Amares

Centro Interpretativo é a proposta para a Casa da Botica em Amares

A criação de um centro interpretativo da Botica é a proposta do arquiteto Rui Jesus, na sua tese de mestrado desenvolvida no âmbito da Licenciatura em Arquitetura pela Universidade do Minho. No documento disponível no ‘Repositorium e de onde foram retiradas as fotos que ilustram esta reportagem, refere que “pretende-se oferecer uma solução sob a forma de um projeto de arquitetura, que permita combater o problema da ruína e do esquecimento do património identitário desta região. A oportunidade de intervenção não se prende apenas numa questão de reabilitar um edifício antigo, mas sim num novo enquadramento deste património”.

A tese surge, antes, da compra por parte do Município, mas já leva em conta essa intenção municipal. “Dado o interesse camarário na propriedade, e não fazendo sentido uma recuperação da sua função inicial de habitação, surgiu então a ideia de implementar sobre a ruína um equipamento de cariz público, que valorize o objeto”, por isso, “é neste sentido que surge a ideia deste equipamento adotar a função de um centro interpretativo, que assumirá o desenho de um condutor do espaço e incluirá em si um posto de turismo”.

O equipamento compreenderá em si “um conjunto de percursos, que incluirão algumas salas, onde constará o já referido posto, alguns espaços abertos e encerrará num miradouro que se abrirá sobre o Largo D. Gualdim Pais, estrategicamente voltado para a Capela da Nossa Senhora da Paz”.

A funcionalidade do espaço, também, está presente: “o visitante poderá utilizar este equipamento para um conhecimento do objeto e do lugar, bem como poderá utilizá-lo para aceder a uma exposição ou apresentação de qualquer obra, ou ainda apenas para consultar algumas informações concelhias.

Espaço Verde de estar
Para a parte do jardim, Rui Jesus sugere a criação “de um novo espaço verde de estar. Este espaço será apoiado por um estabelecimento comercial, para que também aumente a afluência e o interesse em aceder a este objeto. Desta forma, pretende-se aumentar a autonomia do edifício, uma vez que caso a sua única função se prendesse com a simbolização daquele património, facilmente poderia cair no desuso”.

Prevista neste projeto está a criação de uma ligação com o edifício vizinho, a Biblioteca Municipal, estabelecida através de uma ponte, que ligará o equipamento à sala principal da biblioteca. “Esta ligação direta entre estes edifícios é motivada não só por uma nova relação do objeto com a envolvente, mas também com um enquadramento do programa a implantar, com o já existente no edifício conexo”.

Desta forma, espera-se que a intervenção venha ajudar na dinamização da biblioteca, uma vez que o equipamento poderá ser utilizado como um complemento da mesma, quer na apresentação de qualquer livro, bem como em oferecer outros espaços de leitura e de estar”.

Jardim
Esta intervenção tem como ponto fundamental, além de valorizar o património em questão, transformar a Casa da Botica num espaço transitório – “A Porta” – abrindo e inserindo o antigo logradouro e a propriedade num novo enquadramento com o Largo D. Gualdim Pais.

“O antigo logradouro da propriedade assumirá então um novo protagonismo, o de funcionar como um novo parque da vila, objetivamente envolvido na dinâmica central deste concelho. Esta transformação prende-se com a ideia de criar uma nova área verde, de lazer, que além de funcionar como pulmão da vila, passe também ela a ser um ponto convidativo e de interesse local”.

Apoiando esta área exterior, constará também aqui um café e respetiva esplanada, que se abrirão para todo este extenso logradouro. Assim, o café aparecerá implantado na antiga zona onde outrora estariam dispostas as cortes dos animais da habitação e aparecerá voltado para a primeira cota deste logradouro, onde se encontra a fonte e o antigo jardim senhorial.

Na transição para as outras cotas do terreno, surgirá uma estrutura permeável que albergará a esplanada do dito café. Esta poderá facilmente ser adaptável a outra função, como por exemplo, receber um concerto ou outro qualquer evento recreativo.

Construção
Esta intervenção não pretende acarretar enormes custos na reabilitação da Casa da Botica, mas sim “oferecer uma nova vida a este património com a implementação de um equipamento construído com materiais pré-fabricados de custo mais reduzido”. Assim sendo, o objetivo passa por obter o máximo resultado com o menor gasto possível.

“Interessa ainda referir que toda a materialidade escolhida para a concretização do projeto teve em conta o enquadramento com a pré-existência em que se insere. Na concretização da proposta o aço assume-se como principal material a utilizar e a sua escolha advém de não se pretender utilizar excessivos recursos económicos. Complementando esta escolha, aparecerão outros materiais pré-fabricados, como as lajetas de betão que serão também elas responsáveis por alguns pavimentos”.

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