Vila Verde

Irene Flunser Pimentel trouxe Memórias da Revolução ao ‘Aqui Há Cultura!’ em Vila Verde

A Biblioteca Professor Machado Vilela, em Vila Verde, recebeu a historiadora Irene Flunser Pimentel, no âmbito do programa AQUI HÁ CULTURA!, para a apresentação da sua obra “Do 25 de abril de 1974 ao 25 de novembro de 1975 – episódios menos conhecidos”. A iniciativa integrou-se numa programação cultural que se distingue pela qualidade e pela promoção de encontros com figuras de destaque da cultura portuguesa.

Distinguida com o Prémio Pessoa (2007), com o Prémio Seeds of Science na categoria de Ciências Sociais e Humanas (2009), e condecorada com a Ordem Nacional da Legião de Honra pelo Governo de França (2015), Irene Flunser Pimentel é reconhecida como uma das mais relevantes historiadoras portuguesas contemporâneas. Mestre em História Contemporânea (Século XX) e doutorada em História Institucional e Política Contemporânea pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, exerceu funções de investigadora no Instituto de História Contemporânea da mesma instituição.

Manuela Barreto Nunes apresentou a todos a convidada e passou a palavra a Arnaldo Varela de Sousa, moderador da conversa, que iniciou a sessão por agradecer a presença de Irene e a presença de todos. Referiu também que, apesar de ser a apresentação da obra da autora, a sessão se desenvolveria através de uma conversa cujo ponto de partida foi o livro “Do 25 de abril de 1974 ao 25 de novembro de 1975 – episódios menos conhecidos”.

A escritora iniciou o seu discurso abordando a questão da inação da DGS (antiga PIDE) durante o 25 de abril, explicando que existiram diversos acontecimentos que justificaram esse comportamento por parte da polícia política.
No entanto, durante a segunda fase do marcelismo, o cenário alterou-se de forma significativa: o regime endureceu e a repressão intensificou-se. Muitos jovens começaram a emigrar antes de cumprirem o serviço militar obrigatório, e a PIDE respondeu com um reforço das suas estruturas, recorrendo novamente à tortura e à violência. Incapaz de conter a crescente oposição, sobretudo por parte do Partido Comunista, a polícia política mostrou o seu caráter autoritário e implacável.

A autora destacou ainda que a PIDE possuía uma estrutura semelhante à do KGB soviético, uma polícia interna e externa do Estado, tendo colaborado com serviços secretos internacionais como a CIA e o BND alemão.
Referindo-se à Revolução de 25 de Abril, Irene Pimentel descreveu-a como um ato de desobediência e coragem, evocando o célebre episódio do militar que se recusou a disparar sobre Salgueiro Maia durante o golpe de Estado.
Recomendou também a visualização do filme “A Conspiração”, de António-Pedro Vasconcelos, transmitido pela RTP, que retratou as reuniões da PIDE em 1973 e 1974.

Por fim, sublinhou que o 25 de novembro de 1975 constituiu uma data fraturante na história nacional, reforçando a ideia de que é “uma data que não se comemora, estuda-se”, pois decorreu diretamente dos acontecimentos de Abril e ainda hoje levanta muitas questões por esclarecer.

Demonstrou ainda o seu agrado em saber que as sondagens mais recentes revelaram um aumento do orgulho e do reconhecimento da importância do 25 de Abril entre os portugueses, demonstrando que a memória da revolução continuou viva e em reavaliação constante.

Além da apresentação da obra “Do 25 de abril de 1974 ao 25 de novembro de 1975 – episódios menos conhecidos”, a autora surpreendeu com o livro “Relações Perigosas”, que chegou este mês às livrarias.
Para terminar a sessão, houve abertura para questões dos participantes, respondidas pela escritora. Manuela Barreto Nunes, João Luís Nogueira, diretor-geral da EPATV, e Manuel Lopes, em representação da Câmara Municipal de Vila Verde, demonstraram o seu agrado pela presença de historiadora, agradecendo-lha. No final, houve espaço para uma pequena sessão de autógrafos.

A presença de Irene Flunser Pimentel em Vila Verde foi uma oportunidade única para o público local contactar com uma das vozes mais prestigiadas da historiografia nacional, promovendo o diálogo em torno da memória histórica e dos episódios menos conhecidos do período que se seguiu à Revolução de Abril.

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