“Um ano intenso e gratificante”. É assim que a presidente da câmara de Vila Verde se refere ao primeiro ano de mandato à frente dos destinos da autarquia. Um ano onde Júlia Fernandes passou por todas as freguesias: “Sempre assumi que sou uma acérrima defensora do trabalho em rede”.
O apoio à natalidade e o SOS Obras merecem destaque como primeiras medidas, mas em 365 dias, Vila Verde foi declarada pela UNICEF como “Cidade Amiga das Crianças”, ganhou uma Estação Náutica, Ensino Superior e viu a expansão da Área de Acolhimento Empresarial dar os primeiros passos.
As mortes de João Lobo e de dois presidentes de junta são apontadas como pontos negativos bem como o pouco apoio do poder central para a realização de obras estruturantes para Vila Verde.
Que balanço deste primeiro ano de mandato?
Foi um ano intenso e extremamente gratificante, pelo resultado positivo e efetivo na resposta a muitas das necessidades e anseios das nossas populações. Foi um ano de muitas concretizações e um trabalho diário e permanente para assegurar as melhores condições de desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida no concelho e em todas as nossas freguesias.
Estamos a levar avante o programa de ação que propusemos e foi aprovado pela esmagadora maioria dos Vilaverdenses, que votou na nossa candidatura autárquica.
Estive em todas as nossas freguesias, procurando soluções e ajudando a resolver problemas e necessidades, juntamente com as Juntas de Freguesia, demais instituições e as populações locais.
Sempre assumi que sou uma acérrima defensora do trabalho em rede. A cooperação e a união de esforços potenciam as mais-valias e os recursos de que dispomos e que podem tornar o nosso concelho mais competitivo e desenvolvido. Uma liderança é tanto mais forte quanto mais mobilizadora conseguir ser.
Arrancamos o mandato com a concretizações de duas medidas que considero extremamente importantes. Uma foi o lançamento do apoio à natalidade “Vale + Nascer Vilaverdense”. Outra foi a constituição da Equipa SOS Obras, que foi criada para o Município ganhar uma nova capacidade de responder rapidamente a necessidades e problemas pontuais que afetam a vida das pessoas.
E pontos negativos?
Como pontos negativos deste ano, lamento a perda irreparável de três amigos e pessoas de referência para o nosso Município e das nossas freguesias: o Dr João Lobo e os presidentes de Junta Victor Ramos e José Dias.
Há conquistas muito importantes para o concelho neste ano?
Vila Verde foi declarada pela UNICEF como “Cidade Amiga das Crianças”. É o corolário de um longo trabalho que vimos fazendo no concelho e que agora ganha maior amplitude e mais responsabilidades, para nos mantermos na linha da frente no apoio às novas gerações e na construção de um futuro cada vez melhor para as nossas populações.
O concelho de Vila Verde foi também distinguido como Estação Náutica de Portugal, reconhecendo o trabalho de valorização ao nível da valorização dos recursos naturais e paisagísticos do território concelho. Foi também neste ano que conquistamos, pela primeira vez, a Bandeira Azul para a Praia Fluvial do Faial, em Prado, que passou também a ostentar a Bandeia de Praia Acessível.
No campo da afirmação do concelho, saliento ainda os sucessos obtidos com eventos-âncora na estratégia de promoção e reforço da atratividade do nosso território, como aconteceu com a programação de fevereiro-Mês do Romance e a Gala Namorar Portugal e a Festa das Colheitas, num registo que está também a ser acompanhado pelas iniciativas Na Rota Das Colheitas.
São eventos igualmente importantes para a dinamização económica do concelho, numa estratégia para a qual são determinantes iniciativas do Município, como o lançamento da obra de Expansão da Área de Acolhimento Empresarial” que se estende de Gême à UF de Pico de Regalados, Gondiães e Mós. Temos ainda um regime de apoio às empresas através da isenção do pagamento da taxa de derrama, no âmbito dos benefícios fiscais concedidos como incentivo à captação de investimento, ao empreendedorismo, à atividade de jovens empresários e à dinamização da atividade económica no concelho.

