Opinião

Os bombeiros nunca dizem não!

Nos últimos dias, as caixas de jornais e televisões têm abordado assuntos como a Covid – 19, o ataque à democracia, por parte das hostes apoiantes de Trump, bem como as eleições presidenciais agendadas para este mês de Janeiro. Poderia eu, sobretudo, abordar o tema do aquecimento global, tema sobre o qual jamais me cansarei de versar. Fica para a próxima edição.

Permitam-me, assim, dedicar-me a uma das instituições mais importantes do nosso país, como é o caso dos bombeiros nacionais. Neste sentido, debruço-me sobre as dificuldades que, por exemplo, os Bombeiros Voluntários de Amares estão a atravessar, num momento em que a região atravessa números elevados de infecção com o novo coronavírus e em que aquela associação humanitária corre o risco de não obter capacidade de acorrer às mais variadas solicitações que surjam.

Pergunto quantos de nós não nos apaixonámos pela bravura dos heróis do povo, ao assistirmos a filmes como o de John Guillermin, “A Torre do Inferno”, com os inesquecíveis Paul Newman ou Steve Macqueen? Quantos de nós não desejávamos estar na pele do herói bombeiro de “Mar de Chamas”, de Ron Howard, com Kurt Russel, William Baldwin e Robert de Niro? Quantos de nós se alistaram numa destas agremiações humanitárias, após verem a história verídica em torno de um grupo de sapadores florestais, que resultariam mortos após o combate a um desastre dantesco, semelhante aos incêndios que assolaram a nossa região centro no ano de 2017? “Só Para Bravos”, de Joseph Kosinski, com Josh Brolin, Jeff Brifges, entre outros. Quem não chorou? Mas, mais importante, quem não sentiu o ADN a brotar, dentro de si, seguindo o exemplo dos mais velhos, familiares, amigos, e aceitar o combate terrorífico contra o lume? Quem não continua, nos dias de hoje, a decidir envergar a farda dos bombeiros portugueses, quando o apelo a essa escolha deixou de ser atractiva – por comparação com outras instituições, que prometem tudo e mais alguma coisa – e que padece de problemas tão fundamentais como verbas para actuarem ou pagarem os salários a funcionários? Felizmente, continuam a ser muitos.

Perante tudo isto, eu torno-me profundamente preocupado quando me apresentam o plano e orçamento para o ano de 2021, dos Bombeiros Voluntários de Amares. Enquanto sócio da associação, presente na mais recente Assembleia Geral, fico, desde logo, desiludido que estas reuniões estejam a ser debatidas por menos de cinco pessoas. Retirando os membros da mesa da Assembleia, da Direcção, e do Conselho Fiscal, três sócios ficaram conhecedores, no passado dia 27 de Novembro, dos problemas que assolam a nossa associação humanitária.

Assim, ficámos cientes de que o executivo municipal, na figura do respectivo presidente, está de costas voltadas para os Bombeiros Voluntários de Amares, visto ser fundamental um reforço do subsídio anual, visando suprir as despesas extraordinárias relativas à dificuldade de acção, após o surgimento da epidemia. Obtivemos conhecimento de que o trabalho em torno das receitas deverá ser hercúleo, uma vez que as mesmas se mantêm dependentes do que se possa angariar em sorteios ou peditórios, bem como da assiduidade dos sócios no âmbito do pagamento das quotizações.

Ouvimos perplexos sobre a possibilidade de ser negado o pedido de acesso a um subsídio extraordinário, ficando a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Amares incapacitada de manter o necessário número de funcionários e, subsequentemente, impossibilitada de responder às ocorrências que possam eventualmente surgir, ocorrências essas que, nesta época do ano, estão relacionadas com o suporte aos mais necessitados, apoio a sinistros rodoviários, respostas relacionadas com inundações e intervenções semelhantes e, de uma forma mais transversal, no contexto do transporte de doentes.

Neste último ponto, enquanto outros crescem numa lógica de negócio, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Amares estende a mão visando a disponibilização de uma moedas, porquanto, sem as mesmas, não será possível garantir todos os serviços, a operacionalização do corpo de bombeiros, a aquisição de fardamento, a manutenção e reparação das viaturas, a aquisição de combustível, o custo com seguros, telefone e energia, bem como o investimento no quartel. Parece-me esta ser, também, uma luta de todos, sobretudo da edilidade, não podendo mais adiarmos a nossa contribuição.

Finalmente, devo sublinhar as palavras do presidente da Assembleia Geral que, de uma forma sucinta, transparente e profundamente justa, relevou o trabalho realizado pelo conjunto da direcção, reiterando a coragem, a resistência e a inventividade, característica suprema de todos aqueles que, com tão pouco, tanto concretizam.

Os bombeiros nunca dizem não!

Bem-haja!

 

Bruno Marques [Escriturário]

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