Um grupo de militantes do PS de Terras de Bouro não concorda com a estratégia que está a ser seguida pela concelhia local e que levou à indicação de Filipe Mota Pires para candidato à câmara municipal pelo partido.
A forma como a eleição foi feita, o percurso do candidato e o trabalho que a concelhia, liderada por Mota Pires, tem realizado nos últimos anos são alguns dos fatores apresentados para o descontentamento.
O grupo de militantes, que Filipe Mota Pires, contatado pelo ‘Terras de Homem’, diz ser liderado por Ricardo Gonçalves, já pediu a intervenção do líder da Federação Distrital, Joaquim Barreto.
A “indignação”, diz o grupo de militantes, “é o sentimento” pela escolha de Mota Pires e apresentam as suas justificações: uma reunião da comissão política sem quórum, onde Filipe Mota Pires foi escolhido de braço no ar, “à boa maneira soviética”, e com dois elementos a manifestarem discordância pela estratégia seguida.
O grupo de militantes recorda que Mota Pires foi secretário do ex-presidente da autarquia, Joaquim Cracel, e que contribuiu para uma ‘má imagem’ e inação do PS, considerando que “Mota Pires não reúne qualquer condição pessoal, social e política para ser o candidato do PS”, até porque “quem criou o problema não pode agora aparecer como sendo a solução”.
Os militantes pedem a Joaquim Barreto que avoque o processo eleitoral do partido em Terras de Bouro, tal como aconteceu em Barcelos e Vila Verde e sugerem que só candidatos independentes podem fazer frente “a mais oito anos de executivo PSD”.
Filipe Mota Pires, contactado pelo ‘Terras do Homem’, confirma que na última reunião “houve dois elementos ligados a Ricardo Gonçalves que manifestaram a sua discordância com a estratégia seguida” e explica que “já houve duas reuniões: uma primeira com a presença da esmagadora maioria dos militantes e onde a estratégia foi votada por unanimidade e uma segunda com 12 elementos mais 3 da JS (que estão por inerência) onde duas pessoas se manifestaram contra o que tinham votado”.
O líder da concelhia revela, ainda, que foi Ricardo Gonçalves, “que não faz parte da concelhia, está lá por pertencer à Assembleia Municipal (ainda que em regime de substituição)” a criar todo o ruído à volta da decisão tomada.
“Votaram favoravelmente da primeira vez, agora já vêm colocar em causa tudo”, refere Mota Pires que já marcou uma reunião para 14 de maio “onde vamos esclarecer tudo o que houver para esclarecer”. Questionado se poderá haver votação de outros nomes é taxativo: “pela minha parte, será uma reunião para prestar esclarecimentos”.
Dizendo desconhecer o envio de qualquer carta para o líder da Federação, Mota Pires, também, “não sabe quais são os argumentos usados para pedir a intervenção” de Joaquim Barreto, “nem faz muito sentido”.
Segundo Mota Pires, “irei continuar a fazer o meu trabalho de contactar pessoas e a minha campanha vai continuar porque sei o que representa e significa para os terra bourenses”.
