Vila Verde

Centro Tecnológico na Secundária de Vila Verde é o maior financiamento público numa escola

A Escola Secundária de Vila Verde vai criar até ao final de 2024, um centro tecnológico especializado, na área de informática, para os cursos profissionais lecionados no estabelecimento de ensino. São 9 turmas, juntamente com as do curso de Contabilidade, abrangidas por este projeto que, segundo o diretor da Secundária, João Graça, “é o maior de sempre numa escola pública e promete revolucionar a forma de dar aulas”.

Os centros tecnológicos especializados estão inseridos no âmbito da componente 6 da qualificação e competências do Plano de Recuperação e Resiliência. Visa a modernização da oferta dos estabelecimentos de ensino e da formação profissional.

“Acima de tudo tem por objetivo aumentar a capacidade do sistema educativo, combater as desigualdades sociais que existem, e aumentar a resiliência do emprego. Este projeto está focado para a formação profissional, para os cursos profissionais e a necessidade de avançar com este tipo de projeto decorre dos problemas que foram surgindo com a pandemia, havendo o reforço dessas ditas aprendizagens”, refere ao Terras do Homem, João Graça.

O Ministério procurou instalar 365 centros tecnológicos especializados nos cursos profissionais do ensino público e nas escolas profissionais públicas e privadas; 115 centros industriais, 30 centros de energias renováveis, 195 centros de informática e 25 digitais e multimédia.

O projeto procurava apetrechar tecnologicamente as escolas com equipamento informático, com mobiliário e poderia haver intervenções pontuais em termos de infraestruturas. “Os CTE estão alinhados com os objetivos definidos no âmbito da estratégia Portugal 20/30 que aposta na melhoria das infraestruturas e equipamentos das escolas, criando qualidade, melhorando a capacidade técnica e pedagógica dos espaços educativos, promover, ainda mais, a qualidade da informação que é ministrada e alargar as respostas educativas e formativas”.

Só três Centros aprovados na CIM-Cávado
O aviso de abertura destas candidaturas aprontava como objetivos principais, reequipar e robustecer a infraestrutura tecnológica das escolas, mas, “no nosso caso, não se trata apenas de uma modernização só de equipamentos, prende-se muito com a reorganização da sala de aula. Isto é, pensar a sala de aula de outra forma”, revela o diretor da Secundária.

“Nós vimos o nosso projeto aprovado, e o concurso foi feito através da CIM-Cávado, e veja-se que estavam pensados 15 centros tecnológicos na área da informática e só três escolas é que conseguiram garantir este investimento: Secundária de Vila Verde, Alberto Sampaio em Braga e Agrupamento de Escolas de Barcelos”.

João Graça refere que “foi como enorme satisfação que vimos este projeto aprovado, até porque foi feito durante o mês de agosto, que é um período de paragem, onde os técnicos e professores que poderiam dar apoio estavam ausentes e muitas escolas socorreram-se de entidades externas para garantir a apresentação das candidaturas. Nós não, nós fizemos de forma diferente: acreditamos que teríamos de ser nós a fazer um trabalho de introspeção, de nos analisarmos, de ver quais eram os nossos problemas e de que forma é que poderíamos aproveitar a verba indo ao encontro das nossas reais necessidades”.

O projeto foi, por isso, desenvolvido por uma pequena equipa, concentrada na equipa de direção, com Know-how interno.

Revolução na sala de aula
O Centro Tecnológico pretende fomentar uma mudança de filosofia enquanto sala de aula. “O que se pretende é potenciar um trabalho diferente na sala de aula, transformando a sala de aula num espaço dinâmico, a mobilidade é facilitada pelo equipamento que vamos adquirir, onde por exemplo, as cadeiras terão rodas, de pensar numa aprendizagem cooperativa, num trabalho de colaboração onde o aluno está no foco da sua aprendizagem, isto é, através de dinâmicas de pesquisa e investigação, ter a oportunidade em grupo de analisar e repensar tudo esse trabalho e depois partir para a execução da sua tarefa”.

Não é um espaço estático, “procuramos garantir a mobilidade dos alunos e permitir que a sala se reorganize muito facilmente conforme a dinâmica de trabalho que se procura implementar”.