Houve também alterações aos apoios à habitação…
Criamos um regime de apoios à habitação, para ajudar à melhoria de habitações degradadas de famílias mais vulneráveis e em que alargamos para os 40 anos a idade limite dos jovens para poderem aceder a isenções e benefícios fiscais para construção, requalificação ou aquisição de habitação própria no concelho.
Este é também um ano que fica para a história do concelho porque finalmente temos ensino superior no nosso território. Era um objetivo – rotulado até de “um sonho” – que conseguimos concretizar neste ano letivo, com a abertura do polo do Instituto Politécnico do Cávado e Ave (IPCA) em Soutelo, especialmente direcionado para licenciaturas em cursos técnicos ligados à área digital e das novas tecnologias.
E na educação?
Na área da educação, onde tínhamos também assumido encargos que eram da Administração Central do Estado na requalificação de edifícios, assumimos este ano novas competências ao nível da gestão do pessoal não docente. É uma responsabilidade acrescida que assumimos com grande ambição. É uma área onde o Município de Vila Verde está a fazer um esforço financeiro suplementar, de forma a apoiar as famílias e os alunos.
O Município decidiu pagar às famílias de todos os alunos do concelho as Fichas de Trabalho complementares aos manuais escolares utilizadas no 1º ciclo do ensino básico, incluindo as fichas relativas ao ensino do Inglês. Aos Agrupamentos de Escolas é ainda atribuída verba para aquisição de material didático para os estabelecimentos de educação Pré-Escolar e do 1.º Ciclo do Ensino Básico.
Também ao nível das deslocações dos alunos entre a residência e a respetiva escola, o Município de Vila Verde assegura o transporte gratuito a todos os alunos, em idade escolar obrigatória, a frequentar estabelecimentos da rede pública do concelho e ainda os do ensino articulado da Academia de Música de Vila Verde. Estamos igualmente a apoiar os alunos do ensino superior, ao nível das deslocações e das bolsas de estudo.
Há um trabalho permanente e que está no topo das nossas prioridades políticas, para garantir que as nossas crianças e jovens tenham as melhores condições no acesso ao ensino e à formação. Essa é uma marca que distingue o concelho de Vila Verde. É uma mais-valia podermos intervir em cooperação com todos os agentes ligados ao ensino, das direções dos Agrupamentos aos professores, pessoal não docente, alunos, associações de pais, encarregados de educação e toda a comunidade escolar.
Quais as principais dificuldades sentidas?
As maiores dificuldades são, sobretudo, ao nível das obras estruturantes em que é imprescindível o apoio e o investimento do Poder Central, como acontece no processo da variante à sede do concelho. É um sonho que se torna cada vez mais uma ilusão, porque é desesperante o desdém com que o Poder Central – e refiro-me ao governo e aos seus ministérios e serviços gerais do Estado – continua a tratar esta emergência rodoviária em que se encontra o nosso concelho.
Investiram na requalificação da EN101, que vai ficar com muito boas condições, mas todos sabemos que não resolve o problema do excesso de tráfico e do verdadeiro bloqueio do trânsito. O mesmo acontece com a EN201, para onde se anunciam investimentos de requalificação em alguns troços, o que não passa de pura “cosmética”, com a agravante de nem sequer estarem ainda previstas intervenções ao nível de passeios e margens para resolver problemas de segurança para os peões.
Outra necessidade urgente é resolver o problema do bloqueio no final da variante do Cávado, onde mais uma vez o Estado continua a não dar sinais de querer investir, o que representa uma negação do serviço de interesse público. É, aliás, uma infeliz demonstração de despreocupação com as necessidades das populações. A atual rotunda não corresponde às exigências de regulação do trânsito, como todos podem constatar diariamente, mas prossegue o imobilismo estatal para avançar com uma solução alternativa, seja pela construção de viaduto ou alteração da rotunda.
Apesar do desinvestimento do Estado, vamos continuar a lutar e a trabalhar para criar as melhores condições no concelho.
Está também em andamento o projeto para a construção de uma variante de ligação ao parque industrial de Oleiros. Espero que não tenha de ser o Município a assumir a obra sozinho, mas, se tiver que ser, não vamos desistir.

