Um grupo de professoras, pertencentes a vários sindicatos, manifestou-se, hoje, em Vila Verde à chegada do Secretário de Estado da Educação, à escola secundário. Gritando palavras de ordem como ‘demissão’, as docentes empunhavam imagens e cartazes e slogans vistos em outras manifestações.
Luísa Brandão explicou aos jornalistas que “todos os dias somos confrontados com a falta de recursos nas escolas, temos uma turma e não interessa que fazem parte alunos com necessidades especiais ou migrantes, os recursos que temos são os mesmos. Falta muito apoio aos nossos alunos e essa é a nossa maior reivindicação”.
A professora lembrou que a questão da reposição do tempo de serviço “é uma das reivindicações, mas não é a principal” acrescentando que “valorizar uma carreira é pagar às pessoas e não é pagar nada de extraordinário, é devolver aquilo que nós trabalhamos e não nos fomos assegurando” garantindo “uma reforma em condições, se nos subtraem um quarto da carreira, a nossa reforma não vai ser aquilo que é justo em função daquilo que trabalhamos”.
“Nas escolas falta tudo: os alunos vêm, mas os professores são cada vez menos, há cada vez menos recursos e não há atendimento a situações especiais”. Luísa Brandão não tem dúvidas em dizer que a escola “está muito pior do que há dez anos”, mesmo havendo melhores condições físicas: “as escolas fazem-se do capital humano que lá existe. Uma escola esburacada, sem condições, mas que tenha professores motivados é uma escola que consegue fazer pelos seus alunos muito mais do que um ar condicionado”.
A professora lembra que “se gastou muito dinheiro nas escolas. Há centros educativos que foram construídos e estão com metade das salas vazias porque não foi feita uma projeção real do que era necessário. O dinheiro é posto em sítios que, se calhar, não faz falta e no capital humano que são os psicólogos, terapeutas, são os professores de português de língua não materna para alunos migrantes isso não existe”.
E deixa um desabafo: “vierem dizer que são os professores que prejudicam os alunos…nem sei qualificar”. A mensagem para António Leite foi só uma: “demissão. Se estão este tempo todo sem resolver estes problemas… não temos esperança que as políticas mudem num flash porque não é essa a informação que nos têm demonstrado”.
