Opinião

Sayonara, TÓQUIO, à bientôt, Paris

De férias, mas com a responsabilidade de não deixar este espaço em branco, vou aproveitar para me despedir também de Tóquio 2020/21 e dizer até já a Paris 2024, sem esquecer, no entanto, que daqui a 2 semanas, sensivelmente, voltarei a estar atento a Tóquio, desta vez, devido aos nossos Paralímpicos.

Todos enchem a boca com o sucesso da nossa representação olímpica. Sinceramente, quem acompanhou os meus escritos em artigos de opinião e/ou no facebook perceberá que também eu valorizei os enormes resultados conseguidos, mas, contrariamente ao (que disse) Presidente do COP, José Manuel Constantino (que pensando certamente como eu, politicamente, não terá achado conveniente afirmá-lo) sempre pensei em resultados um pouco melhores no que ao medalheiro respeita. Sempre acreditei que Fernando Pimenta e Jorge Fonseca, pudessem acompanhar Pedro Pichardo e, assim, na contabilidade das medalhas, deixaríamos de estar em 57º lugar entre a Etiópia e a Tunísia e estaríamos em 32º entre a Eslovénia e o Usbequistão.

Mas, como sempre fiz questão de afirmar, mais importante que as medalhas foi o número de atletas (91) que conseguiram representar Portugal na maior competição mundial, e na qualidade com que o fizeram. Modalidades sem grande expressão nacional e, como tal, sem apoios de clubes ou governativos – até conseguirem resultados de relevo – como as competições equestres, o surf, o skate e o omnium (uma espécie de pentatlo com bicicleta) trouxeram diplomas e rondaram as medalhas. Valorize-se convenientemente a sua prestação e o que andaram para…aqui chegar. Outras modalidades em que temos obtido bons resultados internacionais como o Judo, a Canoagem e o Atletismo não deixaram os seus créditos por mãos alheias e encheram de orgulho portugueses e políticos. Estes últimos deveriam ler e refletir sobre o que disse o presidente do COP numa brilhante entrevista concedida no final do Jogos, de que transcrevo alguns excertos: “Há quem perante o sucesso corra a associar-se a ele. E há quem perante o sucesso o aplauda, o celebre, mas mantenha o distanciamento cívico que separa aquilo que é o êxito de um atleta e aquilo que é a obrigação de um governo ou de um Comité Olímpico.” “…por isso devemos ser efusivos na celebração, mas, ao mesmo tempo, modestos na forma como nos associamos aos resultados de quem sofre a bom sofrer para que fiquemos todos muito satisfeitos com eles”. Perceberam, ou precisam de um desenho?

Destes JO, num olhar mais macro, podemos contabilizar os sucessos esperados dos países que por diferentes motivos fazem deles uma montra para valorizar e enaltecer os seus modos de vida, estejamos a falar dos EUA ou da China. Percebemos que o Japão (3º país com mais ouros) fez questão de não deixar por mãos alheias o facto de os ter organizado dando, também, um ENORME salto qualitativo em diferentes modalidades coletivas. A França que terá Paris como sede em 2024 mostra também com um 8º lugar no medalheiro que se está a preparar convenientemente para daqui a três anos – já amanhã, portanto – entrar na luta pelos lugares cimeiros.

Resta-nos, pois, a despedida, dizendo: Sayonara, arigato, TÓQUIO, à bientôt, Paris.

 

Carlos Mangas [Professor de Educação Física]

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