A conjuntura económica difícil que o país atravessa, sentiu-se neste primeiro ano?
A atual conjuntura económica e social, a nível do país e global, representa um novo desafio para a gestão municipal, muito por força da proximidade que, enquanto autarcas ao serviço das pessoas, nos orgulhamos de praticar de forma contínua e diária com as nossas populações.
Superada a pandemia Covid-19 em que as autarquias e as instituições locais tiveram um papel reconhecidamente imprescindível, temos uma nova crise provocada também pela guerra na Ucrânia, que veio agravar impactos negativos sobre a economia e a vida das pessoas. A inflação está a bater recordes e a causar novos problemas às famílias, às empresas e às nossas instituições, pelo que o Município é novamente chamado a responder e procurar minorar os problemas sociais.
O Município de Vila Verde assume, aliás, uma intervenção social extremamente forte. Isso verifica-se ao nível da educação, no apoio à habitação e a cuidados de saúde, na assistência a idosos e pessoas mais vulneráveis, na cooperação com as IPSS, as escolas e as juntas de freguesia, no apoio à natalidade e à infância, nas tarifas do serviço de abastecimento de água, recolha de lixo e ligações de saneamento – com tarifas sociais e de valores reduzidos para toda população em casos de consumo reduzido.
Tendo em conta, essa conjuntura como encara o resto do mandato?
As adversidades são muitas vezes um estímulo inesperado para reforçarmos a nossa capacidade de trabalho e mobilizar novas forças para resolver problemas e superar os desafios.
Acredito que no próximo ano começarão a abrir avisos para os novos programas de apoio comunitário. O Município de Vila Verde está a trabalhar para poder aproveitar ao máximo os recursos que venham a ser disponibilizados, designadamente para prosseguir o esforço ao nível das infraestruturas, nas redes viária, de água e de saneamento. Para apoiar e estimular setores estratégicos como a economia, a agropecuária e o turismo, a par das nossas instituições de solidariedade. Vamos continuar a investir para preservar e valorizar o nosso património natural e histórico, assim como os equipamentos e espaços de utilização pública, como as escolas e equipamentos desportivos.
No final do mandato, como espera que esteja Vila Verde nos seus diversos aspetos?
Espero que o concelho esteja em condições de oferecer mais e melhores empregos, com uma forte dinâmica empresarial, capaz de atrair e fixar os nossos jovens e as nossas famílias, como território onde, além da extraordinária qualidade de vida que oferece para todos e todas que aqui vivem, as pessoas possam concretizar os seus objetivos de vida.
Vamos continuar a trabalhar para que o concelho tenha melhores condições de mobilidade, designadamente a nível rodoviário e pedonal. E também com excelentes ciclovias e ecovias, onde todos possam contemplar as belas margens e recursos naturais do nosso território.
Apesar das dificuldades com o desinvestimento do Estado e do Governo ao nível das acessibilidades e infraestruturas, o Município de Vila Verde está a trabalhar afincadamente em alternativas, como é o caso do Eixo Rodoviário Norte-Sul, a ligar Gême a Soutelo. Espero que esta via alternativa esteja a funcionar até ao final deste mandato. É uma obra estrutural, para facilitar a vida a milhares de pessoas que têm de atravessar o centro urbano da sede do concelho para se deslocarem entre os limites norte e sul do concelho.
Temos também em bom andamento obras importantes e que espero colocar em funcionamento a breve prazo. São os casos do Centro Interpretativo do Artesanato em Cerâmica que recentemente lançamos a primeira pedra, na Vila de Prado, assim como a Casa dos Saberes e Sabores Populares em Vila Verde e a nova Extensão de Saúde em Pico de Regalados, a nova Extensão de Saúde em Pico de Regalados e a Casa dos Saberes e Sabores Populares em Vila Verde, assim como a Adega Cultural, a que acresce ainda o futuro Parque da Vila.
O objetivo é que sejamos um concelho cada vez mais competitivo, moderno, desenvolvido, e sobretudo mais igual, mais justo, solidário e inclusivo. Um concelho onde as pessoas vivam cada vez melhor e mais felizes.
