O advogado de defesa do guarda da GNR acusado de ameaças contra três magistrados da Comarca de Vila Verde, requereu a libertação para o arguido, Carlos Pereira Lima, neste momento com prisão domiciliária.
As testemunhas da GNR foram unânimes em garantir, durante todo o julgamento, que este não oferece perigo, não sendo uma pessoa violenta, muito pelo contrário, tese corroborada por relatórios médicos e que estão na base do pedido da sua libertação.
Num documento, de sete páginas, citam-se os pareceres, quer de psiquiatria, quer de psicologia, dando conta que o guarda da GNR, apesar dos seus escritos, não é agressivo, nem violento.
Militares de todas as patentes, desde generais a praças, passando por oficiais e sargentos, todos com conhecimento direto da personalidade do guarda Carlos Lima foram unânimes em garantir que se trata de uma pessoa cordata e pacífica, sendo que os seus escritos no página de facebook tratavam-se de desabafos por se considerar injustiçado em face da sua condenação através da ação dos referidos três magistrados.
As testemunhas consideraram ser incapaz de ter alguma atitude hostil e muito menos agressiva, caso contrário, a postura da GNR teria sido outra: sido desarmado e colocado só em serviço administrativo.
A sargento-ajudante Maria José Costa, inquirida sobre o caso da alegada desobediência do guarda Lima, relativamente ao cabo Martins, esclareceu que, ao contrário daquilo que estava determinado pela hierarquia da GNR, ao mais alto nível, o cabo Martins ordenou ao guarda Lima que este fizesse um serviço operacional, em plena rua, apesar de estar desarmado e proibido para tais funções, pelo que a sua recusa não constituiu qualquer desobediência.
Pelo contrário, o guarda Lima obedeceu ao que estava previsto sem extrapolar as suas atribuições, tendo a graduado chegado a chamar a atenção do cabo Martins e proibido o praça de voltar a tentar mandar para rua, em serviço operacional, um guarda que estava proibido de o fazer.
A propósito, o brigadeiro-general Borlido da Rocha, à data comandante distrital da GNR de Braga, explicou que se decidiu pela transferência do guarda Carlos Pereira Lima, entre os Postos de Vila Verde e de Terras de Bouro (o militar agora arguido já tinha prestado o ser serviço no Posto da GNR da Vila do Gerês), porque haveria incompatibilidades entre um outro praça do Posto de Vila Verde, cabo Martins, pai da advogada Isabel Sousa Martins, representante da família em conflito com os parentes do guarda Carlos Lima.
Ameaças pelo facebook
Face ao requerimento do advogado de defesa, Amândio Alves, o Tribunal Coletivo pediu que se pronunciassem sobre o pedido, o procurador do Ministério Público e os advogados, que representam os magistrados ameaçados, aguardando as suas posições, para se decidir.
Carlos Pereira Lima, com 38 anos, solteiro, na sua página pública de facebook, intitulada “Hibrahim Carolus”, foi proferindo ameaças à juíza Alda Sá Faustino e aos dois procuradores, Ana Isabel Peixoto e Nuno Filipe Ferreira, com escritos que levaram os três magistrados a temerem o pior, especialmente depois da psicóloga que o seguia, ter quebrado o seu sigilo profissional.
Na origem da indignação do guarda Carlos Pereira Lima, suspenso de funções pela GNR, está o facto de então ter sido condenado, com intervenção dos três referidos magistrados, na sequência de desacatos com um vizinho, nos quais disparou uma pistola, mas sem atingir ninguém.
Assim como os três magistrados, também foram visados, na página de facebook daquele guarda da GNR, Carlos Pereira Lima, quatro cabos da GNR, Gomes, Soares, Fernandes e Martins, tal como um guarda da GNR, Filipe Ferreira, duas advogadas, Bruna Pereira e Isabel Sousa Martins, o empresário de Atiães, Manuel Pereira, além de Maria Inês Pereira.
