apresentando a mesma viscosidade independentemente da velocidade a que flui.
Estudos anteriores de menor escala tinham relatado que quanto mais rápido o veneno de cobra flui, menos viscoso ele se torna, pois tratar-se-ia de um fluido pseudoplástico não-newtoniano.
O mecanismo utilizado pelas espécies cuspidoras parece estar ligado a adaptações morfológicas específicas e exclusivas dos seus dentes.
Os autores sugerem também que, atendendo às propriedades de fluxo do veneno, pode ser mais importante as cobras manterem a consistência no mecanismo de cuspir utilizando diferentes velocidades para atingir com maior eficácia o seu alvo.
