As comemorações do 25 de abril em Amares, para além do hastear das bandeiras e a colocação de uma coroa de flores no monumento ao combate, condecorou 14 funcionários, com destaque para a medalha de ouro, a João Ferreira pelos 35 anos ao serviço da autarquia. Nos discursos, todas as forças políticas, direta ou indiretamente, lembraram as ameaças que forças mais radicais começam a ter na sociedade portuguesa.
O presidente da Assembleia Municipal foi o mais audaz no discurso. João Januário lembrou que “a moralidade não acompanhou de igual forma” as revoluções provocadas por abril, e sem moralidade “uma corrupção sucede fatalmente a outra corrupção ou, talvez pior, a antiga perpetua-se sarcasticamente em liberdade.

Numa altura em que é preciso conjugar “liberdade e solidariedade, liberdade e honestidade”, para João Januário “importa a qualidade ética dos homens que habitam” as instituições democráticas.
Por isso, o líder da Assembleia Municipal alertou que “não podemos ir pelo caminho das nossas emoções mais básicas, mas ter em conta os valores da honestidade, solidariedade e respeito pela diferença” ‘desmascarando’ os truques usados por quem “manipula” a democracia:: “a retórica das simplificações e da descrença são estratégias emocionais com a finalidade de apelarem a alternativas que parecem ser lufadas de ar fresco, mas não são mais do que manipulações que usam a democracia contra ela mesmo”.
Os demagogos “exploram” a necessidade que o povo tem de um homem forte; o homem forte que irá utilizar essa liberdade para se aproveitar dos medos e dos ressentimentos do povo” e levam a “liberdade de expressão aos seus limites, e em última instância para subverter o discurso de terceiros”.
As desigualdades sociais são outras “das peças centrais do discurso oportunista”, referiu ainda João Januário, para quem a desigualdade económica é tóxica para a democracia porque alimenta ilusões que dissimulam a realidade”.
Partidos políticos
Sérgio Sousa do Movimento Mais, depois da corrupção e alterações climáticas nas comemorações anteriores, trouxe, desta vez, as eleições autárquicas como mote, “uma possibilidade de construção de um futuro”, aproveitando para deixar algumas ideias: a celebração de um protocolo com a Associação Empresarial Portuguesa, a internacionalização do concelho ou a promoção da inclusão e da boa governança.

Alexandra Teixeira do PS lembrou “os perigos que se escondem” atualmente e apelou para a libertação das mordaças ideológicas, de se poder dizer o que se pensa sem represálias”. Para a jovem socialista “não devemos ser pequenos nas nossas ambições” pedindo mais transparência para se conhecer os interesses em causa e as pessoas envolvidas”.
A coligação Juntos Por Amares, pela voz de Elisabete Macedo, enfatizou que “cada vez mais surgem ideologias contrárias à liberdade e à fraternidade” lançando uma ‘farpa’ a atualidade política: é preciso acabar “com a promiscuidade entre política e poder económico” com a justiça pelo meio.

O presidente da Câmara, Manuel Moreira, teve a pandemia como prato forte do discurso, elogiando o trabalho em rede o trabalho de todos os envolvidos. Para o futuro, prometeu “sonhar em grande para que Amares continue na linha da frente, apontando as acessibilidades, ecologia, ambiente e emprego como algumas ideias de futuro.
