A câmara de Vila Verde já lançou o concurso da segunda fase da construção da ecovia para ligar a praia do Mirante em Soutelo à praia da faial na Vila de Prado, numa extensão de cerca de 2,5 quilómetros.
O preço base ronda o milhão de euros (959.671.30 euros), sendo que será o preço o fator de adjudicação do contrato. A empresa vencedora terá depois um prazo de 240 dias para executar a obra.
O projeto, a que o ‘Terras do Homem’ teve acesso define metodologias que permitem uniformizar as soluções como o atravessamento de cruzamentos; linhas de água; transposição de pequenas frentes urbanas; colocação de elementos/equipamentos urbanos; implantação/aferição da sinalização; seleção dos pavimentos ao longo do traçado, entre outros.
O trajeto (também apelidado de canal) terá uma largura de 2,50 metros (com uso misto pedonal e ciclável), com velocidades de circulação não superiores a 20 quilómetros, com variações de raio mínimo de curvatura entre 10 metros.
Sempre que se verificam restrições que impossibilitam o cumprimento deste parâmetro (por razões de ordem morfológica, regime de propriedades, elementos construídos), a proposta incorpora elementos adicionais de salvaguarda da segurança dos utilizadores e promove um desenho e implantação do trajeto dimensionalmente concordante e proporcional.
Cruzamentos
O desenho de soluções de cada cruzamento tem por objetivo a promoção da segurança dos utilizadores da Ecovia; controlo/restrição da circulação motorizada na rede; perceção dos cruzamentos por todos os utilizadores e introdução de mecanismos de redução de velocidade.
Por definição estes pontos constituem-se como espaços com maior exigência na articulação do uso pedonal, ciclável e circulação rodoviária.
As soluções de cruzamento compreendem mecanismos de transição entre os diferentes tipos de perfis do canal (sempre que existam) e adaptação dos pavimentos ao uso e resistência.
São materializados pela redefinição ou desenho dos espaços onde ocorrem com alteração de cota de implantação e pavimento (da ecovia e/ou da via a intercetar como forma de assegurar a estabilidade do mesmo e formalização da interceção), potencial alteração do pavimento do canal, associação de elementos urbanos de restrição ou proibição de circulação motorizada, incorporação de sinalização da Ecovia e sinalização de trânsito.
Pavimentos
As soluções adotadas resultam da ponderação entre a localização, o desempenho do pavimento de acordo com os usos previstos, a adaptação às condições orográficas e climatéricas; frequência/extensão das variações da solução a adotar; a adaptação às necessidades de incorporação de sinalização regulamentar da Ecovia (horizontal ou vertical); o incremento de mecanismo de ordenamento (pela impossibilidade de circulação motorizada ao longo do percurso); assegurar a continuidade do canal e perceção do mesmo; promoção de circulação e manobras em segurança; a articulação com as soluções dos cruzamentos; a integração com os valores presentes (naturais ou patrimoniais) e a compatibilidade com os regimes jurídicos vigentes.
Sinalização
A conceção e pormenorização da sinalização da Ecovia do Rio Cávado (ERC), enquanto conjunto de soluções com maior destaque para a apreensão da ‘Imagem/marca’ da ERC, está desenvolvida com o intuito de garantir a identidade, legibilidade, fácil perceção por todos os utilizadores, simplicidade e homogeneidade do conteúdo e da forma/suporte.

Com base nestes princípios a conceptualização da sinalização é agrupada de acordo com a informação que disponibiliza, ou seja, o carácter informativo e o carácter regulamentar (vertical e horizontal): sinalização informativa com três grupos de elementos/suportes de acordo com formalização nos principais pontos de acesso à rede; informação toponímica e de orientação ao longo da rede e elemento com informação quilométrica; e sinalização regulamentar: os sinais podem ser horizontais (em troços com carácter urbano) ou verticais (em troços com caracter não urbano).
Mobiliário e equipamento
Constituem, a par da sinalização, elementos com significativo contributo para a formalização da Imagem da ERC pela forma, implantação e articulação entre si. O mobiliário e equipamento a colocar ao longo do canal responde às necessidades para garantir a fruição da rede e articulação de usos em especial nos cruzamentos, infraestruturas pré-existentes e com especial relevância para as frentes ribeirinhas.
São previstos elementos de dissuasão (para a formalização da total autonomia do canal) e elementos de restrição parcial (cancelas para a restrição de usos quando a ERC é concordante com acessos agrícolas ou florestais de reduzido uso).
Adicionalmente é considerada a colocação de postes em madeira como forma de delimitar o canal e/ou propriedade, outras vedações, guardas e mobiliário urbano. De acordo com a dimensão do vão em causa e a altura entre a cota de pronto e a cota estimada do leito, as travessias são agrupadas em duas tipologias.
