Opinião

XXVI Cicloturismo da ESVV

A procura, como é hábito, em atividades de referência da escola, superou a oferta e dos mais de 70 pré-inscritos conseguimos levar 43 cicloturistas, serra acima até ao Campo do Gerês. Quando na manhã da partida chovia a cântaros e alunos e pais se mostravam preocupados, os professores estavam felizes.

Os 1ºs, pensavam como seria andar de bicicleta com esta chuvada. Nós, com décadas de experiência, sabíamos que esta chuva não causava preocupação pois, já…tinha caído. Acertamos, e até Terras de Bouro tivemos um dia de sol com algumas nuvens. Almoçamos, e às 14h15 com os grupos formados para sair, eis que ela começa a cair leve, moderada, forte, muito forte, com nevoeiro à mistura. Como a estrada inclina até Covide, o nevoeiro ajudava a não perceber o que ainda faltava e os alunos estavam na dúvida se seria suor ou chuva, serra acima.

As meninas, algumas, a quem a chuva acabou por limpar as teias de aranha da bicicleta, iam paulatinamente fazendo estas subirem… para a carrinha de apoio enquanto elas, em carros de professores ou… a pé, continuavam. De uma ou outra forma, todos (encharcados) chegamos ao destino. Distribuição de quartos, (outro) banho tomado e uns rojões ao jantar feitos na ESVV levaram, pela qualidade dos ditos, a pedido de reforço por parte de duas dúzias de alunos.

À noite, o cansaço fazia-se sentir pelo que as atividades previstas foram substituídas por… deitar cedo. No 2º dia de manhã realizamos o trilho da águia do sarilhão que nos leva a diferentes altitudes (e baixitudes) fazendo uma espécie de montanha russa que deixa gente (mal) habituada a estar muito tempo sentada, a ficar cansada e a questionar constantemente: ainda falta muito? Obviamente que não, cada vez que perguntavam, percebiam que já faltava menos do que quando tinham perguntado pela última vez.

Chegados aos aposentos, tínhamos à nossa espera um brilhante almoço (sande de bifana / batatas fritas) confecionado pela professora Luísa Araújo a quem não permitimos que se reforme das nossas icónicas atividades. Durante a tarde, em jogos de dinâmica de grupo, percecionamos alguns engenheiros em potência, matemáticos de excelência e Robin Hood’s em ascensão. Ao final da tarde todos vibramos com o empate da nossa seleção (graças ao R. Horta) e o jantar (massa com frango) tardio, devido ao futebol, não nos impediu de ter a nossa (costumada e famosa) noite de Karaoke.

E aí, confesso, depois da brilhante atuação dos professores, houve um grupo de alunas que se esforçou para cantar (quase) todas as músicas. Percebi que duas, pelo menos, eram as que saltaram da bicicleta para os carros de apoio quando a estrada inclinou e que hoje se queixavam dos míseros 10 km de caminhada. Percebi que o futuro delas não está no desporto, mas talvez venham a ter sucesso nesta área específica. Deitar perto da1h da madrugada foi um bónus para quem se tinha de levantar às 8h para regressar a Vila Verde. Deste, quase sempre a descer, pouco há a dizer, mas de uma atividade que durante três dias os leva a repensar prioridades, a aprender o verdadeiro significado das palavras solidariedade e entreajuda, a interiorizar um lema que os acompanhará sempre, quando em contacto com a natureza – não deixes mais que pegadas, não tires mais que fotografias, não leves mais que recordações – a percecionar e assumir em pleno o significado da palavra pontualidade e respeito pelo grupo, significa que na ESVV continuamos a pugnar por ensinar fora das quatro paredes de uma sala de aula.

Quanto ao grupo, entra diretamente para a galeria dos “se pró ano quiserem voltar, são todos bem-vindos”.

 

Carlos Mangas [Professor de Educação Física]

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