“Nós pensamos neste Centro tecnológico tendo como referência a forte aposta da Escola, ao longo dos anos, nos cursos profissionais na área da informática, onde temos dois cursos, de Gestão e Programação de Equipamentos e Sistemas Informáticos e de Gestão de Equipamentos Informáticos. Todo o projeto foi pensado nestes dois cursos e associamos um outro curso que é o de Contabilidade que no nosso meio tem forte implementação. Temos a capacidade para que esses alunos possam ir para o mercado de trabalho”.

Seis salas transformadas
Em termos de espaços, são aproveitadas seis salas de informática existentes, chamadas de Lab Spaces, “porque queremos potenciar novas dinâmicas de trabalho e por o aluno no foco da sua aprendizagem, ter essa capacidade de fazer o seu percurso com o professor a fazer o seu acompanhamento; não temos essa visão do professor no centro, aquele que disponibiliza a educação e o conhecimento, mas sim o foco de que a aprendizagem é um processo que deve ter como referência o próprio que quer aprender”.

Para além dos Lab Spaces, há um Maker Space onde os alunos têm a possibilidade de aprender fazendo, equipado com materiais que permitem aos alunos fazerem as suas próprias construções, onde poderão montar um computador, um robô, preparar um hardware com programação.

Há depois um Open Space Laboratory que visa facultar aos alunos um conjunto de equipamentos desde robôs, impressoras 3D, onde possam visualizar algum do trabalho que já desenvolveram e deixá-lo ao dispor da comunidade não só interna, mas de toda a comunidade educativa. “Este Open Space estará disponível para outras escolas do nosso concelho, que possam vir cá e visualizar todo o trabalho desenvolvido, no fundo, um minicentro de ciência”.

Finalmente, um Finance Accounting Space que é um espaço direcionado para o curso de Contabilidade e “onde procuramos reproduzir um escritório de contabilidade, desde o atendimento passando pelo trabalho interno de uma empresa deste tipo. No fundo, queremos que os alunos estejam preparados para quando forem para o terreno, terem um processo de aprendizagem mexendo, tocando, preparando-se para aquilo que é a realidade de um escritório de contabilidade”.

Financiamento de 856 mil euros
As salas estão, também, disponíveis para outras aulas de informática de outros cursos da escola e com lotação máxima para 28 alunos. “Em termos de equipamentos informáticos aquilo que nós fazemos é um trabalho por pares. A nossa candidatura foi de 1 milhão e 90 mil euros, não conseguimos a totalidade do financiamento, só 856 mil euros. Há uma área que não conseguimos equipamento na sua totalidade: tínhamos pensado garantir portáteis para os alunos na parte mais dinâmica e depois computadores de secretária para a execução dos projetos, mas estes 200 mil euros dos computadores de secretária não nos foram garantidos”.

João Graça não descarta usar verbas próprias para colmatar esta ‘falha’ e de forma gradual melhorar as salas de informática. “Temos uma turma em cada ano os cursos, isto é, 1º, 2º, 3 ºs anos de cada curso. São 9 turmas no total e temos a garantia de ter alunos em todos os cursos e em todos os anos. Perante a procura que está sempre a aumentar, alargamos o leque de oferta com um curso que dê resposta a essa procura”.

Projeto pronto em dezembro de 2024
O diretor da Secundária revela que “já tivemos a possibilidade de fazer a requisição de 30% da verba da candidatura, à volta de 250 mil euros, estamos a elaborar o caderno de encargos para o concurso, quase de certeza internacional, para o projeto todo”.

João Graça não tem dúvidas: “nunca a escola secundária de Vila Verde teve uma candidatura na ordem dos 150 mil euros, e isso dá para perceber a dimensão deste projeto e da gestão do dinheiro será feita pela escola. Nunca a escola teve um investimento direto com valores tão elevados, em função das suas reais necessidades. É diferenciador porque dá a oportunidade às escolas de olhar para os seus problemas e procurar soluções internamente”.

A 1º fase do concurso será ao nível do mobiliário e depois no início de 2024, a escola avança para os equipamentos informáticos. “Quero ver se até dezembro de 2024 temos tudo concluído para os nossos alunos começarem logo a usufruir dos novos espaços”.

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