Foi sobre os símbolos musicais e poéticos do 25 de abril que decorreu a sessão somemorativa dos 49 anos do 25 de abril em Amares. A cerimónia começou com o içar das bandeiras ao som do hino nacional tocado pela Banda Filarmónica de Amares e pela deposição de flores junto ao monumento dos ex-combateentes.
Tanto o presidente da Assembleia Municipal como o presidente da Câmara prestaram, depois, revista aos elementos dos bombeiros e da cruz vermelho, em parada. A cerimónio passou para o interior dos Paços do Concelho com a atuação de diversas entidades locais.

Coube à Banda de Amares abrir as honras interpretando temas conhecidos de Zeca Afonso e António Variações, terminando com uma interpretação do tema ‘Amor em Portugal’. Também sob a égide das canções de abril, o Centro de Estudos Musicais Luis Capela trouxe os cavaquinhos para o programa.
Os funcionários com 25 e 35 anos de casa foram agraciados com as medalhas de prata e ouro, respetivamente. A AECA tocou e interpretou algumas das canções mais conhecidas de Zeca Afonso. A Tomás Sousa, aluno da Escola Secundária coube o primeiro discurso da cerimónia com passagens pelos valores de abril e reflexão “necessária” sobre os caminhos que estão a ser seguidos”.
Antes dos discursos, propriamente ditos, coube à Associação Florir Artes Musicais terminar a parte mais musical com a interpretação de canções ‘menos’ conhecidas de Zeca Afonso.

O primeiro a discursar foi Domingos Paulo do PS que começou por lembrar o facto de “estarmos a viver há mais tempo em democracia do que em ditadura” realçando “a melhoria da qualidade de vida, a educação e a saúde” como conquistas de abril, “mas nada está garantido. Temos que nos manter vigilantes e diligentes, sem egoísmos pessoais ou nacionais. “Travar o nacionalismo e a inovação na economia” são dois dos desafios deixados para o futuro.
Num discurso ‘diferente’ do que é habitual nestas ocasiões, Sérgio Guimarães, disse que “as sociedades democráticas definem-se por serem em nome da liberdade de expressão, sociedades erigidas sobre antagonismos sociais. Quem não perceber isso não entende verdadeiramente a essência da democracia. Isto não significa, porém, que a democracia seja possível e não se tomem decisões e não se tracem consensos, significa isso sim, que as decisões e consensos devem refletir entendimentos maioritários que podem ao nível da máquina do estado assumir diversas formas: referendos, pactos de regime, aprovações seguidas de amplas discussões públicas”.

No entanto, em Portugal, ainda há um caminho a percorrer: “mas para que tal seja exequível, isto é, para que a democracia se exerça com qualidade e plenitude, tonar-se forçosa a existência de uma sociedade civil participativa, exigente, capaz de se empenhar e fiscalizar o poder instituído. Ora, como sabemos, neste aspeto, sobretudo, se avaliados com outros países europeus, nós portugueses ainda temos um certo caminho a percorrer. Assim, contribuir para melhorar a qualidade da nossa democracia exige sem dúvida refletir sobre a melhor forma de envolver os cidadãos na causa pública e os implicar o mais possível na tomada de decisões”.
Manuel Moreira
Já o presidente da Câmara, deixou pistas para o futuro do concelho: “temos canalizado avultados investimentos, continuamos a fazer um esforço para crescer e criar novas dinâmicas e infraestruturas em linha com as políticas europeias e nacionais, assegurar a atratividade económica, inovação e acessibilidades necessárias”.

Lembrou depois as obras que estão a ser executadas, no valor de 12 milhões de euros. “Contudo assumimos que a execução das obras materiais não era a única prioridade na nossa linha de ação, medidas da saúde, educação e ação social são investimentos fundamentais para o crescimento sustentado e democrático para o nosso concelho”.
João Januário
Coube ao presidente da Assembleia Municipal terminar a sessão. “O ser humano é tentado a olhar para trás, para o passado imaginário e idílico que lhe dê a sensação de consistência ainda que ilusória”, começou por recordar e alertou: “a fragmentação (atualmente existente) tem colocado em risco a estabilidade e a coesão territorial e abalado a confiança do cidadão nas instituições democráticas e tem gerado inquietações em relação aos ideais fundamentais da democracia, dos direitos, das liberdades e das garantias individuais.

Para João Januário estas mudanças feitas em pequenas doses são difíceis de avaliar. “É crucial continuar a defender os valores democráticos e a luta pelos direitos e liberdades individuais. Para garantir que essa mensagem seja infalível às futuras gerações, precisamos se ser um exemplo de ação política, que se não envolve os cidadãos nas decisões é uma falha na democracia”.










