Opinião

Ondas de Calor: saiba como se proteger

Uma onda de calor define-se, segundo a Organização Meteorológica Mundial, como o intervalo de pelo menos seis dias consecutivos em que a temperatura máxima diária supera 5.ºC em relação ao valor médio diário para aquele período. Este fenómeno térmico tem impacto na Saúde Pública, uma vez que a exposição ao calor excessivo provoca alterações fisiológicas com consequências negativas, principalmente nos grupos vulneráveis, como crianças, idosos, grávidas, portadores de doenças crónicas (doenças cardiovasculares, respiratórias, renais, diabetes, alcoolismo), obesos, utentes acamados, utentes portadores de doença mental, utentes medicados com determinados fármacos (anti-hipertensores, antiarrítmicos, diuréticos, antidepressivos), trabalhadores expostos ao sol e/ou calor por longos períodos e pessoas com más condições habitacionais.

A temperatura corporal resulta do equilíbrio entre a produção e perda de calor. Perante a subida da temperatura ambiente, o nosso organismo possui mecanismos que permitem regular a temperatura através da libertação de calor. O principal mecanismo é a transpiração, que consiste na libertação de água e sais minerais (suor) através da pele e a evaporação da água à sua superfície levando ao arrefecimento corporal.

Perante a exposição ao calor excessivo, o organismo tenta retomar o equilíbrio térmico aumentando a produção de suor, levando à perda de maior quantidade de água e sais minerais essenciais ao seu correto funcionamento. Quando os níveis de humidade do ar atingem os 90%, a evaporação do suor é interrompida e nesta condição, a temperatura corporal aumenta levando ao aumento excessivo de produção de suor, que pode conduzir à desidratação extrema, provocando danos irreversíveis que podem levar à morte.

Perante as ondas de calor que Portugal atravessa nos últimos meses, a Direção Geral de Saúde emitiu as seguintes recomendações:

  • Aumentar a ingestão de água, sumos de fruta natural ou chá frio sem adição de açúcar, mesmo sem ter sede;
  • A pessoa com doença crónica, que cumpra dieta com pouco sal ou com restrição de líquidos, deve aconselhar-se com o seu médico ou contactar a linha SNS24;
  • Evitar a ingestão de bebidas alcoólicas ou com elevado teor de açúcar;
  • Os recém-nascidos, crianças, idosos e pessoas doentes podem não manifestar sede, pelo que são particularmente vulneráveis – oferecer-lhes água e vigiar estado geral;
  • Fazer refeições leves e mais frequentes;
  • Permanecer duas a três horas por dia em ambiente fresco;
  • No período de maior calor, tomar duche de água tépida ou fria;
  • Evitar a exposição solar em especial entre as 11:00h e 17:00h. Aquando da exposição usar protetor solar com índice de proteção elevado (igual ou superior a 30) e renovar a sua aplicação de 2 em 2 horas, se estiver molhado ou se transpirar muito;
  • Usar roupas largas, leves e frescas e que evitem a exposição direta da pele ao sol. Usar chapéu de preferência de abas largas e óculos com proteção contra a radiação UVA e UVB;
  • Evitar a permanência em viaturas expostas ao sol, principalmente nos períodos de maior calor. Se o carro não possuir ar condicionado, não fechar completamente as janelas. Levar água ou sumos de fruta naturais sem açúcar para a viagem e parar para beber. Nunca deixar crianças, doentes ou pessoas idosas dentro de veículos expostos ao sol;
  • Diminuir os esforços físicos e repousar com frequência em locais frescos e arejados;
  • Usar menos roupa na cama, sobretudo quando se tratar de bebés e utentes acamados;
  • Em casa evitar que o calor entre: correr as persianas ou portadas. Ao entardecer, quando a temperatura exterior for inferior àquela que se verifica no interior do edifício, promover correntes de ar;
  • No caso de se sentir mal com o calor, solicitar ajuda de familiares/vizinhos. Em situação de emergência, contactar 112;
  • Informar-se sobre o estado de saúde das pessoas isoladas, idosas, frágeis ou  com dependência que vivam perto e ajudá-las a protegerem-se do calor;
  • As pessoas idosas não devem ir à praia nos dias de calor excessivo. As crianças com menos de seis meses não devem ser sujeitas a exposição solar e deve evitar-se a exposição direta de crianças com menos de três anos. As radiações solares podem provocar queimaduras na pele, mesmo debaixo do guarda-sol; a água do mar e a areia refletem os raios solares e estar dentro de água não evita queimaduras solares.

Proteja-se dos efeitos negativos do calor excessivo. Mantenha-se informado(a) e hidratado(a)!

Referências Bibliográficas:

Direção Geral de Saúde [DGS] (s.d.). Ondas de calor – Recomendações para a população. Disponível em https://www.dgs.pt/saude-ambiental-calor/recomendacoes.aspx;

Direção Geral de Saúde [DGS] (2022). Plano de Contingência Saúde Sazonal- Módulo Verão- Referenciais 2022. Lisboa, Portugal: Direção Geral de Saúde;

Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (2016). Ondas de Calor. Disponível em http://www.prociv.pt/pt-pt/RISCOSPREV/RISCOSNAT/ONDASCALOR/Paginas/default.aspx.

Inês Costa

Enfermeira

Unidade de Saúde Pública

ACeS Cávado II- Gerês/Cabreira

Deixe um comentário