O assunto esteve em destaque na última reunião do executivo municipal e até motivou uma troca de palavras mais acesa entre o presidente da câmara e um técnico superior da autarquia. Em causa está a reconversão de uma confeção em carpintaria, na freguesia de São Vicente de Bico, e que motivou uma queixa de moradores junto da junta e da autarquia.
Os moradores queixam-se de uma chaminé que está ao nível das casas e que com a transformação da madeira expele partículas que os impedem de abrir as janelas ou de por a roupa a secar. O horário de laboração, sobretudo aos fins-de-semana, também está no rol de queixas. A GNR já foi chamada ao local e os técnicos municipais, também, estiveram no terreno.
Contactado pelo ‘Terras do Homem’, o presidente da junta confirma as queixas dos moradores e a realização de uma reunião entre os queixosos e o presidente da câmara, onde Fernando Soares esteve presente.
“O edifício foi transformado numa carpintaria e o atual isolamento não é o melhor. Para além da fuligem das madeiras, há um intenso cheiro a verniz e as carrinhas de transporte nem sempre cumprem as regras”, revela Fernando Soares.
“Há uma chaminé ao nível das casas que é a causa da maior discórdia porque impede a abertura de janelas e de varandas, nem a roupa pode ser posta a secar”.
Reunião de câmara
Na última reunião de câmara, um dos assuntos em agenda era o pedido de licenciamento dos projetos de engenharia de especialidades da indústria em causa. Manuel Moreira levantou a dúvida se “não era aquela fábrica que tinha merecido queixas dos moradores” e recordou que “tinha tido uma reunião com os moradores e o presidente da junta por causa daquela situação”.
O presidente da câmara questionou o técnico municipal sobre “se tudo estava acautelado e se as queixas dos moradores tinham sido verificadas”. O silêncio fez o autarca avançar para a retirada do ponto da agenda. Uma decisão que o técnico municipal tentou contrariar: “se retirarmos este ponto, temos que anular a decisão anterior”.
O autarca não disfarçou o seu descontentamento e depois de interrogar todos os vereadores presentes, foi tomada a decisão unânime de não só retirar o ponto da agenda como, se fosse necessário, proceder-se à anulação da decisão tomada anteriormente.
“O presidente da câmara não pode fingir que não sabe desta situação nem pode decidir nada que vá contra os interesses das pessoas. Eles vieram reunir comigo, expuseram a situação, e agora não ligava nenhuma? O que pensariam do presidente da câmara?”, questionou o Manuel Moreira em jeito de desabafo.