Em linhas de água com reduzida dimensão e pouca altura ao leito as travessias são em betão armado pigmentado (betão em cor castanha), com perfil transversal em quilha, classificadas como TRV1. Caracterizam-se por não serem diferenciáveis do canal por manterem a mesma largura, apresentam a mesma coloração e serem desprovidas guardas.
Quando as linhas de água a transpor são de maior dimensão ou a altura das margens face ao leito é significativa, as travessias são desenvolvidas em estrutura metálica com revestimento lateral em chapa (para melhor desempenho em situação de cheia), com perfil transversal em quilha, com guardas, classificadas como TRV2. Esta tipologia construtiva tem como objetivo permitir uma maior amplitude e adaptação aos diversos locais.
Infraestruturas
As soluções previstas têm como objetivo garantir ou reforçar a estabilidade dos pavimentos, contenções, travessias e outras soluções previstas. Nesse sentido são considerados enrocamentos de sub-base dos pavimentos; enrocamento de proteção de margens; cestos de gabião com enchimento em pedra ou solo e plantações. Adicionalmente é considerada a construção de muros em alvenaria de granito, em betão armado, betão ciclópico, escadas com degraus e patamares em granito e betão. A generalidade dos muros resulta da necessidade de reposição ou estabilização de soluções existentes.
Projeto também vai ordenar e salvaguardar os valores naturais do percurso
A par da implantação da formalização do canal ciclável e pedonal, a intervenção tem ainda como objetivo promover ações de ordenamento e proteção dos valores naturais ao longo de todo o traçado e da margem do Rio Cávado.
Este princípio traduz-se na promoção, entre outras de menor visibilidade, das seguintes soluções: a) Condicionamento da circulação motorizada nos segmentos que mantêm essa possibilidade (decorrente da necessidade de acesso a propriedades ou espaços públicos); b) Proibição de circulação motorizada em acessos contíguos à margem, com utilização de métodos de construção de segmentos da Ecovia que reforçam a descaracterização dos mesmos; c) Promoção de descontinuidade do canal enquanto espaço de possível utilização por veículos com incorporação de soluções específicas; d) Recuperação de pequenas linhas de água ou da margem do rio Cávado através da estabilização e renaturalização das margens; e) Implantação do canal da ERC a 5m da crista do alcantil da margem do rio, com reforço de plantações da galeria ripícola; f) Ordenamento da circulação pedonal (nos espaços naturais), pela articulação com as estruturas existentes (reformulação das mesmas) e eliminação dos demais acessos.
Desmatações e demolições
Para a construção da ecovia está prevista a desmatação da área de intervenção numa faixa com 12.50m de largura com corte de vegetação de qualquer porte, sem mobilização de solo. A vegetação de porte arbóreo será a manter ou a remover mediante validação prévia.
Estão, ainda, previstos os trabalhos de demolição de pavimentos de diferentes naturezas conforme cada pré-existência em cada um dos troços (betão, betuminoso, betão poroso, calçada e compósito), contenções de pavimentos, infraestruturas (total ou parcialmente); muros em alvenaria de granito, blocos/tijolo; betão ou betão ciclópico e elementos de mobiliário urbano ou equiparável.
Muros
No projeto está ainda definido que a generalidade dos muros previstos, em cantaria de granito em junta seca e muros em cantaria de perpianho, são contíguos ao canal e têm como objeto a reposição ou estabilização de construções existentes.
Adicionalmente a estes são previstos novos muros com o objetivo de assegurar remates, promover o ordenamento da circulação motorizada e salvaguarda da segurança dos utilizadores.
Equipamentos
Para além de estar prevista uma travessia, o projeto prevê um apoio agrícola pré-moldado em betão, com laterais em madeira e pré-instalação de redes de captação de água e produção de energia e um equipamento de apoio ao Parque de merendas da Padim da Graça a relocalizar numa posição mais favorável à nova organização da entrada do parque.
Trabalhos complementares
Constituem trabalhos complementares ao canal, a realização ações de plantações e sementeiras, no sentido de requalificar e ordenar espaços degradados ou descaracterizados, e ainda de recuperação de áreas afetadas pela construção da ecovia que pela sua localização ou dimensão, assim o exijam. A limpeza e desmatação, pelo corte ou condução de espécies arbóreas e eliminação de invasoras; a execução de sementeiras, com prévia escarificação e preparação do solo de modo a promover a regeneração natural das camadas herbácea e arbustiva e/ou a estabilização do terreno; a plantação de espécies arbóreas e arbustivas com carácter de enquadramento e proteção, não só dos sistemas naturais envolventes, mas também da própria estrutura do canal são alguns dos trabalhos complementares previstos.
Estes trabalhos pressupõem a adaptação das plantações e sementeiras às condições ambientais específicas para cada lugar, pela utilização de flora autóctone ou adaptada às características edafoclimáticas locais, contribuindo para a redução de processos erosivos e para o aumento da biodiversidade dos espaços.
