A campilobacteriose é uma infeção alimentar resultante do crescimento de microrganismos no intestino após a ingestão de alimentos contaminados com a bactéria Campylobacter Jejuni.
Nos países industrializados a campilobacteriose é considerada a causa mais frequente de gastroenterite aguda no Homem, ultrapassando mesmo as infeções causadas por Salmonella.
Segundo a Organização Mundial de Saúde “A campilobacteriose é a doença de origem alimentar mais notificada na União Europeia. Não só é um problema persistente, como a sua incidência tem vindo a aumentar progressivamente. Dada a forte ligação de surtos com a cadeia de produção de aves de capoeira, as medidas que visam reduzir a Campylobacter em aves de capoeira são importantes para reduzir a ocorrência da doença” [1].
O custo da campilobacteriose na União Europeia, para os sistemas de saúde e com a perda de produtividade, é estimado pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimento em 2,4 mil milhões de euros/ano [2].
Como se transmite nos humanos?
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Contacto direto através de animais portadores;
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Ingestão de carne crua ou mal processada de aves, suínos e bovinos (maior fator de risco);
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Ingestão de leite não pasteurizado e água não tratada;
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Contactos com pessoas infetadas (principalmente contacto sexual oral-anal)
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Através da carne para outros alimentos durante a descongelação e o processamento/manipulação em locais comuns.
Sinais e Sintomas
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Primeiros sintomas da doença aparecem de 2 a 5 dias após a infeção, mas o período pode variar de 1 a 10 dias.
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Sintomas clínicos mais comuns: diarreia (por vezes sanguinolenta), dor abdominal, febre (38 a 40◦C), dor de cabeça, náusea e/ou vómito, e geralmente duram de 3 a 6 dias.
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A diarreia persiste durante cerca de uma semana, embora a bactéria seja excretada nas fezes durante duas a três semanas.
Como se previne?
A OMS definiu cinco pontos essenciais para uma alimentação mais segura:
- Mantenha a limpeza
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- Lave as mãos e higienize todos os equipamentos, superfícies e utensílios utilizados na preparação dos alimentos.
- Proteja as áreas de preparação e os alimentos de insetos, pragas e outros animais
- Separar alimentos crus de cozinhados;
- Separe carne e peixe crus de outros alimentos e guarde em recipientes fechados;
- Utilize diferentes equipamentos e utensílios, como facas ou tábuas de corte, para alimentos crus e alimentos cozinhados.
- Cozinhe bem os alimentos (especialmente carne, ovos e peixe);
- Sopas e guisados devem ser cozinhados a temperaturas acima dos 70 ºC.
- Se reaquecer alimentos já cozinhados assegure-se que o processo é o adequado
- Manter os alimentos a temperaturas seguras;
- Não deixe alimentos cozinhados, mais de 2 horas, à temperatura ambiente;
- Refrigere rapidamente os alimentos cozinhados e/ou perecíveis (abaixo de 5 ºC);
- Mantenha os alimentos cozinhados quentes (acima de 60 ºC) até ao momento de serem servidos:
- Não armazene alimentos durante muito tempo, mesmo que seja no frigorífico
- Não descongele os alimentos à temperatura ambiente
- Usar água e matérias-primas seguras.
- Utilize água potável, alimentos variados e frescos, e alimentos processados de forma segura (ex. leite pasteurizado);
- Lave frutas e vegetais especialmente se forem comidos crus;
- Não utilize alimentos com o prazo de validade expirado
Quais são as complicações possíveis da campilobacteriose?
Embora seja raro, a campilobacteriose pode levar a outras doenças, tais como colite, artrite, meningite e síndrome de Guillain-Barré, uma doença neurológica que pode resultar em paralisia temporal. PREVINA-SE.
Para mais informação, consulte:
[1] Relatório da Direção Geral Saúde e segurança dos alimentos, relatório síntese sobre a atuação nos estados membros relativa às medidas de atenuação em vigor para a campylobacter spp. Em aves de capoeira. Número de referência: DG (SANTE)/2017-6260- RS.
[2] Lin J. Novel approaches for Campylobacter control in poultry. Foodborne pathogens and disease 2009.
http://www.anesaportugal.org/seguranca-alimentar-/311/ii-relatorio-anual-da-efsa/
https://www.asae.gov.pt/seguranca-alimentar/riscos-biologicos/campylobacter.aspx
https://www.cdc.gov/campylobacter/index.html
http://www.tecnoalimentar.pt/noticias/campylobacter-a-bacteria-silenciosa/
Alice Magalhães
Espec. Enfermagem Comunitária e de Saúde Pública
Unidade de Saúde Pública
ACeS Cávado II – Gerês/Cabreira
Figura 1 – Fontes de contaminação de Campylobacter (https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/)
