Quando se aproxima o final do 2º período, alunos e professores começam a “deitar contas à vida”. Os primeiros, a fazerem contas aos resultados obtidos nos testes de avaliação e às possibilidades que estes lhes abrem na busca da faculdade de sonho. Os docentes tentando que os alunos tenham sucesso porque o sucesso destes é o que os realiza em cada final de ano.
No que à avaliação de educação física respeita tenho uma postura muito própria, pois desde que os alunos deem o seu máximo, nunca a nota de educação física será impeditiva de eles ingressarem no curso universitário pretendido. O problema é que alguns deles não compreendem o que é dar o máximo e mostram-no em questões que colocam, principalmente quando, como acontece agora, estamos a realizar testes de condição física que vão desde a flexibilidade, à força (quando eu era aluno, juntava as duas, pois, flexibilidade, só muito à força) passando pela resistência. A questão que mexe com o meu sistema nervoso é: Professor, qual é o mínimo que tenho de fazer para ter positiva?
A resposta que já conhecem – e por isso estranho a repetição da pergunta – o mínimo que tens de fazer é o máximo que conseguires, pois só assim se justifica a realização destas provas e, caso não atinjam os valores definidos em tabela. poderem ser premiados/as pelo empenho na execução. Assim como na Educação Física, também nas outras disciplinas os instrumentos de avaliação são diversificados e só têm que colmatar as insuficiências de uns com excelência noutros, até porque, atualmente, em qualquer área do trabalho e/ou do conhecimento tem de se saber tocar “diferentes instrumentos”.
Quando vibramos com sucessos dos nossos atletas em provas além-fronteiras, sejam eles da área do atletismo, do futebol, do andebol, do futsal, do motociclismo, da canoagem… devemos perceber que por trás daquele(s) resultado(s) de excelência estão anos de trabalho e que nenhum deles, quando se dedicou à modalidade o fez a pensar em mínimos. Aliás, a única situação em que atletas de alto rendimento pensam em mínimos é quando tentam ascender ao Olímpio e lhes são exigidos MÍNIMOS para integrar a elite dos que vão na busca das medalhas.
Os nossos alunos estão também a caminhar para as suas olimpíadas – as Universidades – que os aguardam nos próximos anos. Para lá chegar têm de fazer acontecer. Têm de conseguir resultados nas provas de avaliação internas e nos exames nacionais que lhes permitam escolher o curso dos seus sonhos e/ou trabalhar no que lhes der prazer.
Alvin Toffler (sociólogo e escritor americano) escreveu na década de 70 que os analfabetos do século XXI não serão os que não sabem ler nem escrever, mas sim quem não souber aprender, desaprender e reaprender. Para isto, digo eu, é preciso disponibilidade permanente e constante, o que só se consegue com entrega máximo na procura do sucesso. Quem se contentar com mínimos, está no caminho certo para o insucesso.
Carlos Mangas [Professor de Educação Física